1 de abr. de 2019

CONTROLE DA COCHONILHA DE ESCAMA DA PALMA FORRAGEIRA COM O USO DE EXTRATO DE NIM

António Oliveira Nhaga1 , Ciro de Miranda Pinto2 , Maria Gorete Flores Salles3 , Olienaide Ribeiro de Oliveira Pinto4 , Francisco Acácio de Sousa 5 1Discente do curso de Agronomia da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), Redenção-CE, Brasil. 2Professor Doutor do curso de Agronomia da UNILAB, Redenção-CE, Brasil. E-mail: ciroagron@unilab.edu.br 3Professora Doutora do curso de Agronomia da UNILAB, Redenção-CE, Brasil. 4Professora Doutora no Mestrado Acadêmico em Sociobiodiversidade e Tecnologias Sustentáveis (MASTS) da UNILAB, Redenção-CE, Brasil. 5Eng. Agrônomo, mestrando no Mestrado Acadêmico em Sociobiodiversidade e Tecnologias Sustentáveis (MASTS) da UNILAB, Redenção-CE, Brasil
RESUMO 
A palma forrageira apresenta grande potencial produtivo sendo usada na alimentação humana e animal, produção de medicamentos, cosméticos, corantes e na conservação e recuperação de solos. No entanto, apresenta diversas pragas, que causam danos e prejuízos como a Diaspis echinocacti (Hemiptera, Diaspididae), conhecido vulgarmente como Cochonilha de escamas. Assim, objetivou-se definir a concentração de extrato de nim que proporcione o controle da cochonilha de escama na palma forrageira graúda. O trabalho foi conduzido no município de Barreira, Ceará. Utilizou-se 5 tratamentos com extratos de nim, sendo: 0, 50, 100, 150 e 200 g/ 1000 mL de água na parcela primária e 4 tratamentos na parcela secundária com quatro repetições. O ajustamento da regressão foi o polinomial quadrático a 5% de probabilidade, tendo coeficiente de determinação R2 de 75,69%. O valor da dose ótima foi 77,07 g de nim por 1000 mL de água o que resultou um percentual de área da raquete quaternária infestada por cochonilha de escama máxima de 18,78 %, depois desse nível ocorrem decréscimos do percentual de área infestada. O extrato aquoso de 200 g nim em pó para 1000 mL de água proporcionou maior controle da cochonilha de escama na palma forrageira graúda. PALAVRAS-CHAVE
Diaspis echinocacti, Opuntia ficus-indica Mill, Semiárido, Sustentabilidade
INTRODUÇÃO 

No ano em que comemoramos 10 anos 

de seleção a Bahia Red Sindhi disponibilizará 

21 animais de sua melhor genética.

29 DE MAIO A 02 DE JUNHO

A região semiárida do Nordeste brasileiro apresenta precipitação pluvial média anual de 400 a 700 mm, temperatura média de 28º C, umidade relativa de 50 a 60 %, evaporação de 2.548 mm (OLIVEIRA, 2014). As plantas xerófilas destacam- se pela tolerância a seca. A palma forrageira Opuntia fícus-incidica L (Mill) tem contribuído para o desenvolvimento socioeconômico do semiárido brasileiro, por ser uma cultura adaptada às condições climáticas da região. Nesse cenário, a produção de palma forrageira é uma das estratégias de apoio à convivência da pecuária regional com a seca (CAVALCANTE et al., 2014), pois é considerada fonte energética de grande potencialidade para a nutrição de ruminantes como bovinos, caprinos e ovinos, tanto na forma in natura ou desidratada (SILVA et al., 2014). Vários são os fatores que podem influenciar na produtividade da palma forrageira: fertilidade do solo, pluviosidade, densidade de plantio, vigor das mudas, ataque de pragas e doenças, dentre outros. Nesse contexto, a palma forrageira representa uma opção de importância para os criadores sertanejos, por sua alta eficiência no uso da água, alta produtividade,
excelente qualidade como alimento energético de alta digestibilidade, e, além disso, constitui-se em estratégica reserva hídrica para os rebanhos, s
endo importante ferramenta no manejo e proteção do solo (LIMA et al., 2015). O emprego de extratos vegetais pode ser considerado como um manejo promissor na proteção das plantas. Além de auxiliar na diminuição das doses e frequência de aplicação de agroquímicos sintéticos, danosos a saúde humana e ao meio ambiente (SANTOS et al., 2013). Uma das espécies mais utilizadas para obtenção de extratos é o nim (Azadirachta indica A. Juss), planta que possui alguns compostos químicos, sendo o principal é a azadiractina, presente em folhas e frutos (MARTINEZ, 2002). O extrato de nim tem sido utilizado para controlar o crescimento inicial de plantas daninhas (ALBURQUEQUE et al., 2015), controle pragas em grãos armazenados como o milho (BORSONARO et al., 2013), controle da mosca minadora (Liriomyza sativae) meloeiro (COSTA et al., 2016), controlando pulgão nos cultivos de brócolis (VIERA; PERES, 2017). Outros inseticidas apresentam potencial no controle de cochonilhas, a exemplo, extratos aquosos de pinhão-manso (HOLTZ et al., 2016), Capsicum frutescens L., associada ao álcool, fumo em rolo e sabão de coco (BRAGA et al., 2017), pimenta do reino (Piper nigrum) com adição de sabão de coco, álcool e água (LOUREIRO et al., 2016). Neste sentido, estudos que ampliem a possibilidade do uso de inseticidas botânicos são promissores e podem auxiliar no manejo de pragas em diversos sistemas agrícolas. Assim, o objetivo deste trabalho foi definir a concentração de extrato de nim que proporcione controle da cochonilha de escama na palma forrageira graúda.
MATERIAL E MÉTODOS 
Área experimental A pesquisa foi conduzida durante os meses maio a julho de 2016, na fazenda Bom Sucesso, situada no município de Barreira-CE, cujas coordenadas geográficas são: 4º 17’ 13’’ latitude sul, 38º 38’ 35’’ longitude oeste, sendo a altitude local de 83,5 m. O clima é classificado como tropical quente semiárido brando, com o índice de pluvisiovidade de 1.061,9 mm, temperatura média anual de 26º a 28ºC (IPECE, 2017). O experimento foi instalado em uma área cultivada com palma graúda (O. ficus indica Mill), onde foram marcadas as raquetes de ordem quaternária para aplicação do extrato de nim (A. indica) produzido a partir de folhas previamente trituradas em forrageira até a forma de pó. Posteriormente foram pesadas em balança digital e separadas em porções de 50,100,150 e 200g de extrato de nim. Delineamento experimental O delineamento utilizado foi o inteiramente casualizado em um esquema de parcela subdivida com 5 tratamentos na parcela principal (extratos de Nim 0, 50, 100, 150 e 200 g/ 1000 mL de água) e 4 tratamentos na parcela secundária (tempo de aplicação) e quatro repetições (Figura 1).
A primeira aplicação do extrato de nim e avaliação por foto foram realizadas em 27 junho, a segunda avaliação por foto em 4 de julho, a terceira avaliação por foto foi realizada em 11 de julho e a quarta avaliação por foto foi realizada em 18 de julho. A avaliação da eficiência da aplicação do extrato de Nim, foi realizada com uso das fotos das raquetes de palma forrageira. As imagens das raquetes quartanárias da palma forrageira foram obtidas com uma máquina fotografia digital SAMSUNG modelo SMART CAMERA DV150F. As imagens foram descarregadas no notebook para determinar o percentual de área infestada por de cochonilha de escama com emprego do software APS ASSESS 2.0 (LAMARI, 2008). A Figura 2 ilustra a utilização software APS ASSESS 2.0 na determinação do percentual de área afetada em relação à área total da raquete quaternária.
Análise estatística Os dados foram submetidos à análise de variância e, quando detectada ou não a significância pelo teste F a 1% ou 5% de probabilidade, as médias dos tratamentos qualitativos foram comparadas pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade. Para dados quantitativos empregou-se a análise de regressão para verificar o efeito das doses de nim no controle da cochonilha. Para tanto, utilizou-se o ASSISTAT 7,7 betas, Sistema de Análise Estatística da UFCG (SILVA; AZEVEDO, 2016). RESULTADOS E DISCUSSÃO O resumo da análise de variância do experimento em parcelas subdivididas consta na Tabela 1. A interação entre Fator 1 x Fator 2, não foi significativa ao nível de 5% de probabilidade, revelando independência entre esses fatores para percentual de área de raquete quaternária infestada por cochonilha. Isolando-se o fator dias de avaliação, constatou-se a existência de efeito significativo a 1% de probabilidade.
A análise de variância da regressão para área de raquete quaternária infestada por cochonilha de escama (Tabela 2) em função das doses extrato aquoso de nim (0; 50; 100; 150 e 200 g nim/1000 mL de água), teve ajustamento ao modelo polinomial quadrático, significativo ao nível de 5% de probabilidade (Tabela 2), tendo coeficiente de

1 de mar. de 2019

POLEIROS ARTIFICIAIS E ENLEIRAMENTO DE GALHADA NA RESTAURAÇÃO DE ÁREA DEGRADADA NO SEMIÁRIDO DA PARAÍBA, BRASIL

Por Leonardo Palhares da SILVEIRA, 
Jacob Silva SOUTO, 
Mário Medeiros DAMASCENO, 
Danielle Piuzana MUCIDA, 
Israel Marinho PEREIRA

RESUMO:
O uso desenfreado dos recursos naturais tem como reflexo um elevado grau de degradação do ambiente causando prejuízo na dinâmica natural do ecossistema. Neste contexto, o presente estudo objetivou verificar o potencial de uso de técnicas nucleadoras em área degradada da Fazenda Cachoeira de São Porfírio, município de Várzea, semiárido do Estado da Paraíba. Foram utilizados poleiros artificiais secos e enleiramento de galharias visando a formação de núcleos de atração a fauna dispersora de propágulos. O experimento foi avaliado por 12 meses. Os poleiros foram utilizados por aves durante o período experimental, incrementando a chuva de sementes da área. O
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enleiramento de galharia, que simula abrigos artificiais para a fauna e microrganismos, atuam na decomposição desse material. Verificou-se decomposição do material formador das leiras com diminuição do volume original e adição de matéria orgânica ao solo. Foram contabilizadas 125 sementes, principalmente de Jatropha curcas L. (pinhão manso) e Cnidosculus queercifolius Pohl (faveleira), nos coletores colocados sob os poleiros, o que indica presença de aves no local do experimento. Portanto, tais técnicas nucleadoras atuaram no incremento na chuva de sementes e aumento de conteúdo da matéria orgânica no solo e, utilizadas em conjunto, favoreceram a sucessão natural e a reintrodução de plantas e animais na área degradada. Palavras-chave: degradação ambiental, caatinga, dispersão de sementes.
1. INTRODUÇÃO
O uso desenfreado dos recursos naturais tem como reflexo um elevado grau de degradação ambiental, resultando, em muitos casos, em significativa perda da qualidade de vida. O uso inadequado do ambiente provoca uma quebra na dinâmica natural do ecossistema, prejudicando de forma geral a todos os elementos que o compõem. A degradação ambiental é um problema de dimensões globais que ocorre em intensidades variadas, com destaque nas regiões áridas, semiáridas e subúmidas secas como resultado de vários fatores, principalmente o antrópico. No Brasil, essas áreas têm em comum a baixa relação entre precipitação pluviométrica e evapotranspiração resultando, em geral, na falta de água para o consumo vegetal, animal e humano. Além disso, situam-se na região semiárida, sendo denominadas de núcleos de desertificação. Causas de degradação podem ser decorrentes de retirada
de solo, uso indiscriminado do fogo, supressão da vegetação, invasão biológica, caça e extrativismo ou isolamento de áreas devido à fragmentação florestal.  Quanto maiores os níveis de degradação, mais esses fatores inibem ou impedem a sucessão (KAGEYAMA et al. 2008). Em geral, em núcleos de desertificação são encontradas áreas com grandes manchas desnudas, presença ou não de cobertura vegetal herbácea e sinais claros de erosão laminar do solo. O processo de desertificação quase sempre se inicia com o desmatamento e a substituição da vegetação nativa por outra cultivada, de porte e/ou ciclo de vida diferente. Seguindo esse modelo, a vegetação arbustiva e arbórea da caatinga é substituída por pastos herbáceos ou culturas de ciclo curto. O cultivo continuado, com a retirada dos produtos agrícolas e sem a reposição de nutrientes retirados, leva a perda da fertilidade e a processos erosivos (SAMPAIO et al., 2003; DUBEUX JR et al., 2005; PEREZ-MARIN et al., 2006). Souto et al. (2005) argumentam que a remoção da vegetação da caatinga, deixando os solos expostos, associada a períodos extensos de seca, `as elevadas amplitudes térmicas e aos ventos, possibilita uma acentuada degradação física, química e biológica dos solos. Estes se tornam limitados em seu potencial produtivo, causando danos, muitas vezes, irreversíveis ao meio. Historicamente, a região deste estudo teve a pecuária extensiva como base de atividade econômica, ligada à agricultura de subsistência. Posteriormente a cultura do algodão foi importante para a economia. Entre as décadas de 1930 e 1940, a mineração, pontualmente, tornou-se também uma atividade econômica, mas com forte impacto ambiental (SALES, 2006) e que perdura até os dias atuais. Esta atividade prejudica as atividades agrícolas, sem objetivos de sustentabilidade a longo prazo na região (SAMPAIO et al., 2003). No estado da Paraíba, devido ao clima predominantemente seco (semiárido e subúmido seco), mais de 90% do seu território apresenta áreas susceptíveis à desertificação (Sertão, Borborema e Agreste). O estado possui o maior percentual de áreas com nível de degradação da terra muito grave (29%), segundo o Programa de Ação Nacional de Combate a
Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca – PAN-Brasil (BRASIL, 2004). O grau de conhecimento dos processos de degradação e sua extensão ainda são deficitários e necessitam de constantes atualizações. Segundo Perez-Marin et al. (2012) a relação entre as áreas afetadas por processos de desertificação e a nova delimitação é de aproximadamente 58% no estado. Uma vez que seca e desertificação caracterizam-se por fenômenos distintos, mas estreitamente relacionados, em áreas marcadas pela semiaridez registra-se um desequilíbrio entre oferta e demanda de recursos naturais, levando-se em conta o atendimento às necessidades básicas de seus habitantes. Nos períodos de seca este descompasso aumenta, visto que a pressão sobre os recursos naturais se amplia e a intervenção do homem, em geral, se faz por meio do uso inadequado do solo, da água e da vegetação. A necessidade de iniciativas para restaurar as áreas degradadas surge como algo necessário para o estado da Paraíba. A retirada da cobertura vegetal de áreas degradadas provoca danos a biodiversidade, uma vez que de interfere nas condições físicas e afetam o desenvolvimento e a manutenção de atividades ligadas ao social, econômico e ambiental. Enfim, ocasiona impactos em áreas que estão direta ou indiretamente relacionadas `a manutenção do bioma Caatinga. A aplicabilidade do uso de técnicas nucleadoras na restauração de áreas degradadas tem sua importância na dinâmica do uso da terra no bioma Caatinga, principalmente com relação ao processo de desertificação e a utilização não sustentável do recurso madeireiro, que vêm provocando perda da diversidade florística e degradação do solo (KAGEYAMA et al. 2008; BECHARA 2006). Como técnicas nucleadoras para restauração mencionamos a transposição de solo, a semeadura direta e hidrossemeadura, os poleiros artificiais, a transposição de “galharia”, o plantio de mudas em ilhas de alta diversidade e a coleta de sementes com manutenção da variabilidade genética (REIS et al., 2003). Diante do exposto, o presente estudo objetiva verificar o potencial de uso de técnicas nucleadoras em áreas degradadas no semiárido do Estado da Paraíba, viabilizando a diminuição dos custos de implantação, além de propiciar uma significativa melhoria nas qualidades ambientais e assegurar um aumento na probabilidade de ocupação deste ambiente por outras espécies.
2. MATERIAL E MÉTODOS
A pesquisa foi desenvolvida no período de outubro de 2011 a setembro de 2012, em uma área experimental com cerca de 1,0 ha. A área localiza-se na Fazenda Cachoeira de São Porfírio, município de Várzea, sertão do estado da Paraíba, entre as coordenadas 06º 48’ 35” S e 36º 57’ 15” W. O local possui altitude média de 271 metros e o clima, de acordo com a classificação de Koppen, é caracterizado como semiárido do tipo BSh (quente e seco), com médias pluviométricas anuais entre 400 a 600 mm (SOUTO, 2006). Na área de estudo prevalece uma associação de Neossolos litólicos, Luvissolos e afloramentos rochosos. O solo se encontra parcialmente exposto e com feições erosivas localizadas, caracterizada por um elevado estágio de degradação apresentando sinais intensos da intervenção antrópica, como a retirada total da vegetação (Figura 1). A presença de espécies vegetais é rara, com exceção do Pilosocereus gounellei A. Weber ex K. Schum. Bly. ex Rowl (xique-xique), Aristida setifolia Kunth (capim panasco), Cnidoscolus quercifolius Pohl (favela) , Sida cordifolia L. (malva branca) e Jatropha curcas L. (pinhão manso). A área caracteriza-se por caatinga hiperxerófila com diferentes graus de antropismo, com árvores de porte médio a baixo, não ultrapassando 7,0 metros de altura. A vegetação natural foi retirada para a utilização agrícola,

2 de fev. de 2019

Efeitos do manejo sustentável da Caatinga sob os atributos físicos do solo

Francisco Gonçalo Filho
Miguel Ferreira Neto, Cleyton dos Santos Fernandes, Nildo da Silva Dias, Rutilene Rodrigues da Cunha, Francisco de Oliveira Mesquita
(Universidade Federal Rural do Semi-Árido, Mossoró, RN, Brasil)

Resumo - Objetivou-se avaliar a qualidade do solo, em áreas da Caatinga submetidas a diferentes sistemas de manejo, tendo como parâmetros os atributos físicos do solo. As formas de manejo adotadas foram: (1) área de manejo sustentável da Caatinga; (2) área de Caatinga com manejo convencional; e (3) área de Caatinga considerada mata nativa. Decorridos 5 anos, foram coletadas amostras de solo nas áreas nas profundidades 0,00-0,20 m e 0,20-0,40 m para análise dos atributos físicos do solo.
Os resultados evidenciaram maior compactação do solo na área de manejo convencional. O manejo sustentável da Caatinga mostrou-se uma técnica promissora para manutenção e recuperação das propriedades físicas do solo. A utilização inadequada do solo, sobretudo por meio da adoção de sistemas convencionais, tem ocasionado degradação de suas propriedades físicas, químicas e biológicas (Iwata et al., 2012). Como efeitos dessa degradação, podemos citar a desestruturação e a compactação, a redução da fertilidade, a oxidação acelerada da matéria orgânica e a diminuição da quantidade e diversidade de organismos do solo (Leite et al., 2010), o que tem levado à vultosas perdas na biodiversidade da fauna e flora, sedimentação dos reservatórios e dos rios, com consequente declínio das atividades econômicas e da qualidade de vida da população (Araújo Filho, 2013).O manejo inadequado do solo e dos recursos vegetais contribui, principalmente, para o avanço
do processo de degradação. Devido aos fatores ambientais desfavoráveis (déficit hídrico e elevadas temperaturas, por exemplo) e a adoção de sistemas agrícolas totalmente extrativistas, que não respeitam os limites produtivos do bioma Caatinga, a degradação é ainda mais acentuada nas condições da região Semiárida brasileira (Rebouças et al., 2013).
Uma alternativa viável para evitar a degradação do solo e da vegetação nessa região é a adoção de Sistemas Agroflorestais (SAF’s). Essa tecnologia apresenta alto potencial produtivo e sua adoção permite melhorar o equilíbrio entre os componentes solo/planta/animal, integrar culturas e animais, aumentar a eficiência de uso da terra, diversificar a produção agrícola, melhorar a utilização do solo, da água e do ambiente e recuperar áreas degradadas, agregando valor às áreas de produção (Schembergue et al., 2017).Nessa perspectiva, o objetivo do presente trabalho foi avaliar a qualidade do solo, em áreas submetidas a diferentes sistemas de manejo, tendo como parâmetros os atributos físicos do solo.As áreas em estudo estão localizadas no Projeto de Assentamento Tabuleiro Grande, município de Apodi, na microrregião da Chapada do Apodi, na mesorregião do Oeste Potiguar, RN, entre as coordenadas 05°24’33.33’’ S e 37°46’40’’W, e com uma altitude média de 109 m.Em janeiro de 2009 foram
selecionadas três áreas do assentamento para avaliação dos atributos físicos do solo. O histórico das áreas e as formas de manejos adotadas foram:Área de Caatinga com manejo sustentável (AMS) – 3,3 ha pertencentes a um lote individual. A área apresenta relevo plano, com declividade dominante inferior a 2%, em Vertissolo Háplico Órtico chernossólico, de acordo com o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (Santos et al., 2013). A vegetação no local, de forma geral, pode ser caracterizada como arbóreo-arbustiva, apesar da existência de áreas com pouca cobertura florestal devido à ocorrência de fogo ou alagamentos, em função da deficiência na drenagem que é agravada pela topografia e pela geologia da área.O sistema de manejo sustentável adotado foi o de raleamento em faixas de 15 m de largura, intercaladas com faixa de 15 m de largura de vegetação nativa. Na faixa destinada ao manejo sustentável, fez-se raleamento das plantas existentes, deixando-se aproximadamente 40% da vegetação e retirando-se plantas com pouco interesse econômico para abrir espaço para outras espécies com maior potencial produtivo. Nos anos seguintes, a área foi isolada, evitando assim o superpastejo. Área de Caatinga com manejo convencional (AMC) – 5,4 ha pertencentes àárea coletiva do Projeto de Assentamento. A área apresenta relevo plano, com declividade dominante inferior a 2%, em Chernossolo Rêndzico Petrocálcico típico, de acordo com o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (Santos et al., 2013). A área tem presença de bovinos, caprinos e ovinos dos assentados e não existe controle da quantidade e tempo de permanência dos animais, além da retirada de madeira e lenha pelos membros da comunidade.Área de Caatinga considerada mata nativa (AMN) - 2,0 ha pertencentes à reserva legal do projeto de assentamento, sendo usada como tratamento controle. A área apresenta relevo plano com declividade dominante inferior a 2%, em Vertissolo Háplico Órticochernossólico, de acordo com o Sistema Brasileiro de
Classificação de Solos (Santos et al., 2013).Após 5 anos de manejo nas áreas, foram abertos 5 perfis com profundidade de 0,40 m para a coleta de amostras nas profundidades de 0,0-0,20 m e de 0,20-0,40 mem cada sistema (AMS, AMC e AMN) em locais representativos, para a avaliação dos atributos físicos do solo. Nos mesmos locais e profundidades foram coletadas amostras indeformadas com anel volumétrico, para a determinação da densidade e porosidade dos solos, e amostras deformadas, para a determinação da umidade. As amostras foram acomodadas em sacos plásticos, identificadas e encaminhadas ao Laboratório de Análises de Solos. Os parâmetros físicos analisados foram: granulometria, densidade do solo (ds), densidade de partículas (dp), porosidade total (Pt) e umidade do solo. O delineamento experimental utilizado foi em blocos casualizados, em esquema fatorial 3 x 2, sendo três sistemas de manejo do solo (AMS, AMC e AMN) e duas profundidades (0,0-0,20 m e 0,20-0,40 m), com cinco repetições. Os resultados foram submetidos à análise de variância, sendo o nível de significância determinado pelo teste F e as médias comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Para processamento dos dados, foi utilizado o programa estatístico SISVAR versão 5.3 (Ferreira, 2011).Em relação à granulometria, constataram-se poucas variações, exceto o teor de areia fina superior na área em manejo sustentável (AMS), o teor de silte mais elevado na área em manejo convencional (AMC) e a relação silte/argila superior na AMC, quando comparadas entre si, além do teor de argila superior na área de mata nativa (AMN), quando comparado à AMC. Os solos foram todos classificados na classe textural argiloso, exceto na profundidade 0,20 – 0,40 m da AMN, que se enquadrou na classe muito argiloso (Tabela 1). Não se verificou variação quando os parâmetros foram analisados entro dos horizontes em cada área e não se constatou comportamento que pudesse ser atribuído ao manejo realizado nas áreas em estudo.Os valores de densidade do solo mostraram-se significativos, sendo os maiores valores observados na AMC (Tabela 2).



Os valores da densidade de partículas não apresentaram variação significativa. Em relação à porosidade total, os valores apresentaram-se significativamente superiores na AMS. Este parâmetro é um indicativo da boa estrutura do solo, pela não existência da compactação, evidenciando a manutenção da qualidade física deste solo.A umidade se apresentou superior na AMS, o que pode ser explicado pela

6 de jan. de 2019

A seca de 2012-15 no semiárido do Nordeste do Brasil no contexto histórico


Por: Jose A. Marengo,  Ana P. Cunha e  Lincoln M. Alves

Resumo

Episódios de secas na região têm sido relatados desde o século 16, sendo recorrentes na região. Enquanto algumas medidas foram tomadas pelos governos para atenuar os impactos, ainda há uma percepção de que os moradores, principalmente em áreas rurais no semiárido, ainda não estão adaptados a estes perigos. A seca que assola o semiárido do Nordeste desde 2012 a 2015, teve uma intensidade e impacto não vistos em várias décadas e já destruiu grandes áreas de terras agrícolas, afetando centenas de cidades e vilas em toda a região, e deixando pequenos agricultores que lutam para obter água. Alterações na circulação atmosférica e precipitação detectadas desde o verão de 2012 sugerem um papel ativo das águas superficiais mais frias do que o normal no Pacífico equatorial, e uma zona de convergência intertropical deslocada anomalamente para o norte de sua posição normal, com aumento da subsidência sobre o Nordeste Brasil. No Nordeste do Brasil sinais de seca começaram a aparecer em dezembro de 2011 e se intensificaram durante o verão e outono de 2012, gerando deficiência hídrica em quase todo o semiárido desde o centro-sul da Bahia até o Rio Grande do Norte e Ceara em 2011-14. Desde 2013até 2015 a maior concentração de déficit hídrico incluiu particularmente o norte da Bahia, oeste do Pernambuco e o leste do Piauí, onde a situação de seca ainda persiste. O evento El Niño em 2015 agravou a situação de seca iniciada em 2012.

1. Introdução: A região semiárida do Nordeste do Brasil (NEB) situa-se entre 2,5 ° S e 16,1 ° S e 34,8 ° W e 46 ° W,com uma área de cerca de 1.542.000 km2, ou cerca de 18,26% da área do Brasil (Magalhães et al., 1988), e é a mais densamente populosa entre as terras secas do mundo,com mais de 53 milhões de habitantes, ou aproximadamente 34 habitantes por km2. O NEB é vulnerável aos extremos observados da variabilidade climática, e cenários globais e regionais de mudanças climáticas no futuro indicam que a região poderia ser afetada pelo déficit de chuvas e aumento da aridez no próximo século (Marengo et al. 2016, Vieira et al. 2015). As secas são um fenômeno natural, uma alteração do regime hidro meteorológico, e no NEB elas afetam os moradores, principalmente os mais vulneráveis da região semiárida, criando situações de deficiência hídrica e riscos para a segurança alimentar, energética e hídrica na região (Eakin et al. 2014). As secas fazem parte da variabilidade natural do clima na região, e ocorreram no passado, estão ocorrendo no presente e de acordo com as projeções de mudanças climáticas, é provável que continuem e intensifiquem no futuro (Marengo et al. 2016). A seca não atinge todo o NEB, ela se concentra numa área conhecida como Polígono das Secas, que envolve as regiões semiáridas de parte de oito estados nordestinos (AL, BA, CE, CE, PB, PE, PI, RN e SE) e parte do norte de MG. Eventos de seca no passado nos estados NEB, geraram perdas massivas de produção agrícola e pecuária, perda de vidas humanas pela fome, desnutrição e doenças, e deslocamentos de pessoas, bem como impactos sobre as economias regionais e nacionais. A inclemência das secas há tempo arrasa a terra e a vida do sertanejo.  Ainda assim, “apesar das dolorosas tradições que conhece através de um sem-número de terríveis episódios, ele alimenta a todo transe esperanças de uma resistência impossível”, narrou Euclides da Cunha (1866-1909) em Os sertões. Esse texto é de 1902. No presente, a migração devido à seca não ocorre mais nas proporções dramáticas. A seca que se intensificou em 2012 e ampliou em 2015 é considerada a mais grave das últimas décadas e tem tido um impacto em muitos distritos das regiões semiáridas nos estados do NEB, afetando quase 9 milhões de pessoas (Marengo et al. 2016). Políticas públicas para mitigar os impactos da seca, tais como linhas de crédito disponíveis aos pequenos agricultores e a distribuição de água por meio de carros pipa) fez diminuir um pouco os impactos, mas,as políticas de gestão de crises, podem ter sido insuficientes para suportar a seca plurianual excepcional de
2012-2015. A sobreposição de secas às tensões sócio-econômico-políticas pré-existentes coloca uma intensa pressão sobre a disponibilidade de água doce e de qualidade na região e ameaça a água, energia e segurança alimentar (por exemplo, Gutiérrez et al. 2014). A perspectiva de aumentos na frequência e duração dos períodos secos e secas em climas futuros no NEBtem gerado preocupação entre os gestores de recursos naturais, agricultores, especialistas em desenvolvimento,pesquisadores e formuladores de políticas, os quais tentam entender a extensão em que essas mudanças vão afetar os recursos hídricos , produção de alimentos, renda e subsistência. A longo prazo, os déficits projetados de chuvas na região, juntamente com o aumento da temperatura e secas mais frequentes e períodos de seca podem exacerbar a degradação ambiental. Portanto, neste artigo apresentamos um histórico de secas passadas e presente se discutimos algumas das causas físicas envolvidas, incluindo o papel de El Niño e o Oceano Atlântico tropical na seca de 2012-15. 
2. Secas: aspectos históricos, variabilidade interanual e causas físicas no NEB De acordo com a Universidade do Nebraska (drought.unl.edu), no sentido mais geral, uma seca origina-se a partir de uma deficiência de precipitaçãodurante um período prolongado de tempo - geralmente uma estação ou mais - resultando em uma escassez de água para alguma atividade, grupo ou setor ambiental. Seus impactos resultam da interação entre o evento natural (menosprecipitação do que o esperado) e a demanda de pessoas para uso de água, no abastecimento de água para a população, agricultura e pecuária. Assim, as atividades humanas podem exacerbar os impactos da seca. Em termos físicos, mudanças na temperatura da superfície do mar (TSM) no Pacífico tropical que se manifestam com os extremos em casos de El Niño-Oscilação Sul (ENOS) podem afetar precipitação sobre oNEB através de mudanças na circulação Walker orientada zonalmente (Ambrizzi et al., 2004). No entanto,ENOS explica apenas uma parte da variabilidade da precipitação na região. Kane (1997) mostra que de 46 eventos de El Niño (fortes e moderados), durante 1849-1992, apenas 21 foram associados com as secas no norte do Nordeste do Brasil. A partir das mais recentes secas de 1992, 1998, 2002, 2010 e agora 2012-2015, apenas os de 1998, 2002 e, recentemente, em 2015 as secas aconteceram durante um evento El Nino. Em 2015 a situação foi agravadapela deficiência que já existia pelo menos há 3 anos (Figura 1). Na verdade, a chuva no NEB é marcada por uma forte variabilidade interanual, parte da qual tem sido atribuída ao ENOS, enquanto outros eventos de seca são devidos a uma posição anormalmente mais ao norte daZona de Convergência Intertropical (ZCIT)
sobre o setor do Atlântico, devido a um Oceano Atlântico Tropical Norte mais quente (Moura e Shukla 1981; Hastenrath 1990, 2012, Andreoli et al. 2012, Nobre e Shukla 1996, Marengo et al. 2013, 2016). As secas têm sido relatadas no NEB desde o século 16. A história das secas na região, como coletados de várias fontes (Araújo 1982, Magalhães et al., 1988,Gutierrez et al. 2014, Wilhite et al. 2014) e atualizada neste estudo pode ser resumida nesta lista: 1583, 1603, 1624, 1692, 1711, 1720, 1723-1724, 1744-1746, 1754, 1760, 1772, 1766-1767, 1777-1780, 1784, 1790-1794, 1804, 1809, 1810, 1816- 1817, 1824-1825, 1827, 1830-1833,1845, 1877-1879, 1888-1889, 1891, 1898, 1900, 1902-1903, 1907, 1915, 1919, 1932-1933, 1936, 1941-1944,1951- 53, 1958, 1966, 1970, 1976, 1979-1981, 1982-1983, 1992-1993, 1997-1998, 2001-2002, 2005, 2007, 2010 e 2012-2015. Desde a década de 1950 o governo começou a tomar medidas contra as secas, incluindo a construção de cisternas e canais e criação de programas sociais para as pessoas afetadas. Desde 1970 não há mais registro de mortes devido à seca, embora o êxodo do semiárido durante as secas continua ainda que em grau muito menor. Talvez a seca mais cara durante o século 20 foi em 1979-1983, quando as despesas do governo atingiram cerca de US $ US 7,8 bilhões.

3. A Seca de 2012-2015: características, causas e impactos A Figura 1 mostra que 2010 já foi um ano seco, e que no período 2010-15, somente 2011 teve chuvas acima da média, mas este foi seguido pelos déficits de precipitação mais graves em 2012. Isto sugere uma natureza multianual da atual seca, dos quais os primeiros sinais começaram em 2010. Segundo Marengo et al. (2013, 2016), as estações chuvosas de fevereiro a maio no NEB em 1998 e 2012 foram as mais secas entre 1961 e 2012, caracterizadas pelo percentil muito seco. Vários estudos têm indicado que a maior parte do NEB tende areceber mais precipitação durante episódios La Niña, mas o ano de 2012 não seguiu o padrão. Durante o evento La Niña de 2012, o mesmo ano em que houve inundações recorde no leste da Amazônia, o NEB declarou estado de emergência na maioria dos distritos na região devido a uma seca considerada a mais grave nas recentes décadas.
As causas meteorológicas do inicio da seca de 2012são apresentadas por Marengo et al. (2013). Em 2012 e 2013, mudanças na circulação atmosférica e precipitação são consistentes com a atuação de águas superficiais mais frias que o normal no Pacífico equatorial, commovimento ascendente acima do normal e precipitação no leste da Amazônia a uma resposta típica de convecção atmosférica à SST fria no Pacífico tropical. Na alta atmosfera, a circulação apresentou maior divergência sobre a Amazônia e uma maior convergência na região Nordeste do Brasil, com um movimento ascendente intenso no leste da Amazônia durante o verão austral esubsidência anômala sobre NEB durante o outono austral de 2012. Sobre o Atlântico Sul, águas anormalmente mais frias durante Setembro de 2011 e, mais tarde, durante Março-Maio 2012 induziram uma intensificação da pressão no Atlântico Sul, e quando as águas anomalamente frias no Atlântico Sul migraram para o norte (10-200S). Subsequentemente, esta alta pressão interagiu com a subsidência induzida pelo forte movimento ascendente na Amazônia, determinar condições de menos chuva no NEB. As condições de menos chuva começaram a aparecer em dezembro de 2011 no setor norte e depois se estenderam a todo o NEB durante a quadra chuvosa FM AM 2012. Devido a um papel ativo da alta pressão subtropical do Atlântico, a qual esteve mais interna e mais perto do continente, isso determinou subsidência de baixo nível que afeito negativamente o regime das chuvas NEB. As Figuras 2 e 3 apresentam a evolução temporal e o padrão espacial da seca considerando o número dedias com déficit hídrico (NDDH, Fig. 2) e o percentual de anomalia do índice de suprimento de água para vegetação (VSWI, Fig. 3) entre os anos hidrológicos (outubro-setembro) de 2011 até 2016. O NDDH é calculado a partir do modelo de balanço hídrico (Souza et al., 2001; Rossato et al., 2005) desenvolvido pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE). O NDDH estima o número de dias em que o crescimento da vegetação é restrito em razão da insuficiência de água no solo (umidade do solo abaixo de um valor crítico). De modo geral, quando as chuvas no trimestre chuvoso são bem distribuídas e suficientes, o número de diascom déficit tende a ser pequeno, e contrário ocorre quando as chuvas são escassas ou mal distribuídas no tempo (veranicos), em que o

1 de dez. de 2018

Palma forrageira: aspecto do cultivo e desempenho animal


Por Maxwelder Santos Soares, Zootecnista,
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, 
Itapetinga.E-mail:maxwelder10@hotmail.com

RESUMO

Objetivou-se avaliar o plantio, espaçamento, adubação e uso de palma forrageira na dieta de ruminantes. O semiárido do Nordeste Brasileiro é caracterizado pela escassez, irregularidade de chuvas, logo a palma forrageira torna-se um alimento estratégico para períodos com baixa disponibilidade de forragem. A procura por forrageiras adaptadas a essas condições climáticas é essencial para melhoria da produtividade da pecuária desta região. A composição química da palma varia conforme a espécie, a idade e a época do ano, sendo um alimento rico em carboidratos, principalmente não fibrosos, apresentam baixa porcentagem de constituintes da parede celular e alto coeficiente de digestibilidade de matéria seca. Portanto, recomenda-se a palma forrageira na alimentação de bovinos, ovinos e caprinos como um dos ingredientes da ração visando atender as exigências dos animais, porém para uma eficiente utilização da palma, é essencial o uso de volumoso de boa qualidade.

INTRODUÇÃO

A palma forrageira é originária do México e se adaptou bem na região semiárida do Brasil e do mundo pelas suas características anatômicas, morfológicas, fisiológicas e bioquímicas, decorrente da adaptação aos rigores climáticos. Na região Nordeste do Brasil predomina o cultivo de espécies de palma dos gêneros Opuntia (variedades Redonda e Gigante) e Nopalea (palma miúda ou palma doce), ambos da família Cactácea. Segundo Marconato et al. (2008), o Brasil possui a maior área plantada
do mundo, aproximadamente 600 mil hectares, sendo a maioria cultivada a espécie Opuntia fícus-indica (L) Will, mais conhecida como “Palma Gigante.” Nessa busca por alimentos que possibilitem a produção animal nos períodos críticos do ano, a palma forrageira destaca-se por ser um alimento rico em carboidratos, principalmente não fibrosos, importante fonte de energia para os ruminantes (Van Soest, 1994), apresenta baixa porcentagem de constituintes da parede celular e alto coeficiente de digestibilidade de matéria seca e há várias décadas possibilita a produção animal nos períodos críticos do ano. Portanto, objetivou-se avaliar a palma forrageira do cultivo à utilização na dieta de ruminantes.
ESTABELECIMENTO DO PALMAL

Plantio

No processo de plantio recomenda-se que seja feita a seleção do material propagativo, pois o tamanho do cladódio exerce efeito importante quanto ao número e o tamanho das brotações no primeiro ano de crescimento da palma, bem como se recomenda deixá-los à sombra por pelo menos sete dias para que ocorra a cicatrização dos ferimentos provenientes do corte no processo de colheita. Cladódios com dois a três anos de idade são os mais indicados por emitirem brotações mais vigorosas por ocasião do plantio (Farias et al., 2005). No plantio da palma forrageira destaca-se o sistema manual com o plantio dos artículos realizado em covas, durante período seco é importante para evitar o apodrecimento das raquetes; plantio na estação chuvosa ocasiona uma maior contaminação por fungos e bactérias em virtude da umidade excessiva. Os cladódios que serão usados para o plantio devem ser retirados da parte intermediária da planta, vigorosos e livres de qualquer praga. Diante disso, deve-se levar em consideração para um bom desenvolvimento da palma forrageira, necessita realizar práticas de manejo como, análise de solo, aração, gradagem, adubação e se necessário, fazer a subsolagem da área. No entanto, por se tratar de uma cultura perene, Lopes et al. (2007) recomenda que o manejo seja mecanizado, e que seja utilizado solos de textura leve, preferencialmente os argilo-arenosos não sujeitos a encharcamento, com declividade de até 5%, resultando em um bom desenvolvimento vegetativo e produtivo (Almeida et al., 2012). Lopes et al. (2009) em pesquisa com a palma doce, plantada no espaçamento de 1,00 x 0,50 m, avaliaram três formas de plantio, P1 - cladódio plantado na vertical 90°; P2 - cladódio plantado com vértice para o leste, inclinação de 45º e P3 - cladódio plantado com vértice para o oeste, com inclinação de 45º. Estes observaram que as
formas de plantio, não foram influenciadas pela posição do cladódio. Peixoto (2009) conduziu experimento no Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Ceará, onde os tratamentos avaliados foram plantas expostas ao sol ou sombreadas, posição de plantio do cladódio com ou sem adubação orgânica. Os mesmo verificaram que a adubação orgânica e o plantio sob o sol induzem a um melhor desempenho da palma forrageira (Opuntia ficus-indica (L.) Mill). Sendo que a posição no plantio Leste/Oeste ou Norte/Sul não influencia no desempenho da palma forrageira.

Espaçamento

O espaçamento de plantio da palma forrageira é utilizado como uma estratégia de manejo, pois é importante no estabelecimento do palmal. Varia de acordo com a fertilidade do solo, pluviosidade, finalidade de exploração e sua utilização ou não em consórcio com outras culturas. Além disso, o espaçamento deve ser escolhido de acordo com a preferência e a disponibilidade de capital do produtor. Ramos et al. (2011) com o objetivo de avaliação do rendimento em massa verde de palma forrageira (Opuntia fícus indica (L.) Mill), cv. Italiana, em função dos espaçamentos (1 x 1; 1 x 0,5; 2 x 1; 2 x 0,5 m ) aos 455 dias após o plantio, verificaram que a produção de fitomassa por área foram incrementadas com o adensamento, chegando a 130,06 Mg/ha-1 de massa verde (Tabela 1).   Alves et al. (2007) avaliaram dados de 19 anos de cultivo de palma forrageira (Opuntia ficus indica Mill), cv. Gigante no Agreste de Pernambuco, onde o solo é classificado como planossolo, em parcelas principais (28 x 16 m) foram constituídas pelos espaçamentos de 2 x 1; 3 x 1 x 0,5 e 7 x 1 x 0,5 m, Não verificaram diferença sobre a produtividade de biomassa, independentemente do espaçamento (Tabela 2). O espaçamento está diretamente associado à interceptação de luz pela planta. Portanto, plantios mais adensados promovem maior produtividade, devido à maior eficiência na interceptação da radiação luminosa (Farias et al., 2005).
Adubação

A palma forrageira é uma cultura que responde bem a adubação, independentemente da cultivar utilizada, promovendo incremento da área foliar e de matéria seca, refletindo no crescimento da planta e, consequentemente, na produtividade, o que acontece também para o plantio adensado e para a adubação orgânica associada à adubação química (Almeida et al., 2012). Entretanto, para maior eficiência e produtividade do palmal é necessário identificar os elementos minerais e os níveis ideais para obter maiores ganhos de biomassa (Araújo Filho, 2000). Avaliando, ao acaso, 50 clones de palma (49 da espécie Opuntia ficus indica (L) Mill e um da espécie Nopalea cochenillifera), Silva et al. (2010) utilizando adubação orgânica de esterco bovino equivalente a 30.000 kg/ha, no momento do plantio e após cada corte, verificaram a produção de 7,1 t matéria seca/ha/dois anos, em palma com 5 anos de idade. Provavelmente, a baixa produtividade obtida por estes autores foi devido à avaliação conjunta de várias plantas de genótipos distintos, algumas com alta produção, porém menos resistentes a cochonilha e outras resistentes ao inseto, mas como baixa capacidade produtiva. Em experimento conduzido na estação experimental de Caruaru-PE, Silva (2012b) utilizou como material forrageiro a palma Clone-IPA-20. Os tratamentos experimentais foram combinação de doses de adubação orgânica 20, 40 e 80 t de matéria de esterco bovino/ha/dois anos e diferentes densidades de plantio 20, 40, 80 e 160 mil plantas por hectare, obtidas pelos seguintes espaçamentos de plantio: 1,0 x 0,50 m; 1,0 x 0,25 m; 0,50 x 0,25 m e 0,50 x 0,125 m, respectivamente. O autor concluiu que a aplicação de 80 t de esterco promove maiores produtividades nas diferentes densidades de plantio com valores de 61,0; 90,0; 126; 117,0 e 139,0 t de biomassa esterco, e que a eficiência de adubação orgânica diminui com a elevação das doses de
adubo, sendo que a dose de 20 t de esterco bovino/ha/dois anos não atende as exigências nutricionais de plantas cultivadas sob densidade de plantio de 160.000 plantas/ha. Silva (2012a) avaliou o efeito de diferentes espaçamentos e adubação mineral sobre o crescimento e produção da palma forrageira, com três espaçamentos, 1,00 x 0,50 m; 2,00 x 0,25 m e 3,00 x 1,00 x 0,25 m e quatro adubação, 000-000-000; 200-150-100; 200-150-000 e 000-150-000 kg ha-1 de N-P2O5-K2O, respectivamente. Foi avaliado o crescimento entre 90 e 390 dias após o plantio (DAP) e produção e crescimento aos 620 DAP. Este autor verificou que não existem diferenças em produção de matéria seca em função das adubações NPK, NP, P e testemunha para os espaçamentos 2,00 x 0,25 m e 3,00 x 1,00 x 0,25 m. As adubações com NPK e NP, principalmente sob espaçamento de 1,00 x 0,50 m, conferem melhores respostas para as características de crescimento avaliadas e para produção de massa verde e matéria seca e, ainda as quantidades de nutrientes utilizados nas adubações promovem pequenas alterações na produção. Donato et al. (2014) avaliaram o rendimento de palma forrageira cv. Gigante aos 600 dias após plantio, cultivada em diferentes espaçamentos (1,0 x 0,5; 2,0 x 0,25; e 3,0 x 1,0 x 0,25 m) e doses de adubação orgânica com esterco bovino (0; 30; 60 e 90 t ha-1 ano-1). Os autores verificaram que as produções de matéria seca registradas nos espaçamentos foram 21,5; 18,6 e 14,7 t ha-1, sendo que a

15 de nov. de 2018

Atributos do solo-paisagem em áreas degradadas com malva-branca (Sida cordifolia L.) no semiárido paraibano

Rivaldo Vital dos Santos1 ; Girlânio Holanda da Silva2 ; 
Kely Dayane Silva do Ó2 ; Adriana de F. Meira Vital3 ; José Aminthas de Farias Jr.
Resumo: O desmatamento, com o intuito de obter madeira para fins energéticos, origina áreas degradadas com solo exposto ou com dominância de extrato herbáceo formado por várias espécies, destacando-se a malva (Herissantia crispa L.), a qual funciona como alternativa medicinal ou fitomassa para o rebanho nas épocas de estiagem prolongada. Pelo exposto o presente trabalho objetivou estabelecer o histórico das áreas com predominância de malva branca e diagnosticar os atributos morfológicos, físicos e químicos dos solos. O trabalho foi conduzido em cinco áreas com predominância de malva-branca, onde inicialmente realizou-se sua caracterização geral e o histórico de utilização agrícola. Em seguida fez-se a descrição do perfil, quando coletou-se amostras de solo (0- 20 cm) para análises granulométricas e químicas. Os resultados demonstraram que todas as áreas têm relevo suavemente ondulado e apresentavam, originalmente, cobertura de Caatinga densa e
atualmente são utilizadas para pastejo, têm erosão em sulco, afloramento rochoso e pedregosidade. A morfologia indicou solos rasos, com camadas cimentadas, estrutura granular e em blocos, consistência variável, textura areia franca no horizonte A e argilo-arenosa e areno-argilosa no horizonte B. Os atributos químicos revelaram solos ácidos, com concentrações de fósforo muito baixas e de potássio, cálcio e magnésio médias, com saturação por bases variando de 65 a 78%. Palavras-chave: Erosão; Manejo de Solo; Granulometria; Edafologia.
INTRODUÇÃO 
A região semiárida caracteriza-se por apresentar elevada temperatura e precipitação pluviométrica irregular e intensa. Seus solos apesar de apresentarem, em média, fertilidade química natural elevada são, na maioria rasos e pedregosos, exceto aqueles localizados em áreas de pedosedimentação, de origem aluvional ou não, denominados pelos produtores rurais solos de “baixio”, apresentando topografia plana, maior profundidade edevido sua textura mais argilosa, têm maior capacidade de retenção de água sendo os mais produtivos e de maior expressão econômica. Estes contrastam-se com os solos de “tabuleiros”, localizados nas áreas mais altas em relação ao relevo local, utilizados principalmente com agricultura de sequeiro, e frequentemente cobertos com a formação arbórea Caatinga. Dessa forma, o uso e manejo inadequado dos solos são apontados como as principais causas, de origem antrópica, relacionadas com a desertificação. O extrativismo vegetal e mineral,
assim como o superpastoreio das pastagens nativas ou cultivadas e o uso agrícola por culturas que expõem os solos aos agentes da erosão são as principais causas dos processos de desertificação (ACCIOLY, 2000). Neste contexto, a Caatinga é uma das regiões mais ameaçadas do globo pela exploração predatória, tendo como principais causas da degradação ambiental no bioma a caça, as queimadas e o desmatamento para retirada de lenha. Os estudos das modificações em diferentes ecossistemas devem avaliar a estreita relação entre a vegetação e o solo, em que primeiramente influencia as propriedades e a dinâmica dos solos, quer diretamente, pelo suprimento de matéria orgânica, ou indiretamente, na estruturação, capacidade de retenção de cátions, aeração, fornecimento de nutrientes, e o comportamento hídrico, que consequentemente influencia sobre o tipo de comunidade vegetal local (LONGO et al., 1999). No semiárido da Paraíba é muito comum, após a retirada da vegetação nativa, ocorrer a ocupação da área, especialmente na época das chuvas, com a espécie herbácea malva-branca (Sida cordifolia). A Sida cordifolia é uma espécie herbácea, perene, pertencente à família Malvacea, conhecida também como guaxumabranco ou guaxuma. Caracteriza-se como uma planta nociva e infestante em culturas e pastagens diversas. A espécie é considerada uma invasora (BIANCO et al.,2008; MENEZES et al., 2009) e ocorre com mais frequência em áreas em fase de degradação. Sida cordifolia, é uma planta nativa da América tropical (KISSMANN & GROTH,2000). Atualmente a espécie apresenta larga distribuição no Brasil ocorrendo nos estados do Amazonas, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e diversos estados do Nordeste. De acordo Bianco et al., (2008) a planta tolera solos pouco férteis e ácidos e pode ser

hospedeira de um microplasma, que causa a doença conhecida como “virose das malváceas”. O objetivo do presente trabalho é descrever um histórico e diagnosticar os atributos morfológicos, físicos e químicos dos solos das áreas com predominância de malva branca (Sida cordifolia) em ecossistema de Caatinga no semiárido da Paraíba. MATERIAL E MÉTODOS 

O trabalho consistiu inicialmente na identificação de cinco áreas com dominância de malva branca localizadas entre os municípios de Patos, São Mamede e Passagem, na região semiárida da Paraíba: Fazenda Nupeárido/UFCG Núcleo da Embrapa/Patos-PB, Fazenda Santa Gertrudes, Fazenda São Mamede e Sítio Cacimba de Pedra, onde foram realizadas a caracterização geral e o histórico de utilização das áreas. A etapa seguinte consistiu da avaliação de atributos morfológicos (profundidade, textura, estrutura e consistência), e químicos do solo. Os atributos morfológicos foram obtidos através de descrição de perfil. Para as análises granulométrica (percentagens de areia, silte e argila) e química, o delineamento experimental foi o inteiramente casualizado com cinco tratamentos e cinco repetições. Neste caso os tratamentos consistiram nas cinco áreas amostradas. Cada área foi dividida em cinco subáreas, nas quais foram coletadas aleatoriamente amostras simples na camada de 0-20 cm de solo. As amostras simples depois de misturadas entre si e homogeneizadas constituíram as cinco amostras compostas correspondentes às cinco repetições de cada tratamento. Após o solo ser seco ao ar e passado em peneira de 2 mm, foram determinados nas amostras compostas o pH em CaCl2 a 0,01 mol L-1 , Ca+2, Mg+2, H+ + Al+3, Na+ , K + trocáveis e P disponíveis (EMBRAPA 1997). Os teores de H+ + Al+3 foram estimados pelo método da solução tamponada SMP. Os teores trocáveis de Ca+2 e Mg+2 foram obtidos por complexação com EDTA, enquanto os teores de Na+ e K+ foram determinados por fotometria de chamas. Os teores de fósforo foram determinados colorimetricamente pelo método do azul do molibdênio (EMBRAPA, 1997). Para cada amostra composta foram calculados os valores de soma de bases (SB) capacidade de troca de cátions (CTC) e saturação por bases (V%). RESULTADOS E DISCUSSÃO Histórico e utilização O histórico das áreas revela que todas apresentavam há três décadas cobertura de Caatinga arbórea, sendo desmatadas para cultivo de
algodão arbóreo e consórcio milho-feijão. Atualmente apresentam como cobertura vegetal dominante a malva-branca, sendo utilizadas como áreas de pastejo dos rebanhos caprino, ovino e bovino. Em algumas áreas essa espécie encontra-se associada com escassas espécies arbóreas, principalmente a jurema-preta, como constatou-se na área do núcleo da Embrapa e na Fazenda Santa Gertrudes. Essa diferenciação na cobertura vegetal está associada ao tipo de manejo animal empregado na área, por exemplo, o pastejo caprino e ovino não permitem o crescimento de espécies arbóreas, diferentemente do bovino. Identificou-se que as áreas estão em relevo suave ondulado têm erosão em sulco e forte pedregosidade. No período da seca, com a queda das folhas da malva-branca, tais áreas ficam desprotegidas sofrendo forte processo erosivo, originando afloramentos rochosos, como verificou-se nas Fazendas Nupeárido e Santa Gertrudes (Tabela 1).


Atributos morfológicos e granulometria 
A morfologia

17 de out. de 2018

CONTRIBUIÇÃO DO NORDESTE PARA A RAÇA SINDI

Por: Paulo Roberto de Miranda Leite  
Paulo Roberto de Miranda Leite
A raça Sindi vem crescendo em todas as regiões brasileiras, e nossa Associação em expansão permanente. As demandas por novas ações, desde provas zootécnicas, novas pesquisas e experimentos, além da necessidade de promoção e divulgação, criando-se novos mercados e em consequência a incorporação de novos criadores, traz a necessidade de trabalharmos mais e de mãos dadas pela raça. Sabemos que o Sindi é para o semiárido brasileiro um precioso instrumento zootécnico ou biológico de rara qualidade, que veio como redenção para tornar a pecuária bovina do Nordeste em algo sustentável e econômico. A raça Sindi através de séculos de seleção nas terras áridas da Ásia, transformou-se na raça bovina mais apta para nosso semiárido. Aqui ela vem desenvolvendo e testando todas suas qualidades: rusticidade e adaptabilidade as inclemências edafoclimáticas da região, conversão alimentar extra, fertilidade, dupla aptidão e potencial como material para cruzamentos. O Nordeste toma-se de esperança com a expansão desse extraordinário Gado Vermelho, novo patrimônio dos criadores brasileiros e da ABCSindi. Com a incorporação de novos criadores de Sindi e suas demandas em todo o vasto território pátrio, precisamos incorporar novos mecanismos de atendimento e cooperação entre criadores e regiões, facilitando e apoiando as ações da ABCSindi. Como parte de imenso pais, o Nordeste se caracteriza especialmente pela predominância da grande
área semiárida, as chamadas áreas de sequeiros, tradicionalmente aproveitadas para uma pecuária de
sobrevivência (caprinos, ovinos e bovinos) e aproveitamento de outros produtos silvestres. Também temos várzeas no litoral da cana de açúcar e vales de boas terras agricultáveis no interior da região, onde são produzidas frutas e outras culturas através da irrigação.   Mas é com foco nas extensas áreas de sequeiros, onde predominam as baixas e incertas precipitações pluviométricas, é neste ambiente hostil à agricultura tradicional, que se descortina a possibilidade de uma pecuária bovina sustentável que poderá e será viabilizada através de raças zootecnicamente superiores para essas condições. Essa raça bovina eleita e aprovada para cumprir essa missão, foi a “raça Sindi” pelo seu desempenho e avaliação em 38 anos de testes nos currais das fazendas do semiárido e nas Instituições Oficiais de Ensino e Pesquisas inseridas na região e que avaliam e comprovam as qualidades zootécnicas superiores da raça para regiões tropicais semiáridas. Estamos hoje em pleno funcionamento institucional dos dois escritórios sedes da ABCSindi no Brasil, Uberaba-MG e João Pessoa-PB. Além desses escritórios, temos agregados aos interesses da raça na região, dois importantes Núcleos: - Núcleo Nordeste de Criadores de Sindi, que desde 2015 tem sede no Estado da Bahia; - Núcleo de Criadores de Sindi do Rio Grande do Norte, sediada em Parnamirim-RN. Essas estruturas são complementadas pelas instituições oficiais da região que dão suporte técnico e didático para a raça Sindi.  O Sindi é a raça zebuína mais bem avaliada pelas organizações de pesquisas internacionais e também no
nosso país na atualidade. São inúmeros rebanhos de instituições oficiais e privadas em avaliação, gerando publicações técnicas e acadêmicas. A raça está fadada a ser uma das bem mais avaliadas do mundo, e com o entusiasmo como está sendo conduzida e criada (selecionada) em nosso país, breve capitalizaremos importantes dividendos zootécnicos.  Em Pernambuco: -EMBRAPA SEMIARIDO, localizada em PetrolinaPE, que vem preservando e multiplicando os descendestes da importação do Paquistão de 1952, e avaliando condicionantes climáticas que comprovem a extraordinária rusticidade da raça. É um núcleo de elevado valor genético estratégico. Na Paraíba: Estão duas instituições oficiais de ensino e pesquisa que mantem rebanhos da raça Sindi em avaliações permanentes, além de disponibilizarem seus produtos através de leilões públicos anuais, que são: - Universidade Federal de Campina Grande- Campus de Patos/PB; - Empresa Estadual de Pesquisa


Agropecuária da Paraíba SA (EMEPA-PB), com um núcleo de elite da raça Sindi, sendo avaliado na Estação Experimental de Alagoinha-PB. No Rio Grande do Norte: A Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária (EMPARN), mantem um rebanho da raça Sindi em avaliações permanentes, realizando um leilão anual de seus produtos. São quatro instituições oficiais integradas as demandas da região e que elegeram a raça Sindi como prioridade de pesquisas zootécnicas, envolvendo dezenas de pesquisadores.
Complementando essas ações oficiais, os governos dos Estados da Bahia, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Sergipe, com a participação do setor privado representado por dezenas de criadores e selecionadores, criaram mecanismos de promoção e divulgação da raça Sindi em escala ascendente. Após esses 38 anos de atividades em prol da raça a ABCSindi, os núcleos e criadores unidos transformaram a região na terra do gado vermelho. Em 2018, são pródigos os eventos pela raça na região, com destaque especial para o “Dia D”, da Fazenda Carnaúba em Taperoá-PB, hoje o maior e mais importante evento do agronegócio nacional dedicado a pecuária das regiões semiáridas, que tem a raça Sindi como produtora de leite, sua principal estrela entre os bovinos. São dezenas de raças de ovinos, caprinos, bovinos e aves; de tecnologias e produtos derivados e agregados aos sistemas de produção da região. Uma iniciativa da família Dantas Vilar com o apoio de órgãos e intuições públicas e privadas.  As exposições estaduais tornaram-se referências para raça Sindi a nível nacional. Este ano já foi realizada a 5ª Exposição Nordestina da Raça Sindi, durante a 52ª Paraíba Agronegócios, com dois leilões da raça: o 3º Leilão Sindi Pompeu Borba e o Leilão Anual da EMEPAPB.  Foi também palco de uma grande homenagem ao insigne criador POMPEU GOUVEIA BORBA, falecido este ano e que contou com a presença do presidente da ABCSindi, Ronaldo Bichuette, do diretor da CNA, Mario Borba, do Secretário da Agricultura da Paraíba, Romulo Montenegro e dezenas de convidados, familiares e amigos. No Rio Grande do Norte: -Iremos ter durante a Festa do Boi, em Parnamirim-RN, a realização da XVI Exposição Nacional
da Raça Sindi, com centenas de animais expostos e dois leilões da raça. A tempos que a Festa do Boi é considerada o maior evento da raça Sindi do mundo, a maior concentração de bovinos dessa raça vermelha em julgamento e exposição. Breve, a Festa do Boi se transformará em um evento Internacional da raça. Na Bahia, Piauí e Ceará: - Aconteceram as exposições com presença marcante da raça Sindi.  Breve teremos em Recife-PE a Exposição Nordestina de Animais e Produtos Derivados, com forte presença da raça Sindi. Compartilhando com tudo isso estão centenas de criadores dessa raça na região, grandes e tradicionais selecionadores, médios e até pequenos criadores, que entusiasmados pelas qualidades da raça, participam de palestras e reuniões e são permanentes adquirentes desses animais. A raça Sindi no Nordeste vem se constituindo em um produto de integração social. Podemos afirmar que nestes últimos 38 anos, o Nordeste contribuiu para expandir e divulgar a raça Sindi, oferecendo genética diferenciada e participando do entusiasmo e grande poder de multiplicação do Sindi, nas grandes regiões criatórias do Sudeste, Centro-Oeste e Norte do Brasil, onde hoje se localizam as grandes fazendas de seleção e de cruzamentos industriais que se integram    e passam a participar da cadeia produtiva da pecuária de corte nacional com sucessivos avanços zootécnicos e comercias. Essa é nossa missão, como criadores dessa joia zootécnica, que tem o nome de “RAÇA SINDI”. 


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