31 de out. de 2011

III Simpósio de Mudanças Climáticas e Desertificação no Semiárido Brasileiro

D. John Kimble - Estratégias
para sequestrar carbono no solo.

Aconteceu na Universidade Federal do Vale do São Francisco (Campus de Juazeiro-Bahia) entre os dias 25 e 27 de outubro, o III Simpósio de Mudanças
Climáticas e Desertificação no Semiárido Brasileiro – “Experiências para Mitigação e Adaptação”.

Durante os três dias do simpósio foram realizadas conferências, mesas redondas e apresentação de posters. Foram discutidos temas como: Políticas públicas para redução da emissão de CO2; Ações de combate à desertificação; Potencialidades do bioma
Bruce E. Rittnann - Produção de combustivel
a partir de fotossíntese das bactérias.
Caatinga frente às mudanças climáticas; Manejo, Estoque e dinâmica no fluxo de carbono no Bioma Caatinga; Agricultura de baixo carbono e Tecnologias de adaptação às Mudanças Climáticas.
Uma das palestras mais interessantes do evento ficou por conta do Professor Carlos E. Lascano – Universidad Nacional de Colombia: Estratégias para redução da emissão de metano em ruminantes.
D. Carlo E. Lascano
Professor Carlos Lascano lembrou que os gases de efeito estufa mais importantes são o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O). Estima-se que 18% das emissões anuais de GEE são provenientes de diferentes tipos de animais e que 37% do CH4, com maior potencial de aquecimento global (23 vezes) em relação ao CO2,
decorrem dos processos fermentativos dos ruminantes. Possivelmente, no futuro, os países produtores de carne e leite estarão sujeitos a proibições, caso os sistemas de bovinocultura não cumpram as medidas de redução de gases de efeito estufa. 
O especialista
em ecofisiologia vegetal Saulo Aidar (D)
prometeu trabalhar o Icó
(recurso forrageiro nativo do semiárido
baiano) em suas pesquisas.
D. Adriano (Ministério do
Meio Ambiente) divulgou o
Programa ABC. Programa do
Governo Federal que pretende
incentivar a Agricultura de
Baixo Carbono.
Há diversas alternativas disponíveis e em estudo para reduzir as emissões de CH4 entérica de bovinos, que vão desde a manipulação da composição da dieta, suplementação com aditivos (ionóforos, ácidos orgânicos, compostos halogênios, óleos) e seleção de plantas forrageiras de alta qualidade contendo metabólitos secundários (taninos e saponinas) ao melhoramento animal,
imunização e transformação genética dos microrganismos ruminais. Os resultados mostram que é possível a inibição da emissão entérica de CH4 utilizando-se ionóforos, ácidos orgânicos e óleos.
D. Patricia Menezes tratou dos
recursos forrageiros.
Ao concluir sua palestra o professor destacou que, na prática, a redução de emissões de GEE pelo rebanho depende principalmente da eficiência deste em converter forrageiras em produtos úteis ao homem.  Quanto mais eficiente o rebanho, menor será a quantidade de GEE emitidos por quilo de carne, leite, etc.
No contexto das estratégias de redução das emissões dos gases a efeito estufa, dois tipos de ações podem ser consideradas: a diminuição do nível de emissões e/ou
D. Salete Moraes defendeu os
sistemas agro-silvi-pastoris.
a transferência e estocagem dos GEE em outros compartimentos terrestres, tais como, o solo. Neste caso, os gases ficariam estabilizados na forma de biomassa, matéria orgânica do solo, etc. Esta segunda foi o tema da palestra do D. John Kimble
(Develop agricultural strategies to increase soil carbono sequestration and reducing greenhouse gases). Kimble salientou o potencial de sequestro de carbono da pastagem, que a depender de sua composição, solo, manejo e clima, podem representar uma alternativa viável para mitigar a acumulação de CO2 na atmosfera.

23 de out. de 2011

UNIDADES ANIMAL TROPICAIS (UAT)

 Fonte: http://www.fao.org/ag/againfo/programmes/pt/lead/toolbox/Mixed1/TLU.htm

O conceito de Unidade Animal Tropical (UAT) constitui um método conveniente para quantificar uma grande variedade de tipos e tamanhos de animais domésticos de uma forma padronizada. 

Variedade de tipos e tamanhos de animais domésticos
O que são as UATs ?
Para um certo número de utilizações há a necessidade de usar uma unidade comum para descrever os efetivo de diferentes espécies com um único número que expresse a quantidade total de gado presente - independentemente da composição em espécies.
 Para fazer isto, desenvolveu-se o conceito de "Quociente de Troca", com o qual diferentes espécies de diferentes tamanhos médios podem ser comparadas e descritas em relação a uma unidade comum. Esta unidade é 1 Unidade Animal Tropical (UAT).
Têm sido usados vários métodos para obter os quocientes de troca entre espécies, mas nenhum satisfaz completamente.
Diferentes fórmulas para calcular UATs têm sido usadas em diferentes partes do mundo, dependendo das variedades de gado mais comuns (p.ex. 1 UAT = 1,0 camelos; Bovinos 0,7; Ovinos/Caprinos 0,1). 
Contudo uma só fórmula para calcular UATs desta maneira é incapaz de servir para diferentes variedades de gado - que podem variar consideravelmente em tamanho - e é, portanto necessária uma abordagem diferente.
Se o alimento consumido é razoavelmente semelhante para as duas espécies que estamos a comparar, o quociente de pesos metabólicos proporciona o melhor meio de comparação. Esta relação expressa o fato de que as espécies menores produzem mais calor e consomem mais alimento por unidade de tamanho corporal do que os animais maiores (Heady, 1975).

Em condições de pastoreio dependentes dos recursos, o consumo voluntário médio de alimento entre as espécies é notoriamente semelhante, cerca de 1,25 vezes as necessidades de manutenção (1 para manutenção, 0,25 para produção = crescimento, reprodução, leite, etc.). O peso metabólico é portanto considerado como a melhor unidade para agregação de animais de diferentes espécies, quer seja para calcular o alimento total consumido, o estrume produzido, ou a produção de produtos finais. 
UATs e Quocientes de Troca
O padrão utilizado para uma Unidade Animal Tropical é um bovino com 250 kg de peso corporal.
As caixas 1 a 3 apresentam os quocientes de troca para animais com diferentes pesos corporais em Unidades Animal Tropicais com base no peso metabólico. Mostram que 5 ovinos ou caprinos de 30 kg consumirão tanto como 1 vaca de 250 kg. Da mesma maneira, dois búfalos com cerca de 425 kg consumirão tanto como 3 bovino de 250 kg. No entanto, falando de forma estrita, estes só podem ser comparados quando as diferentes espécies consomem o mesmo alimento, o que não se verifica com frequência.
Quocientes de Troca para espécies pecuárias 
em Unidades Animal Tropicais com base no
Peso Metabólico Corporal
caixa 1

17 de out. de 2011

LEILÃO SINDI ESTRELAS 2011 - NOVO RECORDE DA RAÇA.

Em uma noite histórica para o Sindi durante o leilão Sindi Estrelas realizado no Tatterssal Sen.José Bezerra (Festa do Boi - Parnamirim - RN), a campeã do torneio leiteiro com 26kg,  Esperta do Guaporé, do criador Alexandre Maciel Oberlaender , atingiu o maior valor pago em uma fêmea Sindi até hoje em leilões. A campeã foi arrematada pelo criador Manoel Dantas Villar (Dr. Manelito) por um valor superior aos cem mil reais, conforme foto acima com  o último lance (R$ 5.200,00 em 20 parcelas).  Durante o evento houve grande procura por animais “fechados nordeste”, principalmente os que caregavam a marca EMEPA ou DANTAS VILLAR. Não temos números oficiais ainda do leilão mas, ficou claro que o Sindi cresce cada vez mais, mostrando força no nordeste brasileiro.



10 de out. de 2011

ANIMAIS E TRÓPICOS


A Bahia Red Sindhi agradece ao amigo e colaborador Sérgio Augusto Villas Bôas de Menezes que, gentilmente, nos cedeu este material.


Trechos extraídos do Relatório da Missão de Estudos a Espanha, Itália, Índia e Paquistão editado em novembro de 1968 pelos Professores: José Maria Couto Sampaio (′), Osvaldo Bastos de Menezes (″) e Fúlvio José Alice (‴).


Razões e motivos da missão de estudos


Por efeito mesmo dos ciclos sucessivos de civilização, grandes partes dos países localizados nos trópicos foram descobertos e colonizados por povos de climas temperados, que procuraram trasladar para novas colônias, como o Brasil, suas experiências. Nada mais natural ou lógico.

No caso de introdução de animais e plantas, aqui como alhures, a iniciativa só vingava ou só vingou, quando ela se adaptava ao clima. Especialmente, no caso dos animais domésticos, a experiência brasileira é mais do que afirmativa, pois prova dos dois lados o “fracasso” do gado europeu e o sucesso do indiano nos trópicos.

Alias, nesse episódio deve-se realçar que o Governo tem sido negligente, jamais importando diretamente animais para seus centros de pesquisa, e a vez que o realizou, na época da introdução do Red Sindhi, se deveu única e exclusivamente à obstinação de um homem, o Dr. Felisberto de Camargo que , já na índia, foi chamado de volta ao Brasil, e ameaçado até de demissão do serviço público. É certo que estes animais ai estão pelo Brasil a fora, e não trouxeram ou introduziram qualquer doença maior, como não trouxeram, também, as varias outras introduções dos particulares, que se somam, talvez em numero, superiores a trinta.

O que vimos nesses países é grande demais para ser diminuído, ou desprezado, e em nome do bem nacional, se reticências, por cima de ou dos grupos brasileiros, ou outros, é que vamos dizendo desde logo, nos umbrais deste documento, que o País se prepare, se organize, governos e particulares, para a importação correta de búfalos e zebus, já que essa é a grande controvérsia, que, de inicio , é preciso definir, e o fazemos já aqui, sem cerimônia, para darmos a tônica da nossa opinião.

A índia, por exemplo, e só para situar um aspecto que muita gente desconhece, possui um primoroso serviço de veterinária, com mais de 35.000 ajudantes veterinários diplomados em cursos objetivos de um ano, e um corpo técnico de mais de 12.000 médicos veterinários, milhares dos quais portadores de diplomas de pós-graduação em “Master od Science” e “Philosophy Doctor” conquistados na Europa, nos Estados Unidos, ou no País em suas 20 Faculdades de Veterinária (que diplomam mais de 1.000 médicos-veterinários por ano) ou nos Institutos Especializados, muitos estabelecidos nestes últimos anos.


 Zebuínos

Apreciação sobre o criatório oficial

Para a apreciação do zebu da índia e do Paquistão, tivemos oportunidade de conhecer não só o criatório particular, como também as mais importantes fazendas oficiais.

LIVESTOCK EXPERIMENT STATION MALIR – KARACHI – PAKISTAN

Está localizada a 12 milhas da cidade de Karachi, em zona árida e quente com apenas 7,85 polegadas de chuvas anuais. Foi fundada em 1921 pelo governo da Província de Sindicom com a finalidade de selecionar e preservar a raça Red-Sindhi. Em 1932 por deficiência de recursos financeiros foi fechada, sendo que parte do gado foi passado para Mirpurkhas Fruit Farm. Contudo o trabalho foi reiniciado ainda pelo governo de Sind em 1938, e no ano de 1950 foi definitivamente transferida para o governo do Paquistão. Em resumo, são perseguidos no momento os objetivos seguintes na seleção de raça:

a) Preservar a pureza racial;
b) Sentir a potencialidade como produtora de leite, eliminando inclusive a presença da cria durante a ordenha;
c) Eliminar defeitos, e como mais importantes, os úberes, conformação, patas e aprumos;
d) Reduzir a idade do 1º parto e o período seco;

c) Produzir touros superiores para melhoramento do gado local.

O rebanho de Malir tem 360 animais no seu total incluindo machos e fêmeas de diferentes idades, dos quais 120 vacas em lactação. A média de produção de leite por lactação é de 4.443 libras (2.039 quilos) com 4,5% de gordura em 274 dias. O dado mencionado é conseqüência do estudo de 305 lactações, que mostra as seguintes freqüências de acordo com as produções obtidas.

O período seco é de 160 dias em média, e o intervalo entre partos é de 434 dias. A idade para o 1º parto é de 40 (quarenta) meses. O Sind é gado de pequeno porte, pesando touros e vacas adultas em média 500 e 300 quilos vivos, respectivamente. São animais lindos na sua cor vermelha e embora de porte reduzido, são de uma robustez impressionante. Foi das raças vistas uma das que mais nos impressionam. Pelo seu porte reduzido e alta produção de leite, acreditamos ser bem econômica para áreas com menos disponibilidades de forragens. No rebanho de Malir, atualmente, a ordenha é feita sem bezerro,

3 de out. de 2011

RAÇA SINDI: UMA OPÇÃO NA PRODUÇÃO DE LEITE PARA O SEMIÁRIDO BRASILEIRO


Por: Roberto Luiz Teodoro, Rui da Silva Verneque e Mário Luiz Martinez
Pesquisadores da Embrapa Gado de leite


Felisberto de Camargo e uma das vacas da importação de 1952.
     A raça Sindi, originária dos trópicos paquistaneses, historicamente foi introduzida no Brasil nos anos 30 do século passado, mas foi em 1952 que ocorreu a mais significativa introdução de animais desta raça por meio da importação de 31 fêmeas e machos pelo abnegado Dr. Felisberto de Camargo, naquela época diretor do Instituto Agronômico do Norte, situado em Belém do Pará.
Vênus E com Guerreira BRS ao pé. Ipirá-Ba
    Estes animais importados foram selecionados na sua origem, baseado principalmente em critérios produtivos, sendo considerado a base do nosso rebanho Sindi atual, que se encontra predominantemente nas regiões Nordeste e Norte do país, com pequenos núcleos na região Sudeste.
     A raça apresenta como características principais pelagem de cor avermelhada, ideal para as regiões tropicais e sub-tropicais, o seu pequeno porte, também considerado ideal pelo melhor aproveitamento por área, além do menor consumo absoluto de alimentos, a boa eficiência reprodutiva e principalmente a boa capacidade de produção de leite, tanto em quantidade como em qualidade. Além destas vantagens sobressai a sua excelente adaptabilidade às condições adversas de clima e de manejo, principalmente alimentar, nas condições de semi-árido nordestino.
Sindi na caatinga - Ipirá - Ba
     

Dado a estes atributos e ao desempenho destes animais, torna-se importante a sua difusão e multiplicação como raça pura e em cruzamento com raças taurinas, principalmente a Jersey, obtendo-se animais produtivos, resistentes e de pequeno porte, recomendados principalmente para pequenas explorações leiteiras típicos da Agricultura familiar.
     A Embrapa Gado de Leite vem apoiando os poucos criadores da raça na divulgação e conhecimento do potencial destes animais para a pecuária nacional, considerando-a uma excelente opção principalmente para as regiões adversas de manejo do Nordeste brasileiro. 
     

     Atualmente dois núcleos de criação situados no estado da Paraíba, um da EMEPA em Alagoinha e outro do Dr. Manuel Dantas Vilar Filho em Taperoá, ambos de importância histórica e técnico pelo trabalho de seleção, são acompanhados rotineiramente quanto à reprodução, produção e composição do leite, assim como as principais características morfológicas relacionadas às características produtivas, como tamanho corporal, conformação de úbere, temperamento, etc. Estes animais são mantidos em regime de pasto, próprios da região, sendo suplementados principalmente com alimentação alternativa sempre que se torna necessário devido à seca.
Sindi da Embrapa Semi-Árido - CPATSA
     
     Anualmente faz-se a avaliação genética de vacas e touros destes rebanhos, para a produção de leite, cujos resultados são repassados aos respectivos criadores auxiliando-os nos acasalamentos e descartes, promovendo com isto o seu melhoramento genético.
     Baseando-se nas informações disponíveis no banco de dados da Embrapa Gado de Leite, a média da produção de leite de 256 animais avaliados foi de 2.214 kg, com duração média de 274 dias de lactação, enquanto que a idade média ao primeiro

25 de set. de 2011

O ZEBU

Indus River
Está plenamente provado que o mesmo tipo de Zebu que se encontra por toda a Índia e em grande parte do continente negro, já se achava a serviço do homem ao tempo da falada civilização ariana cujos traços são hoje encontrados ainda, na vasta zona do “talweg” do rio Indus, o grande caudal histórico do noroeste indiano.
 

O principal testemunho disto são os frescos, faianças e terracotas, obras de talha em bronze e ouro, etc., encontrados nas escavações efetuadas pelos arqueólogos ingleses nas ruínas da pré-histórica cidade de Mohen-jo-Dahro, à margem esquerda do Indus, com a supervisão do eminente sábio Sir John Marshall. Nessas escavações foram encontrados vasos, estatuetas e medalhões tendo, esculpidas e desenhadas figuras de Zebus. Entre estes medalhões tem lugar de destaque o célebre selo de bronze, conhecido sob a denominação de “selo de Mohen-jo-Dahro”, considerado como tendo sido fundido cerca de 3.000 anos antes da era cristã.
Selo de Mohen-jo-Dahro


Cancredje
 
Cientistas tais como L. H. Shirlaw, que estudaram, com vigor, a origem do Zebu, nos ensinam que, por aquela época, existiam, na mesma região, dois tipos distintos de boi, sendo que um desses tipos de menor tamanho pode ter pertencido a uma raça destituída de giba, que é o distintivo predominante do “Bos índicos”. Todavia ficou bem averiguado que os vestígios desse boi só foram encontrados nas camadas superficiais das escavações, enquanto que, nas camadas inferiores foram encontrados unicamente vestígios do Zebu. Isto prova, à sociedade, que o Zebu existiu, na região, séculos antes de ai ter dado entrada i “Bos taurus”, propriamente dito. O próprio Sir John Marshall, que acima nos referimos, declara que nos detritos e esculturas encontrados em Mohen-jo-Dahro, se tem a prova de que o gado ora existente no noroeste da Índia, pertence à mesma raça dos existentes na região, naquela época pré-histórica. Este gado é hoje aí representado pelo Cancredje, pelo Guzerate, etc.

Ilustrações de peças de terra cota



Esta mesma observação nos foi transmitida pelo eminente bovitecnista o Coronel Sir Arthur Olver, consultor técnico do Serviço Animal do Imperial Conselho de Pesquisas Agrícolas da Índia. Diz-nos ele, que é marcante a semelhança entre o Cancredje com o célebre animal esculpido no selo de Mohen-jo-Dahro.

Os mesmos autores chamam a atenção para a semelhança do Cancredje com o gado “Fulani”, da África Ocidental. Assim deveria nos parecer que o gado branco cinza do norte indiano, com seus longos chifres em forma de lira, seja parente próximo do gado do acidente africano, tendo ambos a mesma origem.

Todavia nos repugna aceitar a teoria de que o Zebu de chifres grandes seja uma mistura do gado Hamítico (da África equatorial) de chifres longos e sem bossa, com o Zebu de chifres curtos.

O Zebu de chifres curtos é um bovino comparativamente moderno na Índia e muito mais ainda na África. Segundo a opinião de Epstein, na sua obra “Heredity”, publicada em 1933, o Zebu de chifres curtos é o resultado do cruzamento dos “Bos brachyceros” com o Zebu “de chifres laterais”. Todavia a única prova de ter o “Bos Brachyceros” atingido a Índia nós a temos ainda nas escavações de Mohen-jo-Dahro onde se encontram nos “strata”superiores, vestígios de uma raça de bois possivelmente destituídos de giba (não se excluindo a hipótese de se tratar de Zebus castrados cedo ou de vacas, onde o cupim pouco aparece).


Mehrgarh, um dos mais importantes sítio arqueológico do Neolítico
(7.000 a.C. a 3.200 a.C.), encontra-se na planície Kachi do
Baluquistão, no Paquistão, e é um dos primeiros sites com evidência
de agricultura (trigo e cevada) e de pastoreio (gado, ovinos e
caprinos) no sul da Ásia.
 Quanto ao “Zebu de chifres laterais”, de Epstein, este não foi encontrado nas indagações pré-históricas da Índia, a não ser que se queira encontrar alguma afinidade entre ele e o Gire as suas sub-raças e, quiçá, no Sind ou mesmo no Africânder, da África do Sul.
Em todo o caso é aceitável a suposição de Olver, de que o Zebu de chifres curtos, representado hoje pelo Bahgnari, pelo Hariana, pelo Ongole e outros, tenha acompanhado os vedo-arianos durante a invasão da Península Indiana, invasão essa que, segundo Smith, na sua “Oxford History of Índia”<1933> se processou de 2.000 a 1.500 a.C. Smith faz notar a circunstância de que esses povos emigrantes deixaram traços indeléveis de sua passagem desde o Himalaia, de noroeste para leste, até ao extremo sul da península Indiana. O mesmo pode-se dizer do Zebu de chifres curtos, raça de predicados duplos de leite e tração. A penetração desse gado na Índia é evidenciada pelos tipos raciais conservados dentro de uma faixa em vasta diagonal, que tendo seu inicio em Karat, fora das fronteiras ocidentais do Belutchistão vai ganhar o Golfo de Bengala no oriente da Índia, um pouco ao norte da cidade de Madras.

E não é só isto. A diferença entre as raças hoje consideradas distintas uma das outras, com caracteres tidos, atualmente, como perfeitamente definidos, como por exemplo, se dá com o Bhagnari, com o Hariana, com o Ongole, é realmente muito diminuta mesmo. É tão

 diminuto que quem não estiver profundamente a par dos pequenos detalhes marcantes nos indivíduos de cada grup
o, não os poderá diferenciar.
Destarte muitos consideram, talvez, a esta diferenciação mera convenção e que, na verdade não o é, pois há características peculiares a cada um desses ramos e pelos quais se podem distinguir qualquer dos grupos, sem receio de erro e, mesmo, sem grandes conhecimentos técnicos.
Quanto à origem do Gir e das raças suas subsidiárias há diversas hipóteses, sendo a mais aceitável de que

19 de set. de 2011

O NORDESTE EXIGE SOLUÇÕES PRÓPRIAS.

          
                          Sabemos que  o que se apresentava como solução há alguns anos atrás hoje pode ser considerado um problema, vemos isso todos os dias a nossa volta. Nas grandes cidades construções copiadas do padrão europeu ou norte americano se transformaram em verdadeiros problemas para quem é obrigado a conviver diariamente com elas. Muitas vezes arquitetos e engenheiros ao construir prédios destinados ao clima tropical, esquecem disso utilizando materiais que em vez de refrescar o ambiente o aquecem, e até o mau posicionamento de simples janelas ou portas podem levar um empreendimento a apresentar um custo exorbitante e pro resto da vida com o uso da energia elétrica para manter condicionadores de ar ligados o dia todo. É muito comum vermos isso também em veículos, máquinas e equipamentos, falta a criatividade de procurar soluções próprias.
               Assim como na construção civil e na indústria, no campo é comum convivermos com esse mesmo problema, muitas empresas multinacionais que visam o lucro (delas) a qualquer custo oferecem produtos e técnicas mirabolantes que deram muito certo na Holanda, França, EUA e até na Dinamarca, porém será que são apropriadas para regiões como o semi-árido nordestino? Será que um animal que produz leite ou carne em regiões da França poderá ser economicamente viável nos sertões?
               Não é segredo para ninguém que produzir alimento, tanto para humanos como para animais , no semi-árido é uma tarefa difícil. Sabemos que no sertão dispomos de apenas alguns meses de índices pluviométricos razoáveis. Especialistas da pecuária brasileira e da indústria da carne projetam que o ‘boi do futuro” deve ser um animal capaz de atender a crescente demanda mundial por proteína animal e corresponder também as exigências dos consumidores globais que não abrem mão dos princípios éticos e ambientais. O  “boi do futuro”deve ser precoce,abatido no máximo aos vinte meses e em média com 450 quilos. A sua carne deve ser magra e ele deve ser fruto de fazendas orgânicas que o criam a pasto de maneira natural e saudável.
                Como grandes fornecedores de proteína animal para o mundo despontam o Brasil e os Estados Unidos, o primeiro fornecendo carne magra a pasto e de baixo custo e o segundo ofertando uma carne gorda proveniente de confinamentos principalmente destinada ao mercado asiático. Com a crescente procura pelos combustíveis “verdes” que é plantado cada vez mais em áreas nobres, o semi-árido nordestino assume cada vez mais a sua vocação pecuária principalmente no criatório extensivo. Para que isso ocorra e podado pelas condições climáticas desfavoráveis o semi-árido deve adotar soluções próprias, e entre elas se encontra um rebanho de origem zebuína autêntica (touros provados), aliado a um manejo eficiente da caatinga preservando a sua estrutura básica e introduzindo novas alternativas de forrageiras consorciadas e perfeitamente adaptadas ao meio ambiente.
              Foram muitos os desastres ambientais na caatinga quando projetos mirabolantes e mal planejados não respeitaram a biodiversidade existente e muito menos as condições adversas climáticas, e o que é pior, muitos desses ‘desastres’ ambientais foram financiados com juros subsidiados pelo próprio governo federal.  É chegada a hora das universidades nordestinas, principalmente as públicas, concentrarem suas pesquisas em soluções viáveis para a região nordestina.O pensamento educacional  brasileiro é tão original e primitivo quanto a arquitetura que recria o neoclássico parisiense no topo de espigões às margens de rios fétidos. Somos teoricamente livres da colonização mas, amarrados intelectualmente aos antigos senhores e incapazes de pensar sozinhos.  Devemos formar profissionais formadores de opinião que conheçam de perto as necessidades do sertão e caso eles queiram seguir as doutrinas do sul ou do sudeste do país , que por favor não ocupem as cadeiras de nossas instituições públicas que já são poucas e deficientes. Na verdade quando o nordeste repensar o seu destino verá como é rico e como as soluções estão à nossa vista, bastando muitas vezes apenas abrir a cortina que os países desenvolvidos insistem em fechar nos negando o maior espetáculo da terra, que é a prosperidade de uma nação.
Cezar  Mastrolorenzo
É produtor rural e criador de Sindi no sertão baiano.
               



4 de set. de 2011

JURADO DA ABCZ, DESPERTA A CURIOSIDADE SOBRE O SINDI, DURANTE A EXPOFEIRA 2011.

Na solenidade de abertura, 
autoridades estaduais e municipais.
Léo (D) da ADAB
     Assim como no ano anterior o Sindi mais uma vez despertou grande interesse por parte dos criadores na EXPOFEIRA.  A Bahia Red Sindi este ano dobrou a quantidade de animais expostos e apresentou em Feira de Santana o melhor da raça SINDI de origem paquistanesa.

Martins (centro) da Casa Campo


O pecuarista e industrial da carne 
Carlos Carvalho (D) .












      No primeiro dia de exposição foi grande o movimento em volta das argolas onde estão sendo expostos os animais. Os criadores, sempre curiosos, tomaram informações e tiraram dúvidas sobre a raça. 
     


Familia Mastrolorenzo
Marcello Araujo (E) e filhas
O entusiasmo pelo Sindi é tão grande que o próprio site oficial da Prefeitura Municipal de Feira de Santana coloca como destaque da festa a participação do SINDI na exposição. A matéria do site coloca a dupla aptidão e a resistência ao clima como principais destaques da raça.
  


Raimundo Fraga Maia (E), 
agrônomo e mangalarguista.
Ideval Martins do Apiário Favo
de Ouro (maior do estado) 
prestigiou a raça.
      No desfile de abertura oficial da festa, estavam presentes diversas autoridades da região como o Prefeito Municipal Tarcísio Pimenta, e sua esposa que é a Deputada Estadual Graça Pimenta, o Deputado Estadual Zé Neto, o Deputado Estadual Carlos Geilson, o Presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Feira de Santana Dr. Carlos Henrique entre outros.
A curiosidade pelo Sindi superou as espectativas da BRS
A BRS, claro, mais uma vez
conquistou todos os prêmios
Paulo Cezar (tratador), Bruna, Maria Julieta e 
Dômine Mastrolorenzo 
Martins (apiário Favo de Ouro)



Alcio Teixeira (Faz Anta Gorda) (E)
e Antonio Pimentel 
(agrônomo e ex-prefeito
de Gov. Mangabeira) (D)
         Como no ano passado, o desfile se iniciou pelos ovinos e caprinos e foi seguido peos bovinos, sendo o Sindi, mais uma vez, elogiado em frente ao palanque, sendo destacada a sua origem paquistanesa e sua dupla aptidão.



      Mas a grande surpresa, até o momento, ficou mesmo por conta do jurado da ABCZ RUBENILDO RODRIGUES. O tarimbado zootecnista fez grandes elogios à raça, durante o julgamento que aconteceu na sexta-feira (9 de setembro), despertando, ainda mais, a curiosidade dos baianos.



 "Estou orgulhoso de julgar o Sindi pela primeira
vez na Bahia" RUBENILDO RODRIGUES.
(zootecnista e jurado da ABCZ).
 
"Este ano são apenas cinco animais, mas, 
muito antes do que se imagina, teremos
centenas de Sindi nas pistas baianas"  
RUBENILDO RODRIGUES.

"Fico feliz por julgar o Sindi aqui na Bahia, não 
por ser bonitinho, pequenininho, mas por ser funcional produtivo 
e extremamente econômico. Quanto pior o ambiente 
a sua volta, mais o Sindi se destaca" RUBENILDO RODRIGUES.

     Obrigado D. Rubenildo. 
     Suas considerações representaram um valioso e oportuno incentivo.
     Receba nossa gratidão.
     
                Bahia Red Sindhi


Pensamento do mês