17 de out de 2018

CONTRIBUIÇÃO DO NORDESTE PARA A RAÇA SINDI

Por: Paulo Roberto de Miranda Leite  
Paulo Roberto de Miranda Leite
A raça Sindi vem crescendo em todas as regiões brasileiras, e nossa Associação em expansão permanente. As demandas por novas ações, desde provas zootécnicas, novas pesquisas e experimentos, além da necessidade de promoção e divulgação, criando-se novos mercados e em consequência a incorporação de novos criadores, traz a necessidade de trabalharmos mais e de mãos dadas pela raça. Sabemos que o Sindi é para o semiárido brasileiro um precioso instrumento zootécnico ou biológico de rara qualidade, que veio como redenção para tornar a pecuária bovina do Nordeste em algo sustentável e econômico. A raça Sindi através de séculos de seleção nas terras áridas da Ásia, transformou-se na raça bovina mais apta para nosso semiárido. Aqui ela vem desenvolvendo e testando todas suas qualidades: rusticidade e adaptabilidade as inclemências edafoclimáticas da região, conversão alimentar extra, fertilidade, dupla aptidão e potencial como material para cruzamentos. O Nordeste toma-se de esperança com a expansão desse extraordinário Gado Vermelho, novo patrimônio dos criadores brasileiros e da ABCSindi. Com a incorporação de novos criadores de Sindi e suas demandas em todo o vasto território pátrio, precisamos incorporar novos mecanismos de atendimento e cooperação entre criadores e regiões, facilitando e apoiando as ações da ABCSindi. Como parte de imenso pais, o Nordeste se caracteriza especialmente pela predominância da grande
área semiárida, as chamadas áreas de sequeiros, tradicionalmente aproveitadas para uma pecuária de
sobrevivência (caprinos, ovinos e bovinos) e aproveitamento de outros produtos silvestres. Também temos várzeas no litoral da cana de açúcar e vales de boas terras agricultáveis no interior da região, onde são produzidas frutas e outras culturas através da irrigação.   Mas é com foco nas extensas áreas de sequeiros, onde predominam as baixas e incertas precipitações pluviométricas, é neste ambiente hostil à agricultura tradicional, que se descortina a possibilidade de uma pecuária bovina sustentável que poderá e será viabilizada através de raças zootecnicamente superiores para essas condições. Essa raça bovina eleita e aprovada para cumprir essa missão, foi a “raça Sindi” pelo seu desempenho e avaliação em 38 anos de testes nos currais das fazendas do semiárido e nas Instituições Oficiais de Ensino e Pesquisas inseridas na região e que avaliam e comprovam as qualidades zootécnicas superiores da raça para regiões tropicais semiáridas. Estamos hoje em pleno funcionamento institucional dos dois escritórios sedes da ABCSindi no Brasil, Uberaba-MG e João Pessoa-PB. Além desses escritórios, temos agregados aos interesses da raça na região, dois importantes Núcleos: - Núcleo Nordeste de Criadores de Sindi, que desde 2015 tem sede no Estado da Bahia; - Núcleo de Criadores de Sindi do Rio Grande do Norte, sediada em Parnamirim-RN. Essas estruturas são complementadas pelas instituições oficiais da região que dão suporte técnico e didático para a raça Sindi.  O Sindi é a raça zebuína mais bem avaliada pelas organizações de pesquisas internacionais e também no
nosso país na atualidade. São inúmeros rebanhos de instituições oficiais e privadas em avaliação, gerando publicações técnicas e acadêmicas. A raça está fadada a ser uma das bem mais avaliadas do mundo, e com o entusiasmo como está sendo conduzida e criada (selecionada) em nosso país, breve capitalizaremos importantes dividendos zootécnicos.  Em Pernambuco: -EMBRAPA SEMIARIDO, localizada em PetrolinaPE, que vem preservando e multiplicando os descendestes da importação do Paquistão de 1952, e avaliando condicionantes climáticas que comprovem a extraordinária rusticidade da raça. É um núcleo de elevado valor genético estratégico. Na Paraíba: Estão duas instituições oficiais de ensino e pesquisa que mantem rebanhos da raça Sindi em avaliações permanentes, além de disponibilizarem seus produtos através de leilões públicos anuais, que são: - Universidade Federal de Campina Grande- Campus de Patos/PB; - Empresa Estadual de Pesquisa


Agropecuária da Paraíba SA (EMEPA-PB), com um núcleo de elite da raça Sindi, sendo avaliado na Estação Experimental de Alagoinha-PB. No Rio Grande do Norte: A Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária (EMPARN), mantem um rebanho da raça Sindi em avaliações permanentes, realizando um leilão anual de seus produtos. São quatro instituições oficiais integradas as demandas da região e que elegeram a raça Sindi como prioridade de pesquisas zootécnicas, envolvendo dezenas de pesquisadores.
Complementando essas ações oficiais, os governos dos Estados da Bahia, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Sergipe, com a participação do setor privado representado por dezenas de criadores e selecionadores, criaram mecanismos de promoção e divulgação da raça Sindi em escala ascendente. Após esses 38 anos de atividades em prol da raça a ABCSindi, os núcleos e criadores unidos transformaram a região na terra do gado vermelho. Em 2018, são pródigos os eventos pela raça na região, com destaque especial para o “Dia D”, da Fazenda Carnaúba em Taperoá-PB, hoje o maior e mais importante evento do agronegócio nacional dedicado a pecuária das regiões semiáridas, que tem a raça Sindi como produtora de leite, sua principal estrela entre os bovinos. São dezenas de raças de ovinos, caprinos, bovinos e aves; de tecnologias e produtos derivados e agregados aos sistemas de produção da região. Uma iniciativa da família Dantas Vilar com o apoio de órgãos e intuições públicas e privadas.  As exposições estaduais tornaram-se referências para raça Sindi a nível nacional. Este ano já foi realizada a 5ª Exposição Nordestina da Raça Sindi, durante a 52ª Paraíba Agronegócios, com dois leilões da raça: o 3º Leilão Sindi Pompeu Borba e o Leilão Anual da EMEPAPB.  Foi também palco de uma grande homenagem ao insigne criador POMPEU GOUVEIA BORBA, falecido este ano e que contou com a presença do presidente da ABCSindi, Ronaldo Bichuette, do diretor da CNA, Mario Borba, do Secretário da Agricultura da Paraíba, Romulo Montenegro e dezenas de convidados, familiares e amigos. No Rio Grande do Norte: -Iremos ter durante a Festa do Boi, em Parnamirim-RN, a realização da XVI Exposição Nacional
da Raça Sindi, com centenas de animais expostos e dois leilões da raça. A tempos que a Festa do Boi é considerada o maior evento da raça Sindi do mundo, a maior concentração de bovinos dessa raça vermelha em julgamento e exposição. Breve, a Festa do Boi se transformará em um evento Internacional da raça. Na Bahia, Piauí e Ceará: - Aconteceram as exposições com presença marcante da raça Sindi.  Breve teremos em Recife-PE a Exposição Nordestina de Animais e Produtos Derivados, com forte presença da raça Sindi. Compartilhando com tudo isso estão centenas de criadores dessa raça na região, grandes e tradicionais selecionadores, médios e até pequenos criadores, que entusiasmados pelas qualidades da raça, participam de palestras e reuniões e são permanentes adquirentes desses animais. A raça Sindi no Nordeste vem se constituindo em um produto de integração social. Podemos afirmar que nestes últimos 38 anos, o Nordeste contribuiu para expandir e divulgar a raça Sindi, oferecendo genética diferenciada e participando do entusiasmo e grande poder de multiplicação do Sindi, nas grandes regiões criatórias do Sudeste, Centro-Oeste e Norte do Brasil, onde hoje se localizam as grandes fazendas de seleção e de cruzamentos industriais que se integram    e passam a participar da cadeia produtiva da pecuária de corte nacional com sucessivos avanços zootécnicos e comercias. Essa é nossa missão, como criadores dessa joia zootécnica, que tem o nome de “RAÇA SINDI”. 


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1 de out de 2018

Rebanhos do Núcleo Nordeste de Criadores de Sindi 52 avaliados para leite A2


O Núcleo Nordeste de Criadores de Sindi 52, participou de pesquisa promovida pela Universidade Federal da Bahia realizada pelo Professor Doutor Gregório Miguel Ferreira de Camargo, intitulada: " Produção de leite A2 com bovinos da raça Sindi: promoção de renda no semiárido". Foram avaliados 200 animais de diversos associados e o alto índice (entre 85 e 100%) de resultados para A2 A2, foi mais uma comprovação da excelência do Sindi como raça produtora de leite.

Participaram desse projeto, iniciado no 1° semestre de 2018 e concluída em setembro de 2018, os planteis:

Aridus - SE
Bahia Red  Sindi – BA
Barra dos Dantas - PB
Carnaúba – PB
Hybernon - PB
Karashi- BA

Professor Doutor Gregório Miguel Ferreira de Camargo
Graduação: Zootecnia (Unesp-Jaboticabal) Mestrado: Genética e Melhoramento Animal (Unesp-Jaboticabal) Doutorado: Genética e Melhoramento Animal (Unesp-Jaboticabal), doutorado sanduíche: Universidade de Queensland (Austrália)



ADEUS, ALERGIA!
Produção de leite sem proteína alérgica depende da seleção de zebuínos e ainda engatinha no Brasil
Por Diene Batista (Revista Safra)
Um copo de leite pode ser um problemão para muita gente, seja pela falta da enzima lactase, o que provoca a intolerância ao alimento, seja pela alergia à proteína betacaseína tipo A1. A reação imunológica do corpo gera reflexos na pele, no sistema respiratório, além de constipação e de dores abdominais. Mas a seleção de animais que produzem leite A2 pode colocar fim nas alergias por causa da bebida.
Os zebuínos – como gir, sindi, guzerá 
e girolando – são os mais adequados
Os zebuínos – como gir, sindi, guzerá e girolando – são os mais adequados para esse tipo de manejo, como explica o pesquisador da área de bioinformática e melhoramento animal da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), unidade Gado de Leite, Marcos Vinicius Barbosa da Silva. Hoje, a instituição faz a genotipagem do gado para seus programas de melhoramento. Os testes genéticos verificam se os animais são homozigotos – com alelos (genes) A2A2 – ou heterozigotos – A1A2.
Pesquisas já comprovaram que nos zebuínos o gene A2 aparece em pelo menos 70% do rebanho. Nos taurinos, o alelo está presente em apenas 30% da população. “Os taurinos da raça holandesa, por exemplo, são maiores produtores de leite, mas a frequência do alelo A1 é muito grande. O trabalho [de selecionar um rebanho A2] é muito mais rápido e barato nas raças zebuínas”, compara.
Estância Silvânia, em São José dos Campos
A genotipagem dos zebuínos também chama a atenção de laboratórios como o mineiro Gene/Genealógica, de Belo Horizonte, que desenvolveu uma nova metodologia focada no baixo custo. O valor da checagem pelo lote de animais gira em torno de R$ 35 e são analisadas amostras dos pelos dos zebuínos. “Os produtores de leite estão se empenhando na melhora da qualidade. O mercado está mais exigente o que, sem dúvida, vai proporcionar produtos mais saudáveis feitos com leite A2”, analisa a diretora do laboratório, Helena Bicalho.
Rebanho “lapidado”
Selecionar o rebanho até que ele se torne completamente A2 pode levar anos. Mas a demora, muitas vezes, é aliada do bolso do produtor, como explica o pesquisador da Embrapa Gado de Leite. É que os custos, como o da compra de animais A2A2, são diluídos ao longo do tempo. Para formar um rebanho com zebuínos com betacaseína A2, dois caminhos podem ser tomados.
Primeiro, o do descarte. Inicialmente, as vacas A1A1 são retiradas do plantel. Depois, os animais A1A2 também saem, dando lugar aos A2A2. O outro processo é do acasalamento: fêmeas A1A2 e A2A2 são juntadas com touros A2A2. “É um processo demorado, mas que se torna mais barato para o produtor, porque o investimento acontece ao longo do tempo”, frisa.
A diretora do Gene/Genealógica, Helena Bicalho, explica que o produtor pode também aproveitar as “características interessantes” dos animais com genes A1 por meio do acasalamento. “Uma vaca A1A2, com boas características, pode ser acasalada com um touro A2A2. Em média, 50% dos produtos serão A2A2. Se o produtor tiver que descartar, descarta o outro, que é A1A2”, exemplifica.
Segundo Silva, a questão genética já não é mais um entrave para a produção de leite não-alérgico. A principal dificuldade diz respeito à estrutura que a comercialização do produto demanda. “Não adianta produzir o A2 e, quando o caminhão da cooperativa chegar na propriedade, misturá-lo com o A1”, exemplifica. O ideal é processar o leite A2 com uma estrutura do próprio criador ou de cooperativas.
Pioneirismo
Essa é uma tendência mundial, que em algumas
décadas será concretizada como uma mudança
de condição dos animais produtores
Foi exatamente o que fez o produtor e médico-veterinário Eduardo Falcão, da Estância Silvânia, em São José dos Campos, na região do Vale Paranaíba, em São Paulo. Em novembro do ano passado, lançou o primeiro produto A2 brasileiro. No laticínio que ele arrendou, são produzidos queijos, iogurtes e manteigas com leite de animais da raça gir leiteiro, com a qual sua família trabalha há mais de 55 anos.
“Hoje, só trabalhamos com o subproduto. A questão da industrialização do leite foi aprovada há pouco tempo e estamos prestes a concretizá-la. Queremos fazer um produto até mesmo visualmente diferenciado, que será industrializado dentro da propriedade e sairá pronto para o comércio. Para isso, estamos aguardando a construção de uma granja leiteira”, adianta, prevendo que até o final deste ano o leite deve chegar ao mercado.
O trabalho pioneiro foi iniciado há cerca de oito anos, quando soube, por meio de um nutrólogo, sobre o leite com a betacaseína A2. Além do produto não alérgico, ele investe ainda na qualidade do rebanho: o gado é criado a pasto, sem uso de hormônios. “Os produtores já estão inteirados dessa questão [da genotipagem]. Acredito no trabalho da classe médica para esclarecer a população sobre os benefícios do leite A2. Essa é uma tendência mundial, que em algumas décadas será concretizada como uma mudança de condição dos animais produtores”, analisa.
A Estância Silvânia tem 250 animais da raça gir leiteiro produzindo A2. A meta de Falcão é obter 60 vacas em produção, com mil litros diários. Hoje, são 40 animais, com 700 litros. “O maior desafio é chegar ao consumidor. Embora a gente tenha um produto de excelente qualidade, ainda há entraves de legislação e é tudo muito moroso, mas estamos trabalhando para melhorar isso”, detalha ele, que também é diretor da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), se referindo ao diálogo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para a criação de normas sobre a industrialização do leite A2.
Projeto-piloto no RS
No Rio Grande do Sul, o Sindicato da

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