17 de out de 2018

CONTRIBUIÇÃO DO NORDESTE PARA A RAÇA SINDI

Por: Paulo Roberto de Miranda Leite  
Paulo Roberto de Miranda Leite
A raça Sindi vem crescendo em todas as regiões brasileiras, e nossa Associação em expansão permanente. As demandas por novas ações, desde provas zootécnicas, novas pesquisas e experimentos, além da necessidade de promoção e divulgação, criando-se novos mercados e em consequência a incorporação de novos criadores, traz a necessidade de trabalharmos mais e de mãos dadas pela raça. Sabemos que o Sindi é para o semiárido brasileiro um precioso instrumento zootécnico ou biológico de rara qualidade, que veio como redenção para tornar a pecuária bovina do Nordeste em algo sustentável e econômico. A raça Sindi através de séculos de seleção nas terras áridas da Ásia, transformou-se na raça bovina mais apta para nosso semiárido. Aqui ela vem desenvolvendo e testando todas suas qualidades: rusticidade e adaptabilidade as inclemências edafoclimáticas da região, conversão alimentar extra, fertilidade, dupla aptidão e potencial como material para cruzamentos. O Nordeste toma-se de esperança com a expansão desse extraordinário Gado Vermelho, novo patrimônio dos criadores brasileiros e da ABCSindi. Com a incorporação de novos criadores de Sindi e suas demandas em todo o vasto território pátrio, precisamos incorporar novos mecanismos de atendimento e cooperação entre criadores e regiões, facilitando e apoiando as ações da ABCSindi. Como parte de imenso pais, o Nordeste se caracteriza especialmente pela predominância da grande
área semiárida, as chamadas áreas de sequeiros, tradicionalmente aproveitadas para uma pecuária de
sobrevivência (caprinos, ovinos e bovinos) e aproveitamento de outros produtos silvestres. Também temos várzeas no litoral da cana de açúcar e vales de boas terras agricultáveis no interior da região, onde são produzidas frutas e outras culturas através da irrigação.   Mas é com foco nas extensas áreas de sequeiros, onde predominam as baixas e incertas precipitações pluviométricas, é neste ambiente hostil à agricultura tradicional, que se descortina a possibilidade de uma pecuária bovina sustentável que poderá e será viabilizada através de raças zootecnicamente superiores para essas condições. Essa raça bovina eleita e aprovada para cumprir essa missão, foi a “raça Sindi” pelo seu desempenho e avaliação em 38 anos de testes nos currais das fazendas do semiárido e nas Instituições Oficiais de Ensino e Pesquisas inseridas na região e que avaliam e comprovam as qualidades zootécnicas superiores da raça para regiões tropicais semiáridas. Estamos hoje em pleno funcionamento institucional dos dois escritórios sedes da ABCSindi no Brasil, Uberaba-MG e João Pessoa-PB. Além desses escritórios, temos agregados aos interesses da raça na região, dois importantes Núcleos: - Núcleo Nordeste de Criadores de Sindi, que desde 2015 tem sede no Estado da Bahia; - Núcleo de Criadores de Sindi do Rio Grande do Norte, sediada em Parnamirim-RN. Essas estruturas são complementadas pelas instituições oficiais da região que dão suporte técnico e didático para a raça Sindi.  O Sindi é a raça zebuína mais bem avaliada pelas organizações de pesquisas internacionais e também no
nosso país na atualidade. São inúmeros rebanhos de instituições oficiais e privadas em avaliação, gerando publicações técnicas e acadêmicas. A raça está fadada a ser uma das bem mais avaliadas do mundo, e com o entusiasmo como está sendo conduzida e criada (selecionada) em nosso país, breve capitalizaremos importantes dividendos zootécnicos.  Em Pernambuco: -EMBRAPA SEMIARIDO, localizada em PetrolinaPE, que vem preservando e multiplicando os descendestes da importação do Paquistão de 1952, e avaliando condicionantes climáticas que comprovem a extraordinária rusticidade da raça. É um núcleo de elevado valor genético estratégico. Na Paraíba: Estão duas instituições oficiais de ensino e pesquisa que mantem rebanhos da raça Sindi em avaliações permanentes, além de disponibilizarem seus produtos através de leilões públicos anuais, que são: - Universidade Federal de Campina Grande- Campus de Patos/PB; - Empresa Estadual de Pesquisa


Agropecuária da Paraíba SA (EMEPA-PB), com um núcleo de elite da raça Sindi, sendo avaliado na Estação Experimental de Alagoinha-PB. No Rio Grande do Norte: A Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária (EMPARN), mantem um rebanho da raça Sindi em avaliações permanentes, realizando um leilão anual de seus produtos. São quatro instituições oficiais integradas as demandas da região e que elegeram a raça Sindi como prioridade de pesquisas zootécnicas, envolvendo dezenas de pesquisadores.
Complementando essas ações oficiais, os governos dos Estados da Bahia, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Sergipe, com a participação do setor privado representado por dezenas de criadores e selecionadores, criaram mecanismos de promoção e divulgação da raça Sindi em escala ascendente. Após esses 38 anos de atividades em prol da raça a ABCSindi, os núcleos e criadores unidos transformaram a região na terra do gado vermelho. Em 2018, são pródigos os eventos pela raça na região, com destaque especial para o “Dia D”, da Fazenda Carnaúba em Taperoá-PB, hoje o maior e mais importante evento do agronegócio nacional dedicado a pecuária das regiões semiáridas, que tem a raça Sindi como produtora de leite, sua principal estrela entre os bovinos. São dezenas de raças de ovinos, caprinos, bovinos e aves; de tecnologias e produtos derivados e agregados aos sistemas de produção da região. Uma iniciativa da família Dantas Vilar com o apoio de órgãos e intuições públicas e privadas.  As exposições estaduais tornaram-se referências para raça Sindi a nível nacional. Este ano já foi realizada a 5ª Exposição Nordestina da Raça Sindi, durante a 52ª Paraíba Agronegócios, com dois leilões da raça: o 3º Leilão Sindi Pompeu Borba e o Leilão Anual da EMEPAPB.  Foi também palco de uma grande homenagem ao insigne criador POMPEU GOUVEIA BORBA, falecido este ano e que contou com a presença do presidente da ABCSindi, Ronaldo Bichuette, do diretor da CNA, Mario Borba, do Secretário da Agricultura da Paraíba, Romulo Montenegro e dezenas de convidados, familiares e amigos. No Rio Grande do Norte: -Iremos ter durante a Festa do Boi, em Parnamirim-RN, a realização da XVI Exposição Nacional
da Raça Sindi, com centenas de animais expostos e dois leilões da raça. A tempos que a Festa do Boi é considerada o maior evento da raça Sindi do mundo, a maior concentração de bovinos dessa raça vermelha em julgamento e exposição. Breve, a Festa do Boi se transformará em um evento Internacional da raça. Na Bahia, Piauí e Ceará: - Aconteceram as exposições com presença marcante da raça Sindi.  Breve teremos em Recife-PE a Exposição Nordestina de Animais e Produtos Derivados, com forte presença da raça Sindi. Compartilhando com tudo isso estão centenas de criadores dessa raça na região, grandes e tradicionais selecionadores, médios e até pequenos criadores, que entusiasmados pelas qualidades da raça, participam de palestras e reuniões e são permanentes adquirentes desses animais. A raça Sindi no Nordeste vem se constituindo em um produto de integração social. Podemos afirmar que nestes últimos 38 anos, o Nordeste contribuiu para expandir e divulgar a raça Sindi, oferecendo genética diferenciada e participando do entusiasmo e grande poder de multiplicação do Sindi, nas grandes regiões criatórias do Sudeste, Centro-Oeste e Norte do Brasil, onde hoje se localizam as grandes fazendas de seleção e de cruzamentos industriais que se integram    e passam a participar da cadeia produtiva da pecuária de corte nacional com sucessivos avanços zootécnicos e comercias. Essa é nossa missão, como criadores dessa joia zootécnica, que tem o nome de “RAÇA SINDI”. 


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1 de out de 2018

Rebanhos do Núcleo Nordeste de Criadores de Sindi 52 avaliados para leite A2


O Núcleo Nordeste de Criadores de Sindi 52, participou de pesquisa promovida pela Universidade Federal da Bahia realizada pelo Professor Doutor Gregório Miguel Ferreira de Camargo, intitulada: " Produção de leite A2 com bovinos da raça Sindi: promoção de renda no semiárido". Foram avaliados 200 animais de diversos associados e o alto índice (entre 85 e 100%) de resultados para A2 A2, foi mais uma comprovação da excelência do Sindi como raça produtora de leite.

Participaram desse projeto, iniciado no 1° semestre de 2018 e concluída em setembro de 2018, os planteis:

Aridus - SE
Bahia Red  Sindi – BA
Barra dos Dantas - PB
Carnaúba – PB
Hybernon - PB
Karashi- BA

Professor Doutor Gregório Miguel Ferreira de Camargo
Graduação: Zootecnia (Unesp-Jaboticabal) Mestrado: Genética e Melhoramento Animal (Unesp-Jaboticabal) Doutorado: Genética e Melhoramento Animal (Unesp-Jaboticabal), doutorado sanduíche: Universidade de Queensland (Austrália)



ADEUS, ALERGIA!
Produção de leite sem proteína alérgica depende da seleção de zebuínos e ainda engatinha no Brasil
Por Diene Batista (Revista Safra)
Um copo de leite pode ser um problemão para muita gente, seja pela falta da enzima lactase, o que provoca a intolerância ao alimento, seja pela alergia à proteína betacaseína tipo A1. A reação imunológica do corpo gera reflexos na pele, no sistema respiratório, além de constipação e de dores abdominais. Mas a seleção de animais que produzem leite A2 pode colocar fim nas alergias por causa da bebida.
Os zebuínos – como gir, sindi, guzerá 
e girolando – são os mais adequados
Os zebuínos – como gir, sindi, guzerá e girolando – são os mais adequados para esse tipo de manejo, como explica o pesquisador da área de bioinformática e melhoramento animal da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), unidade Gado de Leite, Marcos Vinicius Barbosa da Silva. Hoje, a instituição faz a genotipagem do gado para seus programas de melhoramento. Os testes genéticos verificam se os animais são homozigotos – com alelos (genes) A2A2 – ou heterozigotos – A1A2.
Pesquisas já comprovaram que nos zebuínos o gene A2 aparece em pelo menos 70% do rebanho. Nos taurinos, o alelo está presente em apenas 30% da população. “Os taurinos da raça holandesa, por exemplo, são maiores produtores de leite, mas a frequência do alelo A1 é muito grande. O trabalho [de selecionar um rebanho A2] é muito mais rápido e barato nas raças zebuínas”, compara.
Estância Silvânia, em São José dos Campos
A genotipagem dos zebuínos também chama a atenção de laboratórios como o mineiro Gene/Genealógica, de Belo Horizonte, que desenvolveu uma nova metodologia focada no baixo custo. O valor da checagem pelo lote de animais gira em torno de R$ 35 e são analisadas amostras dos pelos dos zebuínos. “Os produtores de leite estão se empenhando na melhora da qualidade. O mercado está mais exigente o que, sem dúvida, vai proporcionar produtos mais saudáveis feitos com leite A2”, analisa a diretora do laboratório, Helena Bicalho.
Rebanho “lapidado”
Selecionar o rebanho até que ele se torne completamente A2 pode levar anos. Mas a demora, muitas vezes, é aliada do bolso do produtor, como explica o pesquisador da Embrapa Gado de Leite. É que os custos, como o da compra de animais A2A2, são diluídos ao longo do tempo. Para formar um rebanho com zebuínos com betacaseína A2, dois caminhos podem ser tomados.
Primeiro, o do descarte. Inicialmente, as vacas A1A1 são retiradas do plantel. Depois, os animais A1A2 também saem, dando lugar aos A2A2. O outro processo é do acasalamento: fêmeas A1A2 e A2A2 são juntadas com touros A2A2. “É um processo demorado, mas que se torna mais barato para o produtor, porque o investimento acontece ao longo do tempo”, frisa.
A diretora do Gene/Genealógica, Helena Bicalho, explica que o produtor pode também aproveitar as “características interessantes” dos animais com genes A1 por meio do acasalamento. “Uma vaca A1A2, com boas características, pode ser acasalada com um touro A2A2. Em média, 50% dos produtos serão A2A2. Se o produtor tiver que descartar, descarta o outro, que é A1A2”, exemplifica.
Segundo Silva, a questão genética já não é mais um entrave para a produção de leite não-alérgico. A principal dificuldade diz respeito à estrutura que a comercialização do produto demanda. “Não adianta produzir o A2 e, quando o caminhão da cooperativa chegar na propriedade, misturá-lo com o A1”, exemplifica. O ideal é processar o leite A2 com uma estrutura do próprio criador ou de cooperativas.
Pioneirismo
Essa é uma tendência mundial, que em algumas
décadas será concretizada como uma mudança
de condição dos animais produtores
Foi exatamente o que fez o produtor e médico-veterinário Eduardo Falcão, da Estância Silvânia, em São José dos Campos, na região do Vale Paranaíba, em São Paulo. Em novembro do ano passado, lançou o primeiro produto A2 brasileiro. No laticínio que ele arrendou, são produzidos queijos, iogurtes e manteigas com leite de animais da raça gir leiteiro, com a qual sua família trabalha há mais de 55 anos.
“Hoje, só trabalhamos com o subproduto. A questão da industrialização do leite foi aprovada há pouco tempo e estamos prestes a concretizá-la. Queremos fazer um produto até mesmo visualmente diferenciado, que será industrializado dentro da propriedade e sairá pronto para o comércio. Para isso, estamos aguardando a construção de uma granja leiteira”, adianta, prevendo que até o final deste ano o leite deve chegar ao mercado.
O trabalho pioneiro foi iniciado há cerca de oito anos, quando soube, por meio de um nutrólogo, sobre o leite com a betacaseína A2. Além do produto não alérgico, ele investe ainda na qualidade do rebanho: o gado é criado a pasto, sem uso de hormônios. “Os produtores já estão inteirados dessa questão [da genotipagem]. Acredito no trabalho da classe médica para esclarecer a população sobre os benefícios do leite A2. Essa é uma tendência mundial, que em algumas décadas será concretizada como uma mudança de condição dos animais produtores”, analisa.
A Estância Silvânia tem 250 animais da raça gir leiteiro produzindo A2. A meta de Falcão é obter 60 vacas em produção, com mil litros diários. Hoje, são 40 animais, com 700 litros. “O maior desafio é chegar ao consumidor. Embora a gente tenha um produto de excelente qualidade, ainda há entraves de legislação e é tudo muito moroso, mas estamos trabalhando para melhorar isso”, detalha ele, que também é diretor da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), se referindo ao diálogo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para a criação de normas sobre a industrialização do leite A2.
Projeto-piloto no RS
No Rio Grande do Sul, o Sindicato da

7 de set de 2018

5 perigos da desertificação no Semiárido brasileiro

Por Letras AmbientaiFonte: http://www.letrasambientais.com.br/posts/5-perigos-da-desertificacao-no-semiarido-brasileiro

Dona Marilene é uma agricultura que vive nos Cariris paraibanos, uma das microrregiões mais secas do Brasil, cujas terras já se encontram em avançado processo de desertificação. Junto com seu esposo Manoel e seus dois filhos, ela já viveu dias felizes e de fartura naquele lugar. Porém, nos últimos cinco anos, a família amargou as consequências de uma devastadora seca. As dificuldades para conseguir água a longas distâncias, a carestia no preço dos alimentos, a falta de chuvas e de terras férteis para produzir e criar animais fez com que seu Manoel partisse para São Paulo. Em busca de alguma fonte de renda para garantir o sustento da família, lá não demorou a encontrar uma ocupação de ajudante de pedreiro. Este ano, com a volta das chuvas aos Cariris, ele já se prepara para regressar à sua terra, trazer de volta a alegria da família reunida e retomar suas plantações, embora saiba que seu pedaço de terra já não é tão produtivo como antigamente.
Terra improdutiva, falta de água, de animais e de vegetação. Essa realidade é comum às áreas que se encontram em processo de desertificação. É o caso do local onde vive a família de dona Marilene, situado no Semiárido brasileiro. Com mais de um milhão de quilômetros quadrados de extensão, a região é considerada uma das maiores áreas do mundo suscetível ao processo. A desertificação é provocada pela degradação das terras nas zonas áridas, semiáridas e subúmidas secas, em função de fatores naturais e também pela ação humana (desmatamento e uso intensivo da terra para cultivo e pastagens sem técnicas de conservação adequadas). 
No último dia 15 de abril, foi celebrado no Brasil o Dia Nacional da Conservação do Solo. Porém, temos poucos motivos para comemorar, sobretudo por estamos diante de um alerta relacionado às sérias ameaças do processo de desertificação. 
Segundo um Relatório da Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO, sigla do inglês), publicado em 2016, atualmente, 33% dos solos do mundo estão comprometidos pela degradação, atingindo a vida de mais de 2,5 milhões de pessoas. Além disso, em algum nível, a desertificação afeta a economia e a população de um sexto da população do Planeta, que representa mais de 1 bilhão de pessoas.
Os especialistas também chamaram atenção para a situação da América Latina, onde cerca de 50% dos solos estão sofrendo algum tipo de degradação (erosão, salinização, compactação, acidificação e contaminação). No Brasil, os principais problemas encontrados são erosão, perda de carbono orgânico e desequilíbrio de nutrientes, além de salinização, poluição e acidificação. Entre outros prejuízos, como perda de fertilidade, os solos degradados captam menos carbono da atmosfera, interferindo nas mudanças climáticas. A degradação dos solos, de forma intensiva, tem levado ao avanço da desertificação, um grave risco socioambiental, cujo processo é difícil de se reverter, sendo fundamental combater diretamente suas causas.
Desertificação: um processo irreversível?
Você sabe como uma área se torna gravemente deteriorada ou em processo de desertificação? Tudo começa pelo desmatamento ou a retirada da cobertura vegetal, que expõe os solos às diversas intempéries da natureza, a exemplo da forte insolação ou das chuvas concentradas, aumentando a erosão do solo e a perda da matéria orgânica que alimenta as plantas. O desmatamento descontrolado também reduz as chuvas e a retenção da umidade, contribuindo para transformar áreas produtivas em inférteis. Como consequência, muitas espécies nativas são perdidas e ainda acontece a migração da população rural para centros urbanos.
Os principais vetores do processo de desertificação no Semiárido brasileiro são: extração da biomassa florestal para atender à demanda da matriz energética, que responde por 30% da energia regional; atividades de mineração, cerâmica, agricultura e pecuária sem critérios de manejo sustentável, na maioria das vezes, desenvolvidas com técnicas inadequadas; e projetos de irrigação sem manejo adequado, que degradam e salinizam os solos.
No Brasil, as Áreas Susceptíveis à Desertificação (ASD’s) compreendem cerca de 1.340.863 Km2 (16% do território brasileiro), abrangendo 1.488 municípios (27% do total), incluindo territórios dos nove estados do Nordeste, e de dois do Sudeste (parte de Minas Gerais e do Espírito Santo). Mais de 30 milhões de pessoas (17% da população brasileira) são atingidas pelo processo. O processo ocorre nas áreas Semiáridas, Subúmidas Secas e em Áreas do Entorno, nas quais a razão entre a precipitação anual e evapotranspiração potencial está compreendida entre 0,05 e 0,65.
As áreas mais críticas estão nos Núcleos de Desertificação, cujos solos já estão degradados de forma extremamente grave, um processo de desertificação praticamente irreversível.
São eles: Gilbués (PI), Seridó (RN/PB), Irauçuba (CE), Cabrobó (PE), Cariris Velhos (PB) e Sertão do São Francisco (BA). Em visita à dona Marilene, que vive nos Cariris paraibanos, um dos Núcleos de
Desertificação no Semiárido. 
Fonte: Lápis.
Desertificação do Semiárido, pudemos observar a complexidade do problema, que atinge milhares de outras famílias na região. No livro
“Um século de secas: por que as políticas hídricas não transformaram o Semiárido brasileiro?”, os autores abordaram o problema da desertificação no Semiárido brasileiro, tendo validado a pesquisa sobre políticas para a seca nas microrregiões dos Cariris paraibanos.
Desertificação: monitoramento e políticas
Apesar da importância e urgência de ações para minimizar os impactos da seca, bem como conter os principais vetores da desertificação, existe uma lacuna muito grande de conhecimentos e dados confiáveis a respeito do assunto. Uma das principais fontes de referência encontradas foram os dados de monitoramento por satélite sistematizados pelo Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis). O levantamento indica que os níveis de degradação em relação às áreas totais dos estados do Semiárido estão distribuídos da seguinte forma: Alagoas (32,8%), Paraíba (27,7%), Rio Grande do Norte (27,6%), Pernambuco (20,8%), Bahia (16,3%), Sergipe (14,8%), Ceará (5,3%), Minas Gerais (2,0%) e Piauí (1,8%).
Ainda não existe um projeto consistente de combate à desertificação no Brasil, não obstante a gravidade do problema. Em 2004, foi elaborado o Plano de Ação Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (Pan-Brasil), com envolvimento da população atingida e dos estados, visando definir soluções para prevenir e amenizar os impactos do processo. Além disso, o País é signatário da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD). Todavia, embora a maioria dos estados com territórios degradados tenha elaborado seu plano de ação, pouco foi feito efetivamente para conter o avanço do processo.
Recentemente, foi instituída uma Política Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (Lei nº 13.153/2015), prevendo várias providências relacionadas à questão.
Dentre os objetivos da recente legislação, estão: prevenir e combater a desertificação e recuperar as áreas em processo de degradação da terra, em todo o território nacional; prevenir, adaptar e mitigar os efeitos da seca; instituir mecanismos de proteção, preservação, conservação e recuperação dos recursos naturais; estimular pesquisas científicas e tecnológicas; promover a educação socioambiental dos atores sociais envolvidos na temática do combate à desertificação.

A instituição dessa Política representou um avanço nas diretrizes para tratar do problema da desertificação e da convivência com a seca no Brasil. No entanto, a legislação continua sem regulamentação, de modo que pouco tem sido feito para se evitar o aumento da degradação dos solos nas áreas suscetíveis à desertificação. Os projetos de desenvolvimento sustentável para o Semiárido brasileiro deveriam

1 de ago de 2018

NA TEORIA É UMA COISA, NA PRÁTICA, É A MESMA COISA!!!


POR RODRIGO GREGÓRIO
DA SILVA (16/11/2006)
Neste pequeno manuscrito, iniciamos uma discussão que, a nosso ver, vem sendo realizada de forma equivocada, displicente ou mesmo irresponsável. O conhecimento, em especial o científico, é fundamental para todos aqueles que desejam desenvolver uma atividade cuja maior virtude, por exemplo, é o saber. Ou seja, saber usar a informações, o conhecimento, como forma de melhor desenvolver seus projetos. Nesse contexto procuramos relatar um fato que já há algum tempo vem nos incomodando. Não vamos procurar aqui ser partidários, mas sim justos. Quem nunca presenciou alguém do alto de sua sabedoria expressar a ideia que 'na teoria é uma coisa, mas na prática é bem diferente'?

Acreditamos que essa ideia não seja bem acertada, que o conhecimento científico, aplicado na forma de tecnologias, não seja portador de condições que lhes capacite a resultar em melhorias, em incrementos, em aumento da eficiência dos sistemas nos quais serão usados. É bem verdade que várias tecnologias disponibilizadas pelos mais variados autores e/ou centros de produções não sejam capazes de resultar em melhorias em sistemas de produção aos quais se destinam. Mas acreditamos que os maiores responsáveis por esses acontecimentos são: os 'inventores dos conhecimentos milagrosos de má índole', seus repassadores inocentes, ou não, e os incríveis e sábios aplicadores, conhecedores na prática de tudo.
 "Mas acreditamos que os maiores responsáveis 
por esses acontecimentos são: os 'inventores 
dos conhecimentos milagrosos de má índole', seus 
repassadores inocentes, ou não, e os incríveis e 
sábios aplicadores, conhecedores na prática de tudo".
Ao se permitir e fortalecer esse pensamento, estamos criando uma falsa ideia de que os resultados gerados nas ciências e em especial nas agrárias não possuem capacidade de repetição além dos muros dos centros de desenvolvimento científico. E assim abrimos as portas para a velha afirmativa acima questionada, abrimos as portas para aqueles que se vangloriam dos incríveis resultados obtidos por meio das proezas práticas resultantes das cópias. Se em outras áreas a auto-medicação é um problema, nas agrárias parece ser a solução, ao menos é o quem vêm sendo revelado pelos atos de muitos técnicos desinformados ou de 'sábios' produtores. Planejar um negócio, definir seus objetivos, traçar suas metas, realizar avaliações e tomar decisões são bem mais que copiar um espaçamento entre aspersores ou linhas de cultivo, em importar uma nova variedade de planta ou raça milagrosa, em decidir se compra uma mula preta ou um cavalo alazão.
A falsa ideia de que o conhecimento prático é tudo em um sistema de produção é no mínimo ingenuidade. O abandono ou negação dos conhecimentos técnico-científicos em detrimento ao conhecimento prático é o principal responsável pelo atraso tecnológico verificado na grande maioria das unidades de produção, melhor, de extração ou de coleta de produtos oriundos da terra. As verdadeiras unidades de produção, com perfil de empresa moderna, que busca eficiência no processo produtivo objetivando aumentos nos seus lucros, acompanham de perto o desenvolvimento científico, utilizando as recém desenvolvidas tecnologias, conseguindo incrementos significativos nos seus lucros, permanecendo competitivas num ambiente de mercado aberto, onde os eficientes permanecerão.
"Se em outras áreas a auto-medicação é um problema, nas agrárias
parece ser a solução, ao menos é o quem vêm sendo revelado pelos
atos de muitos técnicos desinformados ou de 'sábios' produtores".
Finalizamos afirmando que na teoria é uma coisa e na prática é a mesma coisa, basta ter a capacidade de entender as tecnologias, de saber como, onde e quando aplicá-las, basta ter a capacidade necessária para realizar um diálogo de saberes onde a teoria e a prática caminham juntas, de mãos dadas, buscando a obtenção de melhorias sejam elas técnicas, financeiras, ambientais e sociais. Mas que fique claro, a teoria é a descrição do que ocorre na prática e a prática é a aplicação do que diz a teoria. E guardados os ajustes inerentes aos processos, são iguais!



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As ilustrações não são do autor.

4 de jun de 2018

AS MAIS BELAS FOTOGRAFIAS DE UM REBANHO


Fonte: Qualitas Melhoramento Genético

https://qualitas.agr.br/

Autor

Sou realmente fã de fotografias dos rebanhos dos nossos parceiros, principalmente quando elas são feitas por profissionais e não por amadores como eu. É o caso da foto acima, tirada pelo José Maria, que consegue captar momentos realmente espetaculares dos animais. A beleza própria dos animais e, especialmente no caso desta foto, o movimento que ficou congelado, é algo realmente fascinante e que me remete às exigências do grande artista do século XVI, Leonardo da Vinci. Para trabalhar suas pinturas, Leonardo foi um profundo estudioso das regras de perspectiva e contraste entre luz e sombras e, antes de pintar um ser vivo, estudava a sua anatomia profundamente, dissecando cadáveres de seres humanos e animais com a mesma minúcia de um estudioso de medicina cirúrgica. Além disso, para ele era imprescindível transmitir os movimentos de seus modelos com perfeição, a ponto do observador da pintura se sentir incomodado sem saber se o modelo representado está ou não sorrindo. Vocês já repararam isso na Monalisa?

Garrotes da Faz. Capivara – Piacatu – SP – foto JMMatos Produções

Agora, acordando dos meus devaneios artísticos e voltando para a realidade da pecuária de corte, gostaria de mostrar algumas fotografias que pouquíssimos pecuaristas têm de seus rebanhos, mas são capazes de apresentar a verdadeira beleza ou, infelizmente, a “feiura” do gado. Estas fotografias são os pilares da seleção dos animais e a garantia de que os animais selecionados são realmente melhoradores. Estou falando do gráfico que representa a distribuição normal, que é considerada a mais importante distribuição estatística, considerando a questão prática e teórica. A distribuição normal é apresentada em formato de sino, unimodal e simétrico em relação a sua média, distribuindo a frequência das ocorrências acima e abaixo da média. Considerando a probabilidade de ocorrência, a área sob a curva soma 100% da amostra.m No caso específico deste texto iremos apresentar os gráficos para três características dos machos nascidos na safra de 2016 da Faz. Capivara de Piacatu – SP, parceira do Qualitas desde 1994. É a mesma fazenda da bela foto acima. Apresentaremos as distribuições normais do peso ajustado aos 210 dias, ganho de peso dos 210 dias até os 450 dias e o perímetro escrotal aos 450 dias de idade. Foram 466 machos desmamados sem receber fornecimento de creep-feeding, ou seja, somente à pasto. Todos os pesos foram ajustados para os 7 meses de idade (210 dias). O ajuste dos pesos é necessário para se comparar corretamente os bezerros, uma vez que eles nasceram em meses distintos (agosto a dezembro de 2016). O peso médio ajustado foi de 226 Kg. E essa é primeira diferença nas fotografias entre os rebanhos dos pecuaristas que fazem melhoramento genético e os que não fazem. O pecuarista que não faz se vangloria em dizer que desmama bezerros acima de 200 Kg mas, geralmente essa desmama ocorre aos 8 ou 9 meses. Com os bezerros da Faz. Capivara, o peso à desmama subiria para 253 Kg, se o ajuste fosse feito para os 8 meses de idade!

Gráfico 1 – Distribuição normal dos pesos ajustados aos 210 dias

– machos nascidos em 2016 – Faz. Capivara – Piacatu – SP.

No eixo X estão as quantidades de bezerros e no eixo Y os pesos

Por meio deste gráfico conseguimos realmente ver como foram os bezerros desmamados da fazenda. A parte feia da foto, são os bezerros desmamados abaixo de 180 Kg. Que neste caso significaram 22 bezerros ou 4,7% do total desmamado. Opa! Mas e na sua fazenda, quantos bezerros são desmamados abaixo de 180 Kg? Do ponto de vista de seleção, podemos classificar os animais acima e abaixo da média, com base em outro fator estatístico, o desvio padrão. Ele mostra a dispersão da população em relação à média. No caso do peso de desmama, o desvio padrão foi de 29 Kg. Quanto maior o desvio padrão, maior a variabilidade dos animais em relação à média. A classificação em elite, superior, regular e inferior é em função do desvio padrão. Animais com até um desvio padrão acima da média são os superiores. E os com até um desvio padrão abaixo da média são os regulares. Estas duas classes representam 72% dos animais. Os animais elites, que apresentam mais de um desvio padrão acima da média, foram os bezerros acima de 255 Kg até 304 Kg. E os inferiores, os que pesaram abaixo de 197 Kg. Essas duas classes representam, cada uma, cerca de 14% dos bezerros. A aplicação prática disso em seleção é a seguinte: elimine a genética dos animais inferiores do rebanho (vacas, bezerros e bezerras), selecione para reprodução as fêmeas e machos superiores e elite. Assim, você estará garantindo o progresso genético no seu rebanho.

Gráfico 2 – Distribuição normal do ganho de peso dos 210 aos 450 dias

– machos nascidos em 2016 – Faz. Capivara – Piacatu – SP.

Da mesma maneira, temos a fotografia dos animais para ganho de peso após a desmama até aos 15 meses de idade. Do ponto de vista de seleção, os animais que interessam são os que ganharam acima 108 Kg ou 0,450 Kg por dia. E quando unimos o peso médio de desmama 226 Kg + o ganho de peso, 108 Kg, temos um peso médio aos 15 meses de 334 Kg. O mais formidável é identificar animais que ganharam até 0,750 Kg/dia, ou 67% a mais que a média, nas mesmas condições! E que os melhores animais estavam acima de 400 Kg aos 15 meses de idade.

Gráfico 3 – Distribuição normal do perímetro escrotal ajustado aos 450 dias

– machos nascidos em 2016 – Faz. Capivara – Piacatu – SP.

A fotografia para perímetro escrotal aos 15 meses mostra uma média excelente de 27,8 cm com animais variando de 20,8 até 35,7 cm. Vejam que a variação é enorme e é isso que viabiliza a seleção e o progresso genético. O desafio é ir aumentando a média para cada característica selecionada, a fim de aumentar as medidas dos animais regulares e inferiores para que, no futuro, estes tenham as medidas dos superiores e elites de hoje. E os animais realmente “TOP”, quem são? Ora, agora que temos as fotografias mais importantes do rebanho conseguimos identificar os animais que são realmente os melhores indivíduos, que combinam peso de desmama, ganho de peso após a desmama e perímetro escrotal. Estes dois machos apresentaram as seguintes medidas:

Eles foram os animais mais pesados aos 450 dias e apresentaram os maiores perímetros escrotais da safra 2016 na fazenda. Agora, o mais importante, os dois são filhos de primíparas que emprenharam aos 14 meses. E desmamaram “bezerrinhos” de 236 e 260 kg, respectivamente. Mas o que isso realmente mostra de importante em termos de seleção? Que a Fazenda Capivara está fazendo o que deve ser feito, descartar os animais inferiores e multiplicar os superiores. E isso faz com que a genética dos animais mais jovens seja superior à dos animais mais velhos. Isso se comprova na próxima tabela:

Os números mostram que, apesar de desmamarem mais leves, os bezerros não só alcançaram, mas ultrapassaram, o peso aos 15 meses dos bezerros filhos das vacas mais velhas, mostrando que o processo utilizado para identificar a melhor genética, privilegiando o ganho após à desmama, realmente está garantindo o progresso genético e, por consequência, aumentando a lucratividade da fazenda. Parabéns e obrigado à Faz. Capivara por nos permitir acompanhar a evolução deste rebanho que é realmente um espetáculo na foto! E a fotografia do seu rebanho, como está? Grande abraço e inté!

27 de mai de 2018

POTENCIAL DE PRODUÇÃO DE LEITE EM PASTAGENS NATIVAS E CULTIVADAS NO SEMI-ÁRIDO

POR: JOSÉ NILTON MOREIRA/GHERMAN GARCIA 
LEAL DE ARAÚJO/CHIRLES ARAÚJO DE FRANÇA
INTRODUÇÃO
O Brasil detém o maior rebanho bovino comercial do mundo e possui 20% de sua área agricultável coberta com pastagem, o que equivale a cerca de 185 milhões de hectares. Entretanto, a taxa de lotação média das pastagens brasileiras é de apenas 0,85 cabeças/ha. Apesar do potencial para a produção animal nos trópicos ser alto, a capacidade atual de produtividade ainda é baixa, representando, no caso do Brasil, apenas 360 kg de leite/ha/ano e cerca de 50kg de carne/ha/ano (CORSI, 1990). No Nordeste, em particular no semi-árido,cuja irregularidade das precipitações entre e dentre os anos é pronunciada, as produções se situam abaixo desses patamares. Como em outros países
da América Latina, no Brasil a pecuária bovina é baseada principalmente em pastagens, constituídas, em sua maioria, pela monocultura de gramíneas, estabelecidas após o desmatamento de floresta ou em substituição a outros tipos de vegetação nativa. O manejo inadequado tem sido uma das principais causas de degradação dessas pastagens, acarretando sérios prejuízos econômicos e ambientais, (VILELA, 2001). Estima-se que cerca de 50% dos 105 milhões de hectares de pastagens cultivadas existentes no Brasil encontra-se degradadas ou em início de degradação, reduzindo a produção anima l e aumentando os custos de produção. Além disso, outros fatores, como sazonalidade da produção de forragens e estresses climáticos, também prejudicam a sustentabilidade da pecuária bovina baseada em pastagens. Os prejuízos ambientais, que incluem perda de solo por erosão, redução da disponibilidade de água, assoreamento de cursos d ́ água e perda da biodiversidade vegetal e animal, são também fatos negativos muito sérios, que têm causado crescente preocupação em diversos setores da sociedade, (VILELA, 2001). 
A zona semi-árida, apesar de possuir solos com fertilidade natural média a alta, tem como principal fator limitante do crescimento das forrageiras um acentuado déficit hídrico na maioria dos meses do ano. Sob tais condições ocorre uma marcante estacionalidade na produção de forragem (RANGEL et al ., 2001), de forma que, para os sistemas se tornarem viáveis, torna-se necessário preservar parte do excedente de forragem produzida no período favorável, seja na forma de forragem conservada, prática ainda pouco comum entre os produtores, seja através do diferimento, ainda que isto possa ocasionar perda considerável da qualidade. Sendo a criação de animais uma das alternativas mais promissoras para o semi-árido e sendo a vegetação da caatinga uma das principais fontes de alimentação dos rebanhos, ainda que apresente, como se sabe, uma baixíssima capacidade de suporte, uma tarefa que se coloca é propor sistemas de produção que apresente sustentabilidade e competitividade. Nesse sentido, trabalhos de manipulação dessa vegetação têm sido realizados e têm potencializado a produção de forragem quer pelo incremento da produção do estrato herbáceo, quer pela maior acessibilidade da forragem disponível, possibilitando aumento da produtividade
animal (MESQUITA et al ., 1988). Por outro lado, várias espécie de gramíneas têm sido avaliadas, ao longo dos anos, para a formação de pastagens no semi-árido, buscando-se, sobretudo, elevada produtividade e persistência. Entre elas, o capim buffel (Cenchrus ciliaris L.) tem se mostrado altamente adaptada à seca, associando uma rápida germinação e estabelecimento, precocidade na produção de sementes e capacidade de entrar em dormência no período seco (ARAÚJO FILHO et al ., 1998). Neste trabalho se discutirá alguns aspectos sobre a produção de leite no semi-árido utilizando a catinga e o capim buffel como recurso forrageiro.
A PRODUÇÃO DE LEITE NO NORDESTE 
A vocação do Nordeste brasileiro para a exploração pecuária é de muito conhecida. As secas periódicas, o caráter errático das precipitações pluviais, as limitações edáficas e outros limites de natureza ambiental não têm permitido o estabelecimento de uma agricultura intensiva, mas têm encorajado a exploração pecuária nessa região. Atualmente, cerca de 18% do rebanho bovino, 50% do efetivo ovino e 93% do rebanho caprino nacional são criados nessa região. (ARAÚJO FILHO e CRISPIM, 2002). De acordo com CARVALHO (2006), o Nordeste brasileiro tem tido participação relativa levemente decrescente na produção de leite brasileira, na última década, passando de 14,4% em 1990 para 10,7% em 2000. Em 2004, último ano disponível nas estatísticas do IBGE, o Nordeste participou com 11,5%, ou 2,7 bilhões de litros. Em termos absolutos , de 1990 a 2004 a produção nordestina aumentou 32% ou 660 milhões de kg, bem abaixo do crescimento brasileiro no período, de 62% ou quase 9 bilhões de kg. De 1990 até 2004, o Nordeste foi a região com
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menor crescimento absoluto na produção. Apesar disto esse mesmo autor afirma que, com o aumento expressivo do consumo associado aos programas assistencialistas do governo atual, aliado à proximidade com mercados importadores importantes, tudo isto sugere que o Nordeste deverá ser a nova fronteira do leite nos próximos anos. BRESSAN 1999, relata alguns dos principais pontos relacionados as restrições técnicas do segmento da produção de leite no Nordeste, apresentado no Seminário Técnico do Projeto Plataforma, em Fortaleza-CE, dentre os quais podemos citar: a) Baixa produtividade dos rebanhos leiteiros; b) Alimentação deficiente dos rebanhos de gado de leite, provocada pela falta de alimentos de boa qualidade; c) Alta susceptibilidade da pecuária regional à instabilidade climática; d) Uso inadequado de práticas de manejo; e) Falta de tecnologia disponível para as condições agroclimáticas da região e f) Baixos níveis de tecnologia utilizados na produção de leite. Apesar de não existir estatísticas oficiais, visto inclusive a dificuldade de se estabelecer os limites do semi-árido, sabe-se, como mostra a Figura 1, que a produção de leite do Nordeste está concentrada no semi-árido, especialmente nos limites do agreste co m o sertão, onde as bacias leiteiras de Garanhuns-PE, Batalha-AL e Nossa Senhor a da Glória-SE são bons exemplos. Nessas áreas, a produção de leite tem se baseado na utilização de pastagens nativas e cultivadas, além da participação importante da palma forrageira (Opuntia ficus-indica Mill. e Nopalea cochenillifera Salm. Dyck.) sobretudo no período mais seco do ano.


A produção de leite a pasto
Os ruminantes, com sua população simbiótica de micróbios do rúmen, dão uma grande contribuição para o bem estar humano à medida que provém 70% da proteína e 10% da fibra que necessitamos. A eficiência no uso de pastagens pelos ruminantes na produção de carne e leite depende de vários fatores, o que tem sido objeto de muitos estudos e passa pela fisiologia, nutrição e composição das plantas, assim como pela bioquímica, microbiologia do rúmen e requerimento de nutrientes pelos ruminantes (MINSON, 1990). De uma maneira geral é aceito, em grande parte do mundo, que o pasto é a forma mais barata de suprir os ruminantes em nutrientes. Entretanto, impedimentos como altas e baixas temperaturas, falta de umidade, entre outros, faz com que a exploração desses animais possa se dar, a bom termo e durante todo o ano, exclusivamente a pasto (WHEELER, 1981; REARTE et al., 2001). Grande parte dos sistemas de produção de leite no Brasil está baseada na exploração de pastagens e a maioria deles com pequena intensificação. Isso resulta, principalmente, em pequena escala de produção, baixos índices zootécnicos e, conseqüentemente, baixa rentabilidade. A alternativa para o momento vivido pela pecuária leiteira é explorar o potencial de produção de animais em sistema de pastejo, em gramíneas tropicais. Alguns mitos nos sistemas de produção intensiva de leite a pasto devem ser quebrados, como sistema retrógrado e, principalmente, na utilização de animais não especializados. No que diz respeito ao atual aumento gradativo dos patamares de preço do concentrado, é a flexibilidade do sistema que pode determinar a sua utilização para garantir o retorno econômico (BRUNO, 2002). 
A SUPLEMENTAÇÃO A PASTO 
As pastagens podem apresentar deficiências qualitativas e quantitativas na nutrição dos ruminantes, sobretudo associadas à baixa digestibilidade e conteúdo de proteína que podem estar asso ciadas à espécie explorada e, principalmente, ao seu grau de maturação, (ALLDEN, 1981). A suplementação vem equilibrar o nível de nutrientes oferecidos contribuindo para a manutenção e um padrão de fermentação uniforme, para que parâmetros ruminais (amônia, pH) se tornem constantes, ensejando maior eficiência microbiana, maior disponibilidade de substratos energéticos (ácidos graxos voláteis) e proteína microbiana (PAULINO et al., 2002). A utilização da suplementação a pasto é uma alternativa eficiente para o aumento da produção animal, sendo que para alcançar os resultados que se deseja, deve-se considerar a época do ano, o nível de produção, os custos e os alimentos disponíveis. A vantagem ou não de suplementar dependerá da produção extra obtida, causada pelo efeito do suplemento e, naturalmente do custo deste último. Quanto maior for a resposta produtiva à suplementação e quanto menor o custo do suplemento, mais propícias serão as condições econômicas para o uso dessa prática. O efeito da suplementação do pasto, na maioria das vezes, não é aditivo e sim substitutivo (ASSIS, 1986). Alguns trabalhos mostram que a suplementação provoca respostas distintas em

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