18 de jun. de 2012

CRIADORES CONFIRMAM PRESENÇA NA EXPOFEIRA


Detalhes da organização do evento discutidos em reunião

A Expofeira 2012, que será realizada no período de 02 a 09 de setembro no Parque de Exposição João Martins da Silva, contará, mais uma vez, com a participação dos núcleos baianos e associações de criadores de raças de caprinos, ovinos, equinos e bovinos. Detalhes da organização do evento foram discutidos nesta quinta-feira (14) entre representantes de núcleos, entidades de classe, pecuaristas e o    secretário municipal de Agricultura, Ozeny Moraes.

O secretário Ozeny Moraes , o secretário da ABCSINDI 
Cezar Mastrolorenzo entre outros criadores.
Durante o encontro foram abordados assuntos como a recuperação da estrutura física do equipamento, que vai envolver recursos da ordem de R$ 177 mil, pavimentação dos corredores entre as baias e disponibilização de novos espaços. De acordo com o secretário Ozeny Moraes, está sendo elaborado um projeto para construção de mais um tatersal no Parque.
BRS na Expofeira 2011.
“A nossa maior preocupação nos últimos anos era com relação à questão do espaço para atender a todos os criadores interessados em participar da Expofeira, uma vez que já chegamos ao limite. A procura por espaços para abrigar animais é superior à oferta de baias e pavilhões disponíveis. Vamos unir esforços para fazer a exposição acontecer, conseguindo atender aos núcleos e associações interessados em fazerem parte deste evento”, declarou Ozeny Moraes.
As oportunidades de negócios na exposição de Feira de Santana foram destacadas pelo representante do Núcleo Baiano de Criadores de Cavalos da Raça Mangalarga, Joaquim Artur Franco. “A Expofeira não é apenas de Feira de Santana, mas de muitos outros municípios da Bahia e de diversos estados. Os animais já estão preparados e estamos com expectativas de bons negócios para mais este ano”, afirmou.
O coordenador regional da Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), Aurino Soares, alertou os criadores para a importância de vacinar o rebanho visando evitar contaminações nos animais que estarão expostos no Parque. Segundo ele, a Adab estará presente no evento desenvolvendo ações para garantir a segurança do público e animais.
Na oportunidade foi apresentado o material de divulgação da exposição agropecuária, proibição de pessoas montadas a cavalo em áreas de circulação de pedestres e, ainda, disponibilização de alojamento para tratadores.
Uma nova reunião será realizada no dia 05 de julho, às 15 horas, na Seagri. A pauta do encontro será a realização de leilões e número de animais que serão expostos durante a mostra agropecuária.


FONTE- Site oficial da Prefeitura Municipal de Feira de Santana.






23 de mai. de 2012

SINDI COMPROVA MELHORAMENTO GENÉTICO.

Com o objetivo de comprovar a eficiência do Sindi nos cruzamentos com gado comum, a BRS (Bahia Red Sindhi) iniciou em Itatim-Bahia, na Fazenda Tombador uma experiência cruzando o Sindi com animais aclimatados na região.
As matrizes utilizadas são mestiças de nelore x holandês, nelore x pardo-suíço e nelore. São matrizes nascidas e criadas em regime de campo na caatinga e, portanto bastante acostumadas às pastagens nativas do sertão.
O touro sindi escolhido foi calunga, de procedência Emepa, portanto um paquistanês legítimo, descende direto da importação feita por Felisberto de Camargo em 1952.  Os cruzamentos tiveram início em 2011 por monta natural e agora em 2012 começam a aparecer os primeiros resultados.
Sabemos que o sindi produz carne e leite. Sabemos também que é rústico e precoce, mas, devemos lembrar que ainda é um pouco caro manter um rebanho sindi P.O. devido ao custo inicial de aquisição. Por esse motivo se faz necessário aproveitar o rebanho pré-existente nas propriedades que na maioria das vezes já descende de cruzamentos de taurus e indicus, já que o gado mestiço é a grande maioria do rebanho nordestino e ter bons mestiços adaptados ao sertão é o sonho de todo produtor do semiárido.
Quando cruzamos o Sindi com outras raças procuramos sempre a adequação do nosso rebanho ao meio ambiente, ou seja, animais que consigam manter uma boa conversão alimentar no calor nordestino.  Esta conversão deve sempre resultar em melhor desempenho na produção de carne e leite.  Um animal que tenha as características leiteiras e de carcaça do taurus, mas, que tenha também a rusticidade do indicus. Destas experiências nasceram os cruzamentos do Sindi com o nelore, a procura de mansidão, habilidade materna e rusticidade. Sindi com Pardo-Suiço, objetivando principalmente o leite a baixo custo com a rusticidade. Sindi e Jersey,  que já foi registrado pela ABCZ e é considerado pelos especialistas um cruzamento excepcional para quem procura rusticidade, bom leite, tamanho pequeno e úbere perfeito.
Ainda existem outros cruzamentos sendo feitos pelo Brasil afora, raças como a Simental, Red Angus, Normanda e Caracu, são cruzadas com o Sindi com os mais diversos propósitos. Serve sempre as dicas do grande conhecedor e escritor Rinaldo dos Santos que em seu livro SINDI O GADO VERMELHO PARA OS TRÓPICOS escreveu: “Não existe um sistema de cruzamento ideal para todas as situações e não existe raça ideal e sim aquela que atende os objetivos e as exigências de cada criador”.
Podemos observar, portanto que o Sindi é sempre utilizado com o objetivo muito claro de obter um animal menos andador, com habilidade materna, precoce e que produza à baixo custo carne e leite, além disso, sua mansidão e docilidade facilitam o seu manejo diário. É o Sindi revolucionando a pecuária nordestina e viabilizando as pequenas propriedades, carne e leite para alimentar o semiárido brasileiro. É o Sindi da Bahia Red Sindhi ganhando cada dia mais destaque entre os criadores baianos, notadamente quando nosso estado vive a maior seca dos últimos 47 anos, obrigando-nos uma profunda reflexão sobre a forma de conviver com as crises climáticas cada vez mais frequentes e intensas.

Cezar Mastrolorenzo
Produtor Rural e Secretário da ABCSINDI.

          



16 de mai. de 2012

CRÉDITO DE EMERGÊNCIA PARA OS PRODUTORES BAIANOS

Extraído do MANUAL BÁSICO DO BANCO DO NORDESTE - OPERAÇÕES DE CRÉDITO - PROGRAMAS ESPECIAIS Versão 001 - 10/05/2012 Contribuição José Carlos Canci - Eng°  Agrônomo Credenciado pelo BNB
Fotos de autoria do Sindicato dos Produtores Rurais de Ipirá - maio de 2012
1 Finalidade
Promover a recuperação ou preservação das atividades de agentes produtivos afetados pela seca ou estiagem, mediante a concessão de crédito específico, destinado a financiar o que se segue:
a) no setor rural: investimentos fixos, investimentos semifixos e custeio;
b) setores industrial, agroindústria, comercial e de prestação de serviços: investimentos fixos e investimentos mistos.
Notas:
1 Serão financiados, preferencialmente, investimentos que possam contribuir para a convivência sustentável do agente produtivo com os períodos de seca ou estiagem.
2 Conforme sejam o setor econômico, o porte e a atividade do mutuário e a finalidade do crédito, aplicam-se a este Programa as mesmas restrições quanto a atividades e itens financiáveis e não-financiáveis, vigentes no âmbito do programa de crédito que utiliza recursos do FNE, no qual seria enquadrada a operação, caso não se tratasse de crédito emergencial.
3 No setor de comércio, poderá ser concedido crédito específico para a  Reposição de estoques, isoladamente ou como item do projeto de investimento.
4 Nos setores industrial e agroindustrial, poderá ser concedido crédito específico para a aquisição de matérias-primas e insumos e, no setor de prestação de serviços, poderá ser concedido crédito específico para a aquisição de insumos, isoladamente ou como itens do projeto de investimento.
5 Veda-se o financiamento da aquisição isolada de animais em qualquer caso.
2 Público-alvo
2.1 Produtores rurais (pessoas físicas, inclusive empresários registrados na junta comercial,e pessoas jurídicas).
2.2 Pessoas jurídicas (empresas privadas, cooperativas e associações) e empresários registrados na junta comercial, inclusive microempreendedores individuais, atuantes nos setores industrial, agroindustrial, comercial e de prestação de serviços.
Notas:
6 Conforme sejam o setor econômico, o porte e a atividade do mutuário, aplicam-se a este Programa as mesmas restrições e exigências quanto ao enquadramento no público-alvo, vigentes no âmbito do programa de crédito
que utiliza recursos do FNE, no qual seria enquadrada a operação, caso não se tratasse de crédito emergencial.
7 As propostas apresentadas por cooperativas e associações serão contratadas com os respectivos membros em vez de com as próprias entidades, observado, quanto à natureza jurídica do associado, o disposto no item 2 anterior.
8 O produtor rural pronafiano será atendido no âmbito do programa emergencial disciplinado no Capítulo 16 deste título, observando-se as respectivas normas, de modo que o enquadramento não poderá ser no âmbito do presente Programa.
3 Fonte dos Recursos
Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE).
4 Limitações
Observada a margem disponível no LRC do mutuário ou, conforme o valor, o valor do LRP deferido para amparar a operação, respeitar-se-ão as seguintes limitações.
4.1 Limite de endividamento: até R$ 100.000,00 por mutuário em uma ou mais operações.
4.2 Capital de Giro Associado ao Investimento Fixo - os mesmos percentuais máximos, aplicados sobre o investimento fixo projetado financiado pelo Banco, vigentes no âmbito do programa de crédito que utiliza recursos do FNE, no qual seria enquadrada a operação, caso não se tratasse de crédito emergencial.
5 Prazos
O prazo máximo da operação será determinado em função do cronograma físico e financeiro do projeto ou proposta e da capacidade de pagamento do mutuário, observado o seguinte:
a) produtores rurais: até 8 anos, inclusive até 3 anos de carência;
b) demais agentes produtivos: até 5 anos, inclusive até 1 ano de carência;
6 Encargos
6.1 Juros: à taxa efetiva de 3,5% a.a., sem bônus de adimplemento.
6.2 Tarifas e IOF: conforme a regulamentação vigente.
Notas:
9 Os juros serão calculados, capitalizados e exigidos conforme a norma do programa de crédito que utiliza recursos do FNE, no qual seria enquadrada a operação, caso não se tratasse de crédito emergencial, conforme sejam o setor econômico, o porte e a atividade do mutuário.
7 Garantias
Conforme sejam o setor

18 de abr. de 2012

A SECA NO ESTADO DA BAHIA.

Por Manoel Bomfim Ribeiro. Engenheiro civil, especialista em hidrologia, ex-diretor do DNOCS, ex-secretário geral do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, ex-diretor da Codevasf e autor de obras importantes sobre o semiárido brasileiro.


A seca já se instalou nos sertões do estado da Bahia produzindo os seus efeitos negativos e nefastos sobre a economia dos agricultores. Não é uma seca inusitada, mas
prevista de longas datas pelos estudos do Instituto de Atividades Espaciais-(IAE) de São José dos Campos. Esta previsão foi chamada de Prognóstico do Tempo a Longo Prazo. Baseia-se em interpolações e pesquisas cuidadosas fundamentadas no histórico pluviométrico da região nordeste. A cada 26 anos ocorre uma grande seca, como aconteceu a de 1979/84 quando o DNOCS e outros órgãos dos estados nordestinos receberam antecipadamente relatórios sigilosos analisando e alertando para o que iria ocorrer. Não é um modelo matemático na acepção do termo, mas um Método Estatístico de Correlação, estudo que passou a merecer toda a credibilidade dos técnicos e dos poderes administrativos.

 Fizemos, pessoalmente e por curiosidade, uma regressão com o perfil senoidal das secas acontecidas desde a chegada de Tomé de Sousa ao Brasil. A coincidência foi magistral, a cada 26 anos a senóide entra no seu ramo descendente apontando exatamente as secas ocorridas na região em séculos passados. Exemplificamos só algumas: 1582/84-1777/80-1877/80 -1930/33 1957/59 e por aí vai a ciclometria das secas.
 Não é uma equação, é um modelo que pode sofre alterações nas datas presumidas das secas para mais ou para menos devido à complexidade da trama atmosférica que foge aos domínios de técnicos, meteorologistas e cientistas. Esta seca instalada agora, sobretudo no estado da Bahia, promete durar todo o ano de 2012 e também por todo o ano de 2013.

Neste estudo procuramos mostrar o sistema ondulatório dos períodos de chuvas escassas indicando a projeção das estiagens que afligem a região.

 Analisemos agora o Semi-Árido baiano.

 O Semi-Árido dos quatro estados Ceará, Paraíba, R. G. do Norte e Pernambuco somam uma área total de 327.000 km² e o da Bahia sozinho tem área de 320.000 km², praticamente igual. Desde o final do século XIX aqueles estados começaram a luta pela geração de água construindo açudes de maneira obstinada. A seca de 1877/80 foi tirana ceifando 500.000 vidas, 10% da população nordestina que era na época de 5.000.000 de habitantes. Uma grande calamidade. Morriam de fome, sede, tifo, bexiga e outras endemias. Uma grande tragédia registrada na história do Nordeste e jamais esquecida.

 Juntar água foi, então, o grande objetivo de todos os nordestinos uma vez que estes reservatórios se tornaram essenciais para melhorar os terríveis efeitos da seca. O açude é um núcleo de vida, de atividade social e econômica, sobretudo nos períodos calamitosos de secas.

 A nucleação em torno da açudagem foi de tal importância que os nossos técnicos se tornaram os maiores barrageiros do mundo e ao logo do século XX construíram a maior rede de açudes do planeta Terra, mais de 70.000 açudes armazenando 40 bilhões de m³ de água, volume igual a 16 baias da Guanabara. O sertão virou mar.

 O Semi-Árido baiano, entretanto, ao longo do século XX, ficou totalmente esquecido pelos governantes apesar da sua mais baixa pluviosidade. Não participou da epopéia nordestina gerando e acumulando água para os períodos inditosos. Não tivemos um programa específico e

12 de mar. de 2012

Sindi ignora decreto municipal


Ipirá, março de 2012.
     Calma, O sindi não é fora da lei. Quando dissemos que a raça Sindi ignorou um decreto municipal, não estamos falando em nada ilegal.  Para explicar melhor vou relatar o que presenciei.
Ipirá, março de 2012.
     Ao chegar ao município de Ipirá constatei ainda na estrada diversos rebanhos bovinos pastando no acostamento. Isso ocorria por que nas fazendas que passei não havia mais nada para os animais comerem. Ainda constatei também diversas camionetes no acostamento cortando e carregando o capim de beira de estrada para leva-lo às fazendas, pois já nada havia lá para alimentar os animais. Vi também algumas carcaças de animais mortos e outros perambulando pelas estradas parecendo zumbis esqueléticos desnorteados. Reparei também que a maioria do rebanho era  composto de mestiços de holandês.

Faz. Brava, março de 2012.
     Na fazenda Brava, onde se encontra o rebanho Sindi da BRS não era diferente. Logo na porteira da entrada percebi o quanto a seca castigava o local. O campo era ressecado  de uma cor pastel onde apenas se sobressaiam em verde às folhas do icó. As aguadas estavam secas e tudo me pareceu um pouco desolador.  Também não era para menos. Há meses não chovia em Ipirá e a prefeitura se viu obrigada a decretar estado de calamidade pública devido à seca que assolava a região.

Sindi na Faz. Brava em Ipirá, março de 2012.
     E como estaria o rebanho Sindi? Será que encontraria animais abatidos e depauperados pela terrível seca que assolava a região? Esperei paciente o vaqueiro juntar o gado no campo. De longe avistei uma poeira levantando e embaixo dela um “bolo de pelo vermelho” era o rebanho Sindi da BRS se aproximando. Mais alguns minutos e adentrou pelo curral um imponente rebanho composto de vacas paridas com seus bezerros ao pé, capitaneadas pelo extraordinário touro Vultan-E. Logo as minhas perguntas foram respondidas. Esqueceram de informar ao rebanho Sindi que o município de Ipirá estava em “calamidade pública”, esqueceram de dizer ao Sindi que existia uma seca, com certeza não informaram a aquelas vacas que ali estavam amamentando seus filhos e produzindo leite sem qualquer ração, que não chovia há meses. 

Sindi na Faz. Brava em Ipirá, março de 2012.
     Para nós ainda é uma surpresa ver um rebanho em condições de abate, amamentando e produzindo leite para ordenha, em plena seca. Para o Sindi não. Afinal de onde ele vem isso é normal. Para uma raça que sobrevive no deserto, nas piores condições de clima do planeta, o que ocorre em Ipirá é apenas uma pequena estiagem. Nada que afete o seu organismo adaptado e aperfeiçoado por mais de dois mil anos. O Sindi não vai deixar de reproduzir e garantir a sua espécie, não vai deixar de amamentar e criar seus filhos e não vai deixar de servir a seus senhores produzindo o leite e lhes dando a carne. Pois isso é o que lhe garantiu até hoje a sua existência e é isso que vai garantir o seu futuro nos próximos dois mil anos.

Peso de um bezerro (7,5 meses) Sindi ao pé da vaca: 247 Kg.
   Foi essa a minha primeira experiência com o Sindi na seca severa e pude constatar que tudo que haviam me dito era verdade. É verdadeira a afirmação que o Sindi foi moldado para resistir às adversidades de um clima desértico. E digo mais, além de preservar a sua espécie, mostra generosidade para com os que o criam, abastecendo seus pastores com carne e leite demonstrando seu agradecimento para com os que o cercam. Por isso posso dizer: O sindi não obedece aos decretos, ele rege a sua própria lei. A lei da sobrevivência.
 
 Cezar Mastrolorenzo
Sindicista e Secretário da ABCSindi.
   

Pensamento do mês