19 de mai. de 2017

AVALIAÇÃO ZOOTÉCNICA E FUNCIONAL EM GADO DE CORTE

Por Luiz Antonio Josahkian
(Fotos Bahia Red Sindhi)
Todo animal deixa vestígios do que ele foi. 
Só o homem deixa vestígios do que ele criou [...] 
O homem não é uma fi gura na paisagem. 
Ele é um modelador da paisagem. 
JACOB BRONOWSKI. 
The ascent of man (1973).
INTRODUÇÃO
Os processos produtivos em gado de corte são interativos entre a genética e o meio ambiente. Portanto, devemos nos alertar para o fato de que, na verdade, a produção animal fica diretamente
Luiz Antonio Josahkian
ligada à harmonização destes dois componentes. Na seleção de gado de corte é preciso perceber os animais como organismos vivos inseridos em um sistema de produção, do qual eles retiram energia e as transforma em produtos que serão consumidos. Compete, então, aos gestores desses sistemas de produção, intervir da melhor maneira possível, otimizando essa relação de troca do animal vs ambiente. O que nós temos, na verdade, no caso das raças bovinas de corte, é uma flexibilidade genética formidável que interage de diferentes maneiras com o meio ambiente, e esse é um desafio adicional para o selecionador: decidir, entre várias opções, qual o modelo mais adequado para o seu sistema de produção.
A seleção de gado de corte atual está equipada com um amplo ferramental. Modelos matemático-estatísticos avançados trabalhando com bases de dados corretas nos permitem conhecer com relativa precisão o valor genético do indivíduo para determinadas características, desde que elas sejam medidas e modeladas adequadamente. Entretanto, nem todas as características podem ser medidas nos animais. Algumas, por apresentarem relação custo × benefício desfavorável, para as quais os ganhos possíveis de serem alcançados não compensam sua mensuração. Outras, pela simples impossibilidade de medi-las, por não termos um instrumento que o faça, como por exemplo, a harmonia do conjunto do corpo do animal – uma característica complexa que não se encontra em nenhuma parte específica do corpo, mas que se traduz pela relação entre as partes. Outras características, ainda, são mais eficientes se medidas de forma indireta, como é o caso da precocidade sexual, para a qual medidas indicadoras e fáceis de serem obtidas – como o perímetro escrotal – se revelam muito eficientes. Por estas razões, as avaliações visuais de tipo dos animais ainda são consideradas fortes instrumentos complementares de seleção, além do que, durante muito tempo e ao
O que se busca são animais equilibrados
com o ambiente em que estão sendo criados.
longo dos milhares de anos de domesticação dos animais, foi a única ferramenta disponível para a humanidade. Utilizado desde o início do processo de domesticação dos animais, o olho humano é a mais antiga ferramenta de seleção de bovinos que atende às características desejadas pelo homem, não existindo nenhum instrumento capaz de ser tão integrador de informações obtidas através de imagens. Características morfológicas permitem uma leitura crítica dos tipos biológicos dos animais, que variam de ultra-precoces a extremamente tardios, lembrando que extremos não são desejados. O que se busca são animais equilibrados com o ambiente em que estão sendo criados. Assim, torna-se evidente que não existe um biótipo mais eficiente para todos os sistemas de produção, mas tipos morfológicos mais eficientes para diferentes ambientes. Neste capítulo será feita uma breve apresentação do uso das avaliações visuais como prática de seleção em gado de corte, como ferramenta complementar a todo instrumental atualmente disponível para monitoramento das mais diversas características dos animais. Um direcionamento mais incisivo será dado às raças zebuínas e aos métodos adotados para esta espécie (Bos-indicus).
PREPARANDO-SE PARA SER UM AVALIADOR
O processo de aquisição de conhecimento é formado por inúmeras relações de causa e efeito não lineares. Por exemplo, um selecionador com a capacidade de integrar informações chega à conclusão de que na seleção de machos a circunferência escrotal é realmente importante não pelo fato em si, mas porque ela está relacionada a uma melhor espermatogênese e a geração de fi lhos (pelo uso do touro) de melhor performance reprodutiva, tanto os machos quanto as fêmeas. A resultante deste tipo de raciocínio é muito diferente de um raciocínio cartesiano que admite, para toda consequência, uma única causa (ou pelo menos uma das mais importantes). Resultantes biológicas derivam de relações mais complexas e múltiplas. Por estas razões, as avaliações visuais precisam estar contextualizadas, caso contrário, perdem seu sentido técnico.A ciência, atualmente, deixou de ser a busca solitária típica das grandes e notáveis descobertas da humanidade. A pesquisa isolada está cada vez mais em desuso. O volume do conhecimento atual é gigantesco e requer equipes multidisciplinares, já que
Não há como negar que existe algo de pessoal,
subjetivo e imponderável na seleção...
ninguém é capaz de deter todo esse acervo de conhecimento sozinho. Essa concepção precisa ser empregada por um selecionador – e muito especialmente quando estamos adotando as avaliações visuais – porque estamos, em última análise, trabalhando com transformações dos recursos naturais. Não raro surgem questionamentos se a aplicação das avaliações visuais é ciência ou arte. Deste ponto de vista é interessante analisar se a seleção, em si, é uma ciência puramente ou um misto de ciência e aptidões pessoais não convencionalmente estabelecidas. A princípio parece que nós devemos concordar unanimemente que a seleção deva ser absolutamente aplicação de ciência, tal qual ela é dogmaticamente estabelecida. Porém, não há como negar que existe algo de pessoal, subjetivo e imponderável na seleção; e ainda, que ela não é absolutamente replicável. E nesse ponto pode surgir um questionamento: não deveria ser a seleção impessoal, científica e replicável? O mais provável é que não, embora não pareça ser possível responder com absoluta certeza a essa pergunta, mas realmente se espera de um bom selecionador que ele tenha algum meio disponível de conhecer os méritos genéticos, apesar de duvidoso, porque lida com características invisíveis ou imensuráveis. Cabe ao selecionador encontrar o equilíbrio perfeito entre o rigor científico (e sempre ser obediente a ele) e sua percepção pessoal da situação. É essa capacidade extra que o torna talentoso, diferenciado e capaz de mover culturas inteiras em diferentes sentidos, aumentando mais ainda sua responsabilidade. A situação da seleção em gado de corte é uma conjunção muito peculiar de análises críticas fundamentadas em bases científicas (parte objetiva) e a capacidade preditiva bem como de inferência do selecionador para prever situações futuras ou imaginadas (parte subjetiva). Olhar para trás e examinar o real ou realizado deve ser feito de forma objetiva/científica. Agora, usar isto para predizer o futuro e/ou onde e como usar cada tecnologia em um sistema de produção imaginário (futuro) para maximizar nosso objetivo, contém sempre um elemento imponderável e que pode apenas ser predito. Mesmo usando computadores e todo o acúmulo de informações, existe uma margem de erros e riscos, assim como ocorre nos mercados de capitais. Nenhuma metodologia é absolutamente perfeita para predizer valores, seja em que ramo da ciência estiver sendo usada. Todas contêm uma margem de erro e é preciso saber conviver com essa margem de insegurança. Não foi dada ao ser humano, em nenhum momento, a capacidade plena de prever o futuro.
UTILIZANDO AS AVALIAÇÕES VISUAIS
Na seleção de gado de corte é necessário analisar uma questão decisiva: com o que estamos trabalhando na seleção? Para esta pergunta o selecionador deve ter uma resposta entendida plenamente: embora usemos indicadores fenotípicos, selecionadores trabalham, na verdade, tentando identificar o valor ou mérito genético dos animais. A escolha deve recair, na seleção de gado de corte, naqueles animais que, se fossem abatidos produziriam a melhor carne, a mais suculenta, a mais saborosa, a mais rentável, a mais compatível com os anseios do mercado. Como estamos frente a um ser vivo, é necessário ainda que os animais apresentem sinais claros de vigor e mobilidade, indicando-nos claramente seu valor adaptativo. E para isso, o selecionador terá que utilizar todas as informações apresentadas, quer sejam elas métricas, tais como peso, altura, comprimento, medidas
Selecionadores trabalham, na verdade, tentando
identificar o valor ou mérito genético dos animais. 
obtidas por métodos de ultrassonografia etc; ou percebidas em dimensões diferentes e por indicadores até mesmo subjetivos, tais como os padrões étnicos, características que refletem a condição reprodutiva ou de equilíbrio e saúde. De forma muito particular, cabe ao selecionador conhecer o comportamento genético de cada uma das características que está considerando, dando a cada uma delas a devida importância no contexto de melhoramento genético. Não é uma tarefa fácil, já que confusões de toda ordem estão profusamente sendo apresentadas na seleção. Cabe ao selecionador remover o desconhecido e aproximar sua decisão, tanto quanto possível, de resultados que conduzam a uma estabilidade e segurança científicas. Essas definições determinam uma das regras fundamentais para aplicação das avaliações visuais: elas só podem ser adotadas com algum grau de eficiência em grupos de indivíduos que foram submetidos ao mesmo ambiente. Em melhoramento genético, este é um conceito muito conhecido, denominado de grupos de contemporâneos (GC). Os GC são formados, na prática, por indivíduos que pertencem ao mesmo grupo genético, do mesmo sexo, de idades semelhantes (nascidos em uma mesma estação) e submetidos, rigorosamente, aos mesmos manejos nutricional e sanitário. Olhar analiticamente para este grupo de indivíduos registrando as diferenças visualmente detectadas torna-se um método efi ciente porque as diferenças serão devidas, em maior grau, aos efeitos genéticos e não aos ambientais.
NOÇÕES DE EXTERIOR APLICADAS AOS BOVINOS
Para que possamos selecionar um animal e classificá-lo de acordo com a definição de raça ou com a sua finalidade zootécnica é necessário, basicamente, que tenhamos conhecimento das características da raça, segundo os padrões estabelecidos para elas e um conceito amplo do exterior desse animal, como representante do tipo que se tem em vista. Buscar o conhecimento profundo e aplicado dos conceitos de exterior é fundamental. Entretanto, isto pode ser feito recorrendo-se a materiais específicos, haja vista não ser o objetivo principal deste capítulo. Não obstante, vamos considerar somente alguns aspectos que merecem uma discussão mais específica para as avaliações visuais de tipo. Dentre eles, vamos ressaltar a

1 de abr. de 2017

OPÇÕES NO USO DE FORRAGEIRAS ARBUSTIVO-ARBÓREAS NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL NO SEMI-ÁRIDO DO NORDESTE

Gherman Garcia L. de Araújo, Severino G. de Albuquerque, Clóvis Guimarães Filho - Pesquisadores da Embrapa Semi-Árido - Caixa Postal 23. 56300-970 - Petrolina, PE
INTRODUÇÃO 
A pecuária tem se constituído, ao longo tempo, em função das condições edafo-climáticas desfavoráveis, na atividade básica das populações rurais distribuídas nos 95 milhões de hectares da região semi-árida nordestina. As lavouras tem sido consideradas apenas como um sub-componente inexpressivo dos sistemas de produção predominantes, face a sua maior vulnerabilidade as limitações ambientais. O rebanho nordestino, embora expressivo (25,9 milhões de bovinos, 10,4 milhões de caprinos e 7,5 milhões de ovinos), segundo o
A acentuada redução anual na oferta de
 forragem,durante as estações secas,
 é o principal fator determinante 
do nível de produtividade.
IBGE (1991), apresenta níveis de produtividade bastante baixos. Guimarães Filho e Soares (1992) citam para bovinos sob sistema tradicional de caatinga, índices anuais de parição

em torno de 40%, taxas de mortalidade de bezerros acima de 15% e peso vivo médio ao abate de 340 kg, aos 4 -5 anos de idade. Para caprinos, os números são também indicadores de um pobre desempenho. Guimarães Filho (1983) cita intervalos entre partos superiores a 300 dias e taxas de mortalidade de crias de ca. 35% ao ano. Este baixo desempenho zootécnico se deve, principalmente, a forte dependência que os sistemas de produção tem da vegetação nativa da caatinga, fonte alimentar básica, quando não única, dos rebanhos. A acentuada redução anual na oferta de forragem, durante as estações secas, é o principal fator determinante do nível de produtividade. Alternativas convencionais de redução ou solução desses problemas, tem surtido resultados quase negligenciáveis, em função, também, de limitantes de ordem estrutural, tais como, tamanho e precárias condições de posse da terra, falta de organização dos produtores, descapitalização e acesso limitado ao credito, pouco acesso a assistência técnica e serviços de apoio, e cujo equacionamento é condição prévia para a obtenção de índices expressivos de adoção das inovações tecnológicas geradas. Mesquita et al. (1988) relatam que na estação chuvosa (período de crescimento), a vegetação da caatinga alcança seu máximo de produção. Entretanto, durante a estação seca (período de dormência), variando de 6 a 8 meses, as produções de fitomassa descem a valores muito baixos, e mesmo sem a presença dos animais, em áreas deferidas, a ação do intemperismo provoca perda que pode chegar até 60% da produção da área. É neste período que a participação das folhas secas que caem das árvores e ficam disponíveis para os animais, no solo, fornecem importante componente, tanto na proteção do solo quando ocorrem as primeiras chuvas, como também na alimentação dos
O uso planejado e diversificado de opções forrageiras,
nativas ou introduzidas, pode aumentar a chance de
 sucesso dos sistemas de produção pecuária.
animais, quando oriundas de plantas forrageiras. Esses aspectos reforçam o uso estratégico de alternativas alimentares, como forma de suplementação nutricional desses animais, objetivando melhorar os índices de produtividade e consequentemente a renda familiar dos produtores desse setor. Estudos efetuados pela Embrapa Semi-Árido demonstraram que o uso planejado e diversificado de opções forrageiras, nativas ou introduzidas, pode aumentar a chance de sucesso dos sistemas de produção pecuária. Neste trabalho, procura-se sintetizar as principais características do sistema Caatinga, Bufell e Leucena (CBL) e reunir informações disponibilizadas por diferentes instituições de pesquisa e ensino do Nordeste, sobre o uso de opções forrageiras arbustivas e arbóreas, nativas ou introduzidas, dentro de um contexto de "Sistemas Agroflorestais Pecuários". 
SISTEMA CAATINGA - BUFELL - LEUCENA (CBL) 
Estudos da Embrapa Semi-Árido identificaram, para a caatinga hiperxerófila do Sertão pernambucano do São Francisco, uma capacidade de suporte de 15 a 20 ha/UA/ano (Salviano et al., 1982), em função da variação pluviométrica entre anos. Embora Araújo Filho (1990) tenha demonstrado no Ceará, a possibilidade de se elevar a capacidade de suporte da caatinga de 10 - 12 para 2,5 - 4,5 ha/bovino/ano, pelo uso de técnicas de manipulação da caatinga (rebaixamento, raleamento, etc.), isto não pode ainda ser comprovado no tipo de caatinga arbustivo-arbórea densa predominante no Sertão pernambucano. Com estas técnicas, contudo, há perspectivas de se obter um aumento na produção de matéria seca/ha no período verde, em detrimento da oferta da forragem disponível durante o período seco. Com uma capacidade de suporte desta magnitude e uma estrutura fundiária onde mais de 90% são estabelecimentos com área inferior a 100 ha, a alternativa para os sistemas pecuários do Sertão pernambucano, seria procurar ganhos de produtividade no fator terra. Isto só seria possível com um manejo racional da caatinga, utilizando-a apenas naquele período de 2 a 4 meses ao ano, quando ela oferecesse a máxima oferta de forragem, em termos quantitativos e qualitativos. Para o
COMANDANTE BRS
restante do ano, o sistema produtivo seria complementado com pastos cultivados, e com gramíneas e leguminosas na forma de forragem conservada. Para as áreas onde é possível alguma agricultura, os restolhos dariam um complemento importante ao sistema. Para as áreas mais secas, uma reserva estratégica de palma forrageira (Opuntia ficus-indica Mill.) seria recomendável. Para aplicação de um sistema desse tipo, a Embrapa Semi-Árido, com base em estudo do Ministério da Agricultura (Brasil, 1979), identificou preliminarmente no Sertão de Pernambuco, que cobre uma área de 6,8 milhões de ha, áreas com potencial para o tipo de pecuária acima mencionado, as quais correspondem a 3,3 milhões de ha (49% da área). Para se melhorar o desempenho da pecuária da região, a Embrapa Semi-Árido, delineou um sistema de produção com base na caatinga, com a incorporação do capim buffel e de uma área destinada a produção de um volumoso com nível de proteína mais alto, cuja fonte é uma leguminosa, chamado por isso de sistema CBL, que pode ser a leucena (Leucaena leucocephala (Lam.) De Wit.), o guandu (Cajanus cajan (L.) Millsp.), a gliricídia (Gliricidia sepium (Jacq.) Walp.), ou até mesmo a maniçoba (Manihot pseudoglaziovii Pax & K. Hoffm.), que não é uma leguminosa, mas que, graças às pesquisas na Embrapa Semi-Árido, deixou de ser considerada uma planta tóxica, para aos poucos, se tornar uma
Gliricidia sepium
forrageira lenhosa muito importante. Estas forrageiras são submetidas a cortes na época das chuvas para produção de feno ou silagem. Entre outras forrageiras que devem e podem ser incorporadas ao CBL, a palma tem um grande relevância, por ser um volumoso, tido como energético e seguro nas secas prolongadas (Albuquerque, 1999b). No CBL, tanto o pastejo na caatinga quanto no capim buffel são estratégicos. Na estação chuvosa, bovinos e caprinos são mantidos na caatinga, enquanto que na época seca, os bovinos são removidos para o capim buffel, onde tem acesso à área de leguminosa, ou recebem feno dela no cocho. Enquanto isto, os caprinos são mantidos na caatinga o ano inteiro, onde na seca, dependendo da necessidade, também recebem suplementação volumosa (Albuquerque, 1999b). O ponto mais importante neste enfoque é que o pecuarista veja que tanto uma importante gramínea, quanto uma forrageira rica em proteína são incorporados ao sistema. Como pode ser visto nos Quadros 1 e 2, o desempenho bovino aumenta significativamente com a incorporação do capim buffel e da leucena. Com relação à caatinga, por tratar-se de um ecossistema frágil, apenas uma parte da vegetação nativa deve ser eliminada, e há o consenso entre os especialistas em caatinga, de que a parte a ser deixada deve ser entre 40 e 60 % da área total. Com isto, há uma certa variedade de produtos a serem retirados do sistema (Quadro 2) (Albuquerque, 1999b). 

Quadro 1 - Desenvolvimento de garrotes azebuados, sob sistemas de pastagens diferentes
1 "L" pode significar leucena, leguminosa, maniçoba, ou qualquer forragem com alto teor protéico, produzida na propriedade. Fonte: Adaptado de Albuquerque (1999b).
Quadro 2 - Produtos oriundos do Sistema Tradicional vs CBL (40% de pastagem cultivada).
Fontes: 1Araújo Filho (1985); 2Dado proveniente da produção de 305,7 kg/árvore/ano (Brito et al., 1996) multiplicado por 2,3 árvores/ha (Albuquerque, 1999a); 3Carvalho (1969); 4Adaptado de Guimarães Filho e Soares (1999); 5Deduzido de 60 % do sistema tradicional. 
O sistema concebido pela Embrapa, já se acha em processo de avaliação e, diversos trabalhos comprovaram a viabilidade das diferentes espécies para as condições do Sertão pernambucano, permitindo assim a concepção do CBL. Em experimento conduzido por três anos, Guimarães Filho e Soares (1997) observaram que garrotes suplementados com apenas 1,5 kg de feno de leucena/cab/dia, durante o período seco, estavam ao final do período experimental, 03 arrobas mais pesados que aqueles que também pastavam no capimbuffel no período seco, mas não tinham acesso ao feno. Comparados com garrotes submetidos ao sistema tradicional de caatinga, a diferença elevou-se a 05 arrobas. Um modelo físico do sistema CBL envolvendo cria-recria de bovinos foi implantado preliminarmente na Embrapa Semi-Árido, a partir de 1991, numa área de 87 ha, na qual 35,0 ha (40%) são ocupados por capim-buffel, 2,66 ha (30%) por leucena e os restantes 49,9 ha (57%) por caatinga bruta. Considerando o período dezembro/91 a novembro/92, a taxa de parição das vacas alcançou 76,2%, ou seja, quase duas vezes a taxa obtida nos sistemas tradicionais, o que é um indicativo bastante promissor das potencialidades do sistema. O Projeto Caatinga, elaborado pela Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (CODEVASF) com base na pesquisa da Embrapa, estima que uma propriedade com 100 ha pode chegar a gerar uma receita líquida de até US$ 8 mil dólares/ano. No modelo tradicional, a estimativa é que esse valor seja inferior a US$ 1,000 dólares/ano. No Projeto Caatinga se prevê a instalação de sistemas do tipo CBL em 200 mil ha de propriedades familiares nos estados da Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas. É um investimento de US$ 77.8 milhões, que está sendo captado junto a uma instituição de fomento ligado ao Governo do Japão. 

FORRAGEIRAS ARBUSTIVO-ARBÓREAS NATIVAS 
A vegetação nativa dos

9 de mar. de 2017

VISITA DE "SEO MANÉ" À BRS



Nos dias 3 e 4 de março presente tivemos a imensa satisfação de receber a visita de Dr. Manoel Dantas Vilar Filho, “Seo Manelito” da Carnaúba, acompanhado pelos filhos Joaquim e Daniel e pelos sobrinhos Marcelo e Marcos Dantas. Seo Mané veio à Bahia para o evento (Dia J) promovido por Dr Jolival Soares na Faz Terumy, município de Ipirá e aproveitou para conhecer o rebanho BRS da Faz. Brava no mesmo município. Foram dois dias de muita alegria para a BRS, que além da visita desses renomados paraibanos, recebeu também criadores sergipanos e baianos como: Sergio Vilas Boas, Benício Cavalcanti, Dr. Pordeus e família, Prof. Tude e Sra Elle, Raimundo Feitosa e Sra, Marcelo Pinto, Ricardo Meireles, Marco Navarro, Judicael Souza, Dr Brito entre outros. Neste encontro, ao adquirirem vacas, novilhas e tourinhos BRS, foi fundado o consórcio “MIG”, dos criadores Marcelo, Israel e Gustavo Andrade que prometem multiplicar e divulgar o Sindi na região de Vitória da Conquista. 
Adiante fotos e vídeo desse encontro:
Vídeo do encontro - clique na imagem

 
 
 

 
 
 
 
 
 

1 de fev. de 2017

BIOCONVERSÃO DA PALMA FORRAGEIRA ALTERNATIVA ALIMENTAR PARA PEQUENOS RUMINANTES



Por: Lúcia de Fátima Araújo - Emepa / Evaneusa Alves de Brito - Emepa / Miguel Barreiro Neto - Embrapa/Emepa / Salvino de Oliveira Júnior - Emepa / Elson Soares dos Santos - Emepa

O crescimento e a modernização do agronegócio da ovinocultura de corte, com o uso de ovinos de raças especializadas e seus cruzamentos para produção de carne, exigem o
desenvolvimento de tecnologias alternativas para melhorar o valor nutricional de forragens que possam ser utilizadas na alimentação dos animais, visando à melhoria dos níveis produtivos dos rebanhos. Com o crescimento da ovinocultura no semi-árido paraibano, a Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba vem aprimorando o nível técnico-científico e agilizando as condições de desenvolvimento dessa atividade na região, uma vez que há uma distribuição irregular das chuvas, associada a um manejo de pastagens deficientes, resultando em uma baixa disponibilidade de forragem no período seco do ano. Nesta época, os criadores da região recorrem ao uso de concentrados comerciais para uma suplementação protéica para suprir as necessidades nutritivas do rebanho. No entanto, os freqüentes aumentos dos preços dos concentrados industriais utilizados na suplementação
proteica da dieta animal, vêm tornando a atividade antieconômica, estimulando o aproveitamento de alimentos não convencionais. Dentre os produtos que podem substituir os suplementos convencionais, destacam-se os microrganismos: algas, fungos filamentosos e leveduras, considerados uma fonte unicelular de elevado teor proteico, além de possuírem um rápido crescimento e possibilidade de cultivo em diversos substratos. Em confronto com os concentrados comerciais, a palma forrageira enriquecida com fungos adequados pode equiparar seu valor nutricional, pois será acrescida de proteína microbiana e de minerais como fosfato, potássio, além de vitaminas do complexo B. As características da agropecuária na região demonstram a necessidade tecnológica para propiciar aumentos dos índices de produtividade dos rebanhos, por meio da aplicação do processo de bioconversão da palma forrageira, obtendo um produto de alto valor agregado. A palma forrageira enriquecida com
levedura Saccharomyces cerevisiae pode ser produzida na propriedade rural, uma vez que o processo utilizado é prático e economicamente viável, tornando-se uma alternativa de fácil incorporação nos sistemas de produção animal na região. A tecnologia da bioconversão da palma forrageira contribuirá para minimizar a carência alimentar na época crítica do ano, fazendo parte na alimentação de pequenos ruminantes em crescimento, nas dietas de mantença e desempenho corporal, no semiárido paraibano.

LOCAL DE REALIZAÇÃO DA PESQUISA

A pesquisa foi realizada na Estação Experimental de Pendência, no semiárido paraibano, no período de janeiro a dezembro de 2006.

TÉCNICA PARA BIOCONVERSÃO DA PALMA FORRAGEIRA

A técnica para aumentar o valor nutricional da palma forrageira foi por meio do processo biotecnológico utilizando o crescimento da levedura Saccharomyces cerevisiae em fermentação semi-sólida (FSS). Na fermentação semi-sólida, o meio de cultura é composto de substratos sólidos, com um determinado teor de umidade. Assim, a água torna-se um fator limitante, uma das principais vantagens do processo. Quando comparada com a fermentação submersa (FSm), o processo em estado semi-sólido apresenta as seguintes vantagens operacionais: adição de pequeno volume de água, permitindo a recuperação do produto com baixos gastos de energia; baixa umidade requerida para obter-se um rendimento máximo do produto; o espaço requerido pelo reator ou fermentador é pequeno
em relação ao rendimento do produto; não é necessário tanque de germinação, uma vez que os microrganismos são inoculados diretamente no substrato - palma forrageira -; há necessidade de pouco controle do processo, a produção de enzimas, ácidos orgânicos e alimentos com fins lucrativos.

OBTENÇÃO DO PRODUTO DA BIOCONVERSÃO DA PALMA FORRAGEIRA

Selecionar os cladódios, retirando aqueles que não apresentarem bom aspecto fitossanitário. Como pré-tratamento físico, realizar a trituração da palma em máquina forrageira. O inóculo será efetuado a partir do fermento biológico (levedura) úmido mantido em refrigeração, tendo sua multiplicação obtida no próprio meio (substrato formado pela palma triturada). Realizar o cultivo em baldes plásticos - biorreatores sem aeração forçada e colocá-los em área coberta para evitar a penetração dos raios solares, chuvas e predadores. O substrato, após inoculado, ficará nos biorreatores por um período de 12
horas de fermentação para ser oferecido aos animais.

MICRORGANISMO UTILIZADO NO PROCESSO FERMENTATIVO

O microrganismo utilizado nas operações do processo foi a levedura Saccharomyces cerevisiae, prensada do tipo fermento biológico fresco, com umidade de 80% (b.u), com média de 45% de proteína bruta (PB). A eficiência da conversão proteica por leveduras depende de fatores como temperatura, suprimento de oxigênio e disponibilidade de nutrientes. O tempo médio para dobrar o teor proteico é de apenas 5 horas de fermentação. A escolha do microrganismo adequado é o resultado do sucesso da produção do bioproduto desejado. Portanto, a produção de leveduras pode ser resultante dos processos exclusivamente destinados a sua propagação, que são
denominados leveduras primárias, que é o caso do fermento biológico, enquanto as leveduras obtidas como subprodutos de outras indústrias
fermentativas são denominadas de leveduras secundárias, embora sejam da mesma espécie. O crescimento de microrganismos por fermentação em meio semi-sólido, buscando-se tecnologia adaptada às condições rurais, está se tornando atrativo, com chances reais de chegar a um processo economicamente viável, principalmente, para minimizar as graves distorções regionais que afetam o país. Além disto, poderá facilitar a fixação do homem do campo na região do semiárido do Nordeste.

Substrato

O substrato utilizado foi palma forrageira (Opuntia fícus-indica Mill) da variedade gigante, que tem se constituído em fonte potencial de água e forragem para os animais, nos prolongados períodos de estiagem da região semiárida. Nesta região está plantada grande área de palma forrageira, cerca de 550 mil
hectares. Embora possua características adaptáveis ás condições adversas da região, a palma forrageira apresenta limitações em relação ao teor de matéria seca, fibra, proteínas e vitaminas, mostrando-se inferior as outras culturas forrageiras como o sorgo, milho, capim e outros. Portanto, a palma forrageira é rica em carboidratos solúveis que são utilizados pelos microrganismos para síntese de proteína.

RESULTADOS

Pela Tabela 1, a dieta contendo 20% palma forrageira com 2% de inoculação da levedura, na terminação de cordeiros, proporcionou melhores resultados de ganho de peso diário (0,494 kg animal- 1), conversão alimentar (2,5) e consumo diário de matéria seca (1,2 kg
Entenda porque Bahia Red Sindhi
animal-1), obtidos no período de 14  dias de confinamento. A palma forrageira enriquecida com levedura resulta em um bioproduto de alto valor agregado para ser utilizado na alimentação de cordeiros em terminação. Obteve-se teor proteico de 9,7 a um custo de R$ 0,15 por quilo do bioproduto, inoculando a levedura a 2% do total de substrato (Tabela 2). Comparativamente, uma tonelada do bioproduto custa R$ 150,00 enquanto a mesma quantidade de milho e sorgo, em grãos, custa R$ 800,00 e R$ 520,00, respectivamente, demonstrando a viabilidade econômica do processo de bioconversão da palma forrageira por meio da levedura Saccharomyces cerevisiae.

CONCLUSÕES

·A bioconversão da palma forrageira em bioproduto de alto valor agregado, similar ou melhor do que alguns concentrados convencionais, é uma alternativa alimentar para os sistemas de produção animal no semiárido.

·O tratamento da palma forrageira com inoculação de 2% de levedura é economicamente viável e proporciona um enriquecimento cerca de 100% do teor de proteína bruta em relação ao valor encontrado na forma in natura.
Fonte: Tecnol. & Ciên. Agropec., João Pessoa, v.1, n.1, p.59-61, set. 2007

1 de jan. de 2017

RETROSPECTIVA E PERSPECTIVAS DE CRUZAMENTOS NO BRASIL



Kepler Euclides Filho - Embrapa Gado de Corte

Geraldo Ramos de Figueiredo - Embrapa Gado de Corte 
1. Introdução

Analisando-se a pecuária de corte de regiões tropicais percebe-se que a produção de bovinos com esse propósito vem sendo baseada, de modo geral, em genótipos de origem zebuína ou com grandes proporções de genes de animais Bos indicus. Além da relação direta com o clima, essa predominância pode ser creditada a várias razões, algumas das quais contaram ou ainda contam com a participação proposital do homem. Dentre elas, válida especialmente para o continente africano e Índia, podemos destacar a que diz respeito à presença de animais dessa espécie, quer sejam nativos por origem, ou mesmo introduzidos há centenas de anos, e portanto, totalmente adaptados; a segunda razão é resultante de introduções de animais dessa espécie seguida de cruzamentos absorventes. Nesse caso, grande parte do sucesso, pelo menos o inicial, fundamentou-se, muito
possivelmente, nos benefícios da heterose obtida com os primeiros cruzamentos e provavelmente, na combinação fortuita de efeitos genéticos aditivos importantes. Um dos maiores exemplos dessa situação pode, de modo geral, ser observado na América Latina Tropical e, particularmente, no Brasil onde a presença de bovinos de origem européia já era constatada nas primeiras décadas após seu descobrimento. Esses animais e seus descendentes, oriundos de cruzamentos ou não, tiveram e têm importância fundamental na ocupação, no desbravamento, na colonização, na alimentação, no trabalho, no transporte, enfim, no desenvolvimento do país. Mais recentemente, além de continuarem marcando presença, passaram a se constituir em importantes componentes de uma cadeia produtiva de fundamental importância social e econômica para diversos países localizados em regiões tropicais e subtropicais. Provavelmente, a definitiva introdução do Zebu indiano no Brasil tenha ocorrido por volta de 1903, a partir de observações e estudos realizados pelo


Zootecnista Joaquim Carlos Travassos, citado por Santhiago, A.A (1986). Utilizando-se, principalmente, do periódico Tropical Agriculturist surpreendeu-se com o fato de os ingleses, colonizadores do Ceilão, não tivessem introduzido ali um só exemplar das raças inglesas, povoando o país apenas com gado indiano. Posteriormente, concluiu que na Índia existia inúmeras raças de gado com boa conformação para peso e produção de leite, que, embora não pudessem rivalizar com as raças européias, melhoradas ha mais de séculos, tinha a vantagem incontestável da grande rusticidade e a resistência aos principais parasitos presentes em nossas condições de clima mais ou menos semelhantes às das regiões de origem. Pode-se concluir, a partir das observações dos estudiosos da época, que as raças zebuínas deixavam a desejar nos aspectos produtivos quando comparadas às européias que, entretanto, não se adaptavam às condições médias do clima tropical. Um século depois, e principalmente nas duas últimas décadas, as diferenças de desempenho
produtivo entre as raças continuam existindo, mas se estreitaram de forma significativa, como resultado dos trabalhos de criadores isolados, associações, instituições de ensino e pesquisa, de técnicos em geral e a mudança de filosofia em julgamento de animais que, além das características raciais, passaram a dar importância aos aspectos relacionados à produtividade. Estas ações têm contribuído efetivamente para a melhoria genética dessa espécie resultando em aumento da produtividade final do setor. A busca por genótipos adaptados às nossas condições médias de clima e com características produtivas semelhantes aos dos animais europeus, provenientes de processos de seleção seculares, é um anseio antigo e exacerbado nos dias de hoje em função das mudanças que vêm ocorrendo na economia mundial com reflexos em todos os setores da economia, particularmente no da pecuária de corte. Segundo Euclides Filho & Cezar (1995), as dificuldades de se incorporarem novas áreas ao processo produtivo; o fortalecimento do Mercosul a competitividade de outras carnes e a necessidade de estruturar sistemas de produção que sejam produtivos e sustentáveis, induziram profundas mudanças no perfil tecnológico da pecuária de corte. Neste novo cenário, todo e qualquer empresário da pecuária de corte, para se manter no negócio, deve tornar a atividade competitiva, eficiente e eficaz. Dentro desta nova perspectiva, o uso de cruzamentos entre Bos taurus e Bos
indicus deve ser analisado como forma de se aumentar a produção e a produtividade de carne de qualidade em nossas condições. Diversos trabalhos, dentre eles, os de Euclides Filho et al. (1994); Rosado et al. (1991a); Norte et al. (1993); Silva & Pereira (1986); Filten et al. (1988); Manzano et al. (1986); Ribeiro & Lobato (1988); Alencar et al. (1994); Barcellos & Lobato (1992), indicam melhores desempenhos de animais mestiços em relação aos puros. Apesar disto, o uso desta ferramenta como forma de se obter melhorias no segmento da pecuária de corte, tem sido motivo de controvérsias: no passado, provavelmente devido à não observância do adequado ajuste do binômio genótipo ambiente, uso de programas sem objetivos definidos, mão-de-obra e infra-estrutura inadequadas, o não atendimento das maiores exigências nutricionais de animais com maiores potenciais de desempenho, etc. fizeram que muitos produtos mestiços fossem, pejorativamente, denominados “tucuras”. Atualmente, ao lado destes entraves que, ainda não foram totalmente resolvidos pelos diversos segmentos da cadeia produtiva, surgiram outras ameaças aos mestiços; os criadores de animais puros zebuínos modernizaram seus critérios de seleção priorizando características de importância econômica, como fertilidade, qualidade de carne, ganho de peso, rendimento etc. e passaram a utilizar de programas de seleção modernos e eficientes. Como resultado, observamos o grande incremento em produtividade obtido pelos Zebu, constituindo, também, em alternativa segura para os produtores comerciais. Além disto, a colocação na indústria frigorífica de uma grande quantidade de animais mestiços provenientes de outra atividade, animais estes, sem as características desejáveis para corte, causaram certa retração no mercado de mestiços, desestimulando os criadores que utilizam de cruzamento industrial para produzir carne de qualidade de forma eficiente. Dentro deste cenário, a decisão de adoção desta ferramenta , mais do que nunca, deve ser
precedida de criteriosa análise do sistema de produção e dos diversos segmentos componentes da cadeia produtiva. A heterose é, e continuará sendo, uma importe forma de melhoria dos índices produtivos, porém, não pode ser indicada com solução eficiente para todos os sistemas de produção, principalmente para o Brasil, país de dimensões continentais e, consequentemente com grandes diferenças climáticas. As indicações do uso de cruzamentos devem ser reorientadas no sentido de demonstrar suas vantagens em ambientes propícios com o foco principal na produção de carne de qualidade, sem contudo, desmerecer as demais vantagens que esta ferramenta pode oferecer quando centrada em projetos bem elaborados.

2. Principais trabalhos de cruzamentos realizados no Brasil.

2.1. Cruzamento Absorvente

PRODUTOS BRS

Provavelmente, tenha sido a primeira experiência de aplicação desta tecnologia no Brasil. Os pecuaristas e os estudiosos de zootecnia, logo após as primeiras importações, se aperceberam do melhor desempenho dos animais provenientes da Índia e optaram pela substituição da genética predominante no país, por outra que proporcionasse melhores ganhos. Este tipo de cruzamento, também chamado de contínuo, consiste na utilização sistemática de touros da nova raça que se deseja estabelecer sobre fêmeas da raça que se deseja substituir, onde, os machos das gerações subsequentes são, sistematicamente encaminhados ao abate e as fêmeas são utilizadas na reprodução, aumentando progressivamente a percentagem de sangue melhorador. Segundo Santiago, A.A. (1975), este é o recurso mais simples e menos dispendioso para a gradual substituição de populações, evitando despesas de importações maciças de reprodutores e problemas de adaptação ao novo meio ambiente. De modo geral, os produtos da quinta geração são considerados puros por cruza(PC), ou seja, a raça que serviu de base ao cruzamento foi completamente absorvida pela raça melhoradora.

3. Cruzamentos visando formação de novas raças.

3.1. O Indubrasil 
Com o aumento do efetivo zebuíno, obtido por importações ou através de cruzamentos absorventes e as dificuldades de novas importações de gado da índia impostas pela Peste bovina, os criadores da época, principalmente os do Triângulo Mineiro, passaram a buscar novas alternativas de melhoria dos planteis existentes. Observaram, então, que os produtos oriundos de acasalamentos entre raças, apresentavam melhores desempenhos de pesos, ganhos de peso e precocidade, uma conseqüência benéfica dos efeitos da heterose. Segundo Santiago, A.A.(1975), desses acasalamentos, a princípio desordenados, surgiu um novo tipo, de pelagem geralmente branca ou cinza, orelhas muito grandes, cupim e
barbela bem desenvolvidos. O desconhecimento dos padrões das raças zebuínas e as dificuldades de distinguir os Zebus puros de mestiços de alta cruza com gado europeu levaram a maioria dos criadores a darem maior importância a animais com as características deste novo grupamento, ou seja, com barbela e umbigos avantajados, cupim volumoso e orelhas grandes e pendulosas. Esta era a forma de se diferenciar Zebu de europeu. Os trabalhos de formação e seleção da nova raça ocorreram com mais intensidade na região de

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