1 de abr de 2019

CONTROLE DA COCHONILHA DE ESCAMA DA PALMA FORRAGEIRA COM O USO DE EXTRATO DE NIM

António Oliveira Nhaga1 , Ciro de Miranda Pinto2 , Maria Gorete Flores Salles3 , Olienaide Ribeiro de Oliveira Pinto4 , Francisco Acácio de Sousa 5 1Discente do curso de Agronomia da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), Redenção-CE, Brasil. 2Professor Doutor do curso de Agronomia da UNILAB, Redenção-CE, Brasil. E-mail: ciroagron@unilab.edu.br 3Professora Doutora do curso de Agronomia da UNILAB, Redenção-CE, Brasil. 4Professora Doutora no Mestrado Acadêmico em Sociobiodiversidade e Tecnologias Sustentáveis (MASTS) da UNILAB, Redenção-CE, Brasil. 5Eng. Agrônomo, mestrando no Mestrado Acadêmico em Sociobiodiversidade e Tecnologias Sustentáveis (MASTS) da UNILAB, Redenção-CE, Brasil
RESUMO 
A palma forrageira apresenta grande potencial produtivo sendo usada na alimentação humana e animal, produção de medicamentos, cosméticos, corantes e na conservação e recuperação de solos. No entanto, apresenta diversas pragas, que causam danos e prejuízos como a Diaspis echinocacti (Hemiptera, Diaspididae), conhecido vulgarmente como Cochonilha de escamas. Assim, objetivou-se definir a concentração de extrato de nim que proporcione o controle da cochonilha de escama na palma forrageira graúda. O trabalho foi conduzido no município de Barreira, Ceará. Utilizou-se 5 tratamentos com extratos de nim, sendo: 0, 50, 100, 150 e 200 g/ 1000 mL de água na parcela primária e 4 tratamentos na parcela secundária com quatro repetições. O ajustamento da regressão foi o polinomial quadrático a 5% de probabilidade, tendo coeficiente de determinação R2 de 75,69%. O valor da dose ótima foi 77,07 g de nim por 1000 mL de água o que resultou um percentual de área da raquete quaternária infestada por cochonilha de escama máxima de 18,78 %, depois desse nível ocorrem decréscimos do percentual de área infestada. O extrato aquoso de 200 g nim em pó para 1000 mL de água proporcionou maior controle da cochonilha de escama na palma forrageira graúda. PALAVRAS-CHAVE
Diaspis echinocacti, Opuntia ficus-indica Mill, Semiárido, Sustentabilidade
INTRODUÇÃO 

No ano em que comemoramos 10 anos 

de seleção a Bahia Red Sindhi disponibilizará 

21 animais de sua melhor genética.

29 DE MAIO A 02 DE JUNHO

A região semiárida do Nordeste brasileiro apresenta precipitação pluvial média anual de 400 a 700 mm, temperatura média de 28º C, umidade relativa de 50 a 60 %, evaporação de 2.548 mm (OLIVEIRA, 2014). As plantas xerófilas destacam- se pela tolerância a seca. A palma forrageira Opuntia fícus-incidica L (Mill) tem contribuído para o desenvolvimento socioeconômico do semiárido brasileiro, por ser uma cultura adaptada às condições climáticas da região. Nesse cenário, a produção de palma forrageira é uma das estratégias de apoio à convivência da pecuária regional com a seca (CAVALCANTE et al., 2014), pois é considerada fonte energética de grande potencialidade para a nutrição de ruminantes como bovinos, caprinos e ovinos, tanto na forma in natura ou desidratada (SILVA et al., 2014). Vários são os fatores que podem influenciar na produtividade da palma forrageira: fertilidade do solo, pluviosidade, densidade de plantio, vigor das mudas, ataque de pragas e doenças, dentre outros. Nesse contexto, a palma forrageira representa uma opção de importância para os criadores sertanejos, por sua alta eficiência no uso da água, alta produtividade,
excelente qualidade como alimento energético de alta digestibilidade, e, além disso, constitui-se em estratégica reserva hídrica para os rebanhos, s
endo importante ferramenta no manejo e proteção do solo (LIMA et al., 2015). O emprego de extratos vegetais pode ser considerado como um manejo promissor na proteção das plantas. Além de auxiliar na diminuição das doses e frequência de aplicação de agroquímicos sintéticos, danosos a saúde humana e ao meio ambiente (SANTOS et al., 2013). Uma das espécies mais utilizadas para obtenção de extratos é o nim (Azadirachta indica A. Juss), planta que possui alguns compostos químicos, sendo o principal é a azadiractina, presente em folhas e frutos (MARTINEZ, 2002). O extrato de nim tem sido utilizado para controlar o crescimento inicial de plantas daninhas (ALBURQUEQUE et al., 2015), controle pragas em grãos armazenados como o milho (BORSONARO et al., 2013), controle da mosca minadora (Liriomyza sativae) meloeiro (COSTA et al., 2016), controlando pulgão nos cultivos de brócolis (VIERA; PERES, 2017). Outros inseticidas apresentam potencial no controle de cochonilhas, a exemplo, extratos aquosos de pinhão-manso (HOLTZ et al., 2016), Capsicum frutescens L., associada ao álcool, fumo em rolo e sabão de coco (BRAGA et al., 2017), pimenta do reino (Piper nigrum) com adição de sabão de coco, álcool e água (LOUREIRO et al., 2016). Neste sentido, estudos que ampliem a possibilidade do uso de inseticidas botânicos são promissores e podem auxiliar no manejo de pragas em diversos sistemas agrícolas. Assim, o objetivo deste trabalho foi definir a concentração de extrato de nim que proporcione controle da cochonilha de escama na palma forrageira graúda.
MATERIAL E MÉTODOS 
Área experimental A pesquisa foi conduzida durante os meses maio a julho de 2016, na fazenda Bom Sucesso, situada no município de Barreira-CE, cujas coordenadas geográficas são: 4º 17’ 13’’ latitude sul, 38º 38’ 35’’ longitude oeste, sendo a altitude local de 83,5 m. O clima é classificado como tropical quente semiárido brando, com o índice de pluvisiovidade de 1.061,9 mm, temperatura média anual de 26º a 28ºC (IPECE, 2017). O experimento foi instalado em uma área cultivada com palma graúda (O. ficus indica Mill), onde foram marcadas as raquetes de ordem quaternária para aplicação do extrato de nim (A. indica) produzido a partir de folhas previamente trituradas em forrageira até a forma de pó. Posteriormente foram pesadas em balança digital e separadas em porções de 50,100,150 e 200g de extrato de nim. Delineamento experimental O delineamento utilizado foi o inteiramente casualizado em um esquema de parcela subdivida com 5 tratamentos na parcela principal (extratos de Nim 0, 50, 100, 150 e 200 g/ 1000 mL de água) e 4 tratamentos na parcela secundária (tempo de aplicação) e quatro repetições (Figura 1).
A primeira aplicação do extrato de nim e avaliação por foto foram realizadas em 27 junho, a segunda avaliação por foto em 4 de julho, a terceira avaliação por foto foi realizada em 11 de julho e a quarta avaliação por foto foi realizada em 18 de julho. A avaliação da eficiência da aplicação do extrato de Nim, foi realizada com uso das fotos das raquetes de palma forrageira. As imagens das raquetes quartanárias da palma forrageira foram obtidas com uma máquina fotografia digital SAMSUNG modelo SMART CAMERA DV150F. As imagens foram descarregadas no notebook para determinar o percentual de área infestada por de cochonilha de escama com emprego do software APS ASSESS 2.0 (LAMARI, 2008). A Figura 2 ilustra a utilização software APS ASSESS 2.0 na determinação do percentual de área afetada em relação à área total da raquete quaternária.
Análise estatística Os dados foram submetidos à análise de variância e, quando detectada ou não a significância pelo teste F a 1% ou 5% de probabilidade, as médias dos tratamentos qualitativos foram comparadas pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade. Para dados quantitativos empregou-se a análise de regressão para verificar o efeito das doses de nim no controle da cochonilha. Para tanto, utilizou-se o ASSISTAT 7,7 betas, Sistema de Análise Estatística da UFCG (SILVA; AZEVEDO, 2016). RESULTADOS E DISCUSSÃO O resumo da análise de variância do experimento em parcelas subdivididas consta na Tabela 1. A interação entre Fator 1 x Fator 2, não foi significativa ao nível de 5% de probabilidade, revelando independência entre esses fatores para percentual de área de raquete quaternária infestada por cochonilha. Isolando-se o fator dias de avaliação, constatou-se a existência de efeito significativo a 1% de probabilidade.
A análise de variância da regressão para área de raquete quaternária infestada por cochonilha de escama (Tabela 2) em função das doses extrato aquoso de nim (0; 50; 100; 150 e 200 g nim/1000 mL de água), teve ajustamento ao modelo polinomial quadrático, significativo ao nível de 5% de probabilidade (Tabela 2), tendo coeficiente de

1 de mar de 2019

POLEIROS ARTIFICIAIS E ENLEIRAMENTO DE GALHADA NA RESTAURAÇÃO DE ÁREA DEGRADADA NO SEMIÁRIDO DA PARAÍBA, BRASIL

Por Leonardo Palhares da SILVEIRA, 
Jacob Silva SOUTO, 
Mário Medeiros DAMASCENO, 
Danielle Piuzana MUCIDA, 
Israel Marinho PEREIRA

RESUMO:
O uso desenfreado dos recursos naturais tem como reflexo um elevado grau de degradação do ambiente causando prejuízo na dinâmica natural do ecossistema. Neste contexto, o presente estudo objetivou verificar o potencial de uso de técnicas nucleadoras em área degradada da Fazenda Cachoeira de São Porfírio, município de Várzea, semiárido do Estado da Paraíba. Foram utilizados poleiros artificiais secos e enleiramento de galharias visando a formação de núcleos de atração a fauna dispersora de propágulos. O experimento foi avaliado por 12 meses. Os poleiros foram utilizados por aves durante o período experimental, incrementando a chuva de sementes da área. O
VISITE E INSCREVA-SE NO NOSSO CANAL
enleiramento de galharia, que simula abrigos artificiais para a fauna e microrganismos, atuam na decomposição desse material. Verificou-se decomposição do material formador das leiras com diminuição do volume original e adição de matéria orgânica ao solo. Foram contabilizadas 125 sementes, principalmente de Jatropha curcas L. (pinhão manso) e Cnidosculus queercifolius Pohl (faveleira), nos coletores colocados sob os poleiros, o que indica presença de aves no local do experimento. Portanto, tais técnicas nucleadoras atuaram no incremento na chuva de sementes e aumento de conteúdo da matéria orgânica no solo e, utilizadas em conjunto, favoreceram a sucessão natural e a reintrodução de plantas e animais na área degradada. Palavras-chave: degradação ambiental, caatinga, dispersão de sementes.
1. INTRODUÇÃO
O uso desenfreado dos recursos naturais tem como reflexo um elevado grau de degradação ambiental, resultando, em muitos casos, em significativa perda da qualidade de vida. O uso inadequado do ambiente provoca uma quebra na dinâmica natural do ecossistema, prejudicando de forma geral a todos os elementos que o compõem. A degradação ambiental é um problema de dimensões globais que ocorre em intensidades variadas, com destaque nas regiões áridas, semiáridas e subúmidas secas como resultado de vários fatores, principalmente o antrópico. No Brasil, essas áreas têm em comum a baixa relação entre precipitação pluviométrica e evapotranspiração resultando, em geral, na falta de água para o consumo vegetal, animal e humano. Além disso, situam-se na região semiárida, sendo denominadas de núcleos de desertificação. Causas de degradação podem ser decorrentes de retirada
de solo, uso indiscriminado do fogo, supressão da vegetação, invasão biológica, caça e extrativismo ou isolamento de áreas devido à fragmentação florestal.  Quanto maiores os níveis de degradação, mais esses fatores inibem ou impedem a sucessão (KAGEYAMA et al. 2008). Em geral, em núcleos de desertificação são encontradas áreas com grandes manchas desnudas, presença ou não de cobertura vegetal herbácea e sinais claros de erosão laminar do solo. O processo de desertificação quase sempre se inicia com o desmatamento e a substituição da vegetação nativa por outra cultivada, de porte e/ou ciclo de vida diferente. Seguindo esse modelo, a vegetação arbustiva e arbórea da caatinga é substituída por pastos herbáceos ou culturas de ciclo curto. O cultivo continuado, com a retirada dos produtos agrícolas e sem a reposição de nutrientes retirados, leva a perda da fertilidade e a processos erosivos (SAMPAIO et al., 2003; DUBEUX JR et al., 2005; PEREZ-MARIN et al., 2006). Souto et al. (2005) argumentam que a remoção da vegetação da caatinga, deixando os solos expostos, associada a períodos extensos de seca, `as elevadas amplitudes térmicas e aos ventos, possibilita uma acentuada degradação física, química e biológica dos solos. Estes se tornam limitados em seu potencial produtivo, causando danos, muitas vezes, irreversíveis ao meio. Historicamente, a região deste estudo teve a pecuária extensiva como base de atividade econômica, ligada à agricultura de subsistência. Posteriormente a cultura do algodão foi importante para a economia. Entre as décadas de 1930 e 1940, a mineração, pontualmente, tornou-se também uma atividade econômica, mas com forte impacto ambiental (SALES, 2006) e que perdura até os dias atuais. Esta atividade prejudica as atividades agrícolas, sem objetivos de sustentabilidade a longo prazo na região (SAMPAIO et al., 2003). No estado da Paraíba, devido ao clima predominantemente seco (semiárido e subúmido seco), mais de 90% do seu território apresenta áreas susceptíveis à desertificação (Sertão, Borborema e Agreste). O estado possui o maior percentual de áreas com nível de degradação da terra muito grave (29%), segundo o Programa de Ação Nacional de Combate a
Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca – PAN-Brasil (BRASIL, 2004). O grau de conhecimento dos processos de degradação e sua extensão ainda são deficitários e necessitam de constantes atualizações. Segundo Perez-Marin et al. (2012) a relação entre as áreas afetadas por processos de desertificação e a nova delimitação é de aproximadamente 58% no estado. Uma vez que seca e desertificação caracterizam-se por fenômenos distintos, mas estreitamente relacionados, em áreas marcadas pela semiaridez registra-se um desequilíbrio entre oferta e demanda de recursos naturais, levando-se em conta o atendimento às necessidades básicas de seus habitantes. Nos períodos de seca este descompasso aumenta, visto que a pressão sobre os recursos naturais se amplia e a intervenção do homem, em geral, se faz por meio do uso inadequado do solo, da água e da vegetação. A necessidade de iniciativas para restaurar as áreas degradadas surge como algo necessário para o estado da Paraíba. A retirada da cobertura vegetal de áreas degradadas provoca danos a biodiversidade, uma vez que de interfere nas condições físicas e afetam o desenvolvimento e a manutenção de atividades ligadas ao social, econômico e ambiental. Enfim, ocasiona impactos em áreas que estão direta ou indiretamente relacionadas `a manutenção do bioma Caatinga. A aplicabilidade do uso de técnicas nucleadoras na restauração de áreas degradadas tem sua importância na dinâmica do uso da terra no bioma Caatinga, principalmente com relação ao processo de desertificação e a utilização não sustentável do recurso madeireiro, que vêm provocando perda da diversidade florística e degradação do solo (KAGEYAMA et al. 2008; BECHARA 2006). Como técnicas nucleadoras para restauração mencionamos a transposição de solo, a semeadura direta e hidrossemeadura, os poleiros artificiais, a transposição de “galharia”, o plantio de mudas em ilhas de alta diversidade e a coleta de sementes com manutenção da variabilidade genética (REIS et al., 2003). Diante do exposto, o presente estudo objetiva verificar o potencial de uso de técnicas nucleadoras em áreas degradadas no semiárido do Estado da Paraíba, viabilizando a diminuição dos custos de implantação, além de propiciar uma significativa melhoria nas qualidades ambientais e assegurar um aumento na probabilidade de ocupação deste ambiente por outras espécies.
2. MATERIAL E MÉTODOS
A pesquisa foi desenvolvida no período de outubro de 2011 a setembro de 2012, em uma área experimental com cerca de 1,0 ha. A área localiza-se na Fazenda Cachoeira de São Porfírio, município de Várzea, sertão do estado da Paraíba, entre as coordenadas 06º 48’ 35” S e 36º 57’ 15” W. O local possui altitude média de 271 metros e o clima, de acordo com a classificação de Koppen, é caracterizado como semiárido do tipo BSh (quente e seco), com médias pluviométricas anuais entre 400 a 600 mm (SOUTO, 2006). Na área de estudo prevalece uma associação de Neossolos litólicos, Luvissolos e afloramentos rochosos. O solo se encontra parcialmente exposto e com feições erosivas localizadas, caracterizada por um elevado estágio de degradação apresentando sinais intensos da intervenção antrópica, como a retirada total da vegetação (Figura 1). A presença de espécies vegetais é rara, com exceção do Pilosocereus gounellei A. Weber ex K. Schum. Bly. ex Rowl (xique-xique), Aristida setifolia Kunth (capim panasco), Cnidoscolus quercifolius Pohl (favela) , Sida cordifolia L. (malva branca) e Jatropha curcas L. (pinhão manso). A área caracteriza-se por caatinga hiperxerófila com diferentes graus de antropismo, com árvores de porte médio a baixo, não ultrapassando 7,0 metros de altura. A vegetação natural foi retirada para a utilização agrícola,

2 de fev de 2019

Efeitos do manejo sustentável da Caatinga sob os atributos físicos do solo

Francisco Gonçalo Filho
Miguel Ferreira Neto, Cleyton dos Santos Fernandes, Nildo da Silva Dias, Rutilene Rodrigues da Cunha, Francisco de Oliveira Mesquita
(Universidade Federal Rural do Semi-Árido, Mossoró, RN, Brasil)

Resumo - Objetivou-se avaliar a qualidade do solo, em áreas da Caatinga submetidas a diferentes sistemas de manejo, tendo como parâmetros os atributos físicos do solo. As formas de manejo adotadas foram: (1) área de manejo sustentável da Caatinga; (2) área de Caatinga com manejo convencional; e (3) área de Caatinga considerada mata nativa. Decorridos 5 anos, foram coletadas amostras de solo nas áreas nas profundidades 0,00-0,20 m e 0,20-0,40 m para análise dos atributos físicos do solo.
Os resultados evidenciaram maior compactação do solo na área de manejo convencional. O manejo sustentável da Caatinga mostrou-se uma técnica promissora para manutenção e recuperação das propriedades físicas do solo. A utilização inadequada do solo, sobretudo por meio da adoção de sistemas convencionais, tem ocasionado degradação de suas propriedades físicas, químicas e biológicas (Iwata et al., 2012). Como efeitos dessa degradação, podemos citar a desestruturação e a compactação, a redução da fertilidade, a oxidação acelerada da matéria orgânica e a diminuição da quantidade e diversidade de organismos do solo (Leite et al., 2010), o que tem levado à vultosas perdas na biodiversidade da fauna e flora, sedimentação dos reservatórios e dos rios, com consequente declínio das atividades econômicas e da qualidade de vida da população (Araújo Filho, 2013).O manejo inadequado do solo e dos recursos vegetais contribui, principalmente, para o avanço
do processo de degradação. Devido aos fatores ambientais desfavoráveis (déficit hídrico e elevadas temperaturas, por exemplo) e a adoção de sistemas agrícolas totalmente extrativistas, que não respeitam os limites produtivos do bioma Caatinga, a degradação é ainda mais acentuada nas condições da região Semiárida brasileira (Rebouças et al., 2013).
Uma alternativa viável para evitar a degradação do solo e da vegetação nessa região é a adoção de Sistemas Agroflorestais (SAF’s). Essa tecnologia apresenta alto potencial produtivo e sua adoção permite melhorar o equilíbrio entre os componentes solo/planta/animal, integrar culturas e animais, aumentar a eficiência de uso da terra, diversificar a produção agrícola, melhorar a utilização do solo, da água e do ambiente e recuperar áreas degradadas, agregando valor às áreas de produção (Schembergue et al., 2017).Nessa perspectiva, o objetivo do presente trabalho foi avaliar a qualidade do solo, em áreas submetidas a diferentes sistemas de manejo, tendo como parâmetros os atributos físicos do solo.As áreas em estudo estão localizadas no Projeto de Assentamento Tabuleiro Grande, município de Apodi, na microrregião da Chapada do Apodi, na mesorregião do Oeste Potiguar, RN, entre as coordenadas 05°24’33.33’’ S e 37°46’40’’W, e com uma altitude média de 109 m.Em janeiro de 2009 foram
selecionadas três áreas do assentamento para avaliação dos atributos físicos do solo. O histórico das áreas e as formas de manejos adotadas foram:Área de Caatinga com manejo sustentável (AMS) – 3,3 ha pertencentes a um lote individual. A área apresenta relevo plano, com declividade dominante inferior a 2%, em Vertissolo Háplico Órtico chernossólico, de acordo com o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (Santos et al., 2013). A vegetação no local, de forma geral, pode ser caracterizada como arbóreo-arbustiva, apesar da existência de áreas com pouca cobertura florestal devido à ocorrência de fogo ou alagamentos, em função da deficiência na drenagem que é agravada pela topografia e pela geologia da área.O sistema de manejo sustentável adotado foi o de raleamento em faixas de 15 m de largura, intercaladas com faixa de 15 m de largura de vegetação nativa. Na faixa destinada ao manejo sustentável, fez-se raleamento das plantas existentes, deixando-se aproximadamente 40% da vegetação e retirando-se plantas com pouco interesse econômico para abrir espaço para outras espécies com maior potencial produtivo. Nos anos seguintes, a área foi isolada, evitando assim o superpastejo. Área de Caatinga com manejo convencional (AMC) – 5,4 ha pertencentes àárea coletiva do Projeto de Assentamento. A área apresenta relevo plano, com declividade dominante inferior a 2%, em Chernossolo Rêndzico Petrocálcico típico, de acordo com o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (Santos et al., 2013). A área tem presença de bovinos, caprinos e ovinos dos assentados e não existe controle da quantidade e tempo de permanência dos animais, além da retirada de madeira e lenha pelos membros da comunidade.Área de Caatinga considerada mata nativa (AMN) - 2,0 ha pertencentes à reserva legal do projeto de assentamento, sendo usada como tratamento controle. A área apresenta relevo plano com declividade dominante inferior a 2%, em Vertissolo Háplico Órticochernossólico, de acordo com o Sistema Brasileiro de
Classificação de Solos (Santos et al., 2013).Após 5 anos de manejo nas áreas, foram abertos 5 perfis com profundidade de 0,40 m para a coleta de amostras nas profundidades de 0,0-0,20 m e de 0,20-0,40 mem cada sistema (AMS, AMC e AMN) em locais representativos, para a avaliação dos atributos físicos do solo. Nos mesmos locais e profundidades foram coletadas amostras indeformadas com anel volumétrico, para a determinação da densidade e porosidade dos solos, e amostras deformadas, para a determinação da umidade. As amostras foram acomodadas em sacos plásticos, identificadas e encaminhadas ao Laboratório de Análises de Solos. Os parâmetros físicos analisados foram: granulometria, densidade do solo (ds), densidade de partículas (dp), porosidade total (Pt) e umidade do solo. O delineamento experimental utilizado foi em blocos casualizados, em esquema fatorial 3 x 2, sendo três sistemas de manejo do solo (AMS, AMC e AMN) e duas profundidades (0,0-0,20 m e 0,20-0,40 m), com cinco repetições. Os resultados foram submetidos à análise de variância, sendo o nível de significância determinado pelo teste F e as médias comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Para processamento dos dados, foi utilizado o programa estatístico SISVAR versão 5.3 (Ferreira, 2011).Em relação à granulometria, constataram-se poucas variações, exceto o teor de areia fina superior na área em manejo sustentável (AMS), o teor de silte mais elevado na área em manejo convencional (AMC) e a relação silte/argila superior na AMC, quando comparadas entre si, além do teor de argila superior na área de mata nativa (AMN), quando comparado à AMC. Os solos foram todos classificados na classe textural argiloso, exceto na profundidade 0,20 – 0,40 m da AMN, que se enquadrou na classe muito argiloso (Tabela 1). Não se verificou variação quando os parâmetros foram analisados entro dos horizontes em cada área e não se constatou comportamento que pudesse ser atribuído ao manejo realizado nas áreas em estudo.Os valores de densidade do solo mostraram-se significativos, sendo os maiores valores observados na AMC (Tabela 2).



Os valores da densidade de partículas não apresentaram variação significativa. Em relação à porosidade total, os valores apresentaram-se significativamente superiores na AMS. Este parâmetro é um indicativo da boa estrutura do solo, pela não existência da compactação, evidenciando a manutenção da qualidade física deste solo.A umidade se apresentou superior na AMS, o que pode ser explicado pela

6 de jan de 2019

A seca de 2012-15 no semiárido do Nordeste do Brasil no contexto histórico


Por: Jose A. Marengo,  Ana P. Cunha e  Lincoln M. Alves

Resumo

Episódios de secas na região têm sido relatados desde o século 16, sendo recorrentes na região. Enquanto algumas medidas foram tomadas pelos governos para atenuar os impactos, ainda há uma percepção de que os moradores, principalmente em áreas rurais no semiárido, ainda não estão adaptados a estes perigos. A seca que assola o semiárido do Nordeste desde 2012 a 2015, teve uma intensidade e impacto não vistos em várias décadas e já destruiu grandes áreas de terras agrícolas, afetando centenas de cidades e vilas em toda a região, e deixando pequenos agricultores que lutam para obter água. Alterações na circulação atmosférica e precipitação detectadas desde o verão de 2012 sugerem um papel ativo das águas superficiais mais frias do que o normal no Pacífico equatorial, e uma zona de convergência intertropical deslocada anomalamente para o norte de sua posição normal, com aumento da subsidência sobre o Nordeste Brasil. No Nordeste do Brasil sinais de seca começaram a aparecer em dezembro de 2011 e se intensificaram durante o verão e outono de 2012, gerando deficiência hídrica em quase todo o semiárido desde o centro-sul da Bahia até o Rio Grande do Norte e Ceara em 2011-14. Desde 2013até 2015 a maior concentração de déficit hídrico incluiu particularmente o norte da Bahia, oeste do Pernambuco e o leste do Piauí, onde a situação de seca ainda persiste. O evento El Niño em 2015 agravou a situação de seca iniciada em 2012.

1. Introdução: A região semiárida do Nordeste do Brasil (NEB) situa-se entre 2,5 ° S e 16,1 ° S e 34,8 ° W e 46 ° W,com uma área de cerca de 1.542.000 km2, ou cerca de 18,26% da área do Brasil (Magalhães et al., 1988), e é a mais densamente populosa entre as terras secas do mundo,com mais de 53 milhões de habitantes, ou aproximadamente 34 habitantes por km2. O NEB é vulnerável aos extremos observados da variabilidade climática, e cenários globais e regionais de mudanças climáticas no futuro indicam que a região poderia ser afetada pelo déficit de chuvas e aumento da aridez no próximo século (Marengo et al. 2016, Vieira et al. 2015). As secas são um fenômeno natural, uma alteração do regime hidro meteorológico, e no NEB elas afetam os moradores, principalmente os mais vulneráveis da região semiárida, criando situações de deficiência hídrica e riscos para a segurança alimentar, energética e hídrica na região (Eakin et al. 2014). As secas fazem parte da variabilidade natural do clima na região, e ocorreram no passado, estão ocorrendo no presente e de acordo com as projeções de mudanças climáticas, é provável que continuem e intensifiquem no futuro (Marengo et al. 2016). A seca não atinge todo o NEB, ela se concentra numa área conhecida como Polígono das Secas, que envolve as regiões semiáridas de parte de oito estados nordestinos (AL, BA, CE, CE, PB, PE, PI, RN e SE) e parte do norte de MG. Eventos de seca no passado nos estados NEB, geraram perdas massivas de produção agrícola e pecuária, perda de vidas humanas pela fome, desnutrição e doenças, e deslocamentos de pessoas, bem como impactos sobre as economias regionais e nacionais. A inclemência das secas há tempo arrasa a terra e a vida do sertanejo.  Ainda assim, “apesar das dolorosas tradições que conhece através de um sem-número de terríveis episódios, ele alimenta a todo transe esperanças de uma resistência impossível”, narrou Euclides da Cunha (1866-1909) em Os sertões. Esse texto é de 1902. No presente, a migração devido à seca não ocorre mais nas proporções dramáticas. A seca que se intensificou em 2012 e ampliou em 2015 é considerada a mais grave das últimas décadas e tem tido um impacto em muitos distritos das regiões semiáridas nos estados do NEB, afetando quase 9 milhões de pessoas (Marengo et al. 2016). Políticas públicas para mitigar os impactos da seca, tais como linhas de crédito disponíveis aos pequenos agricultores e a distribuição de água por meio de carros pipa) fez diminuir um pouco os impactos, mas,as políticas de gestão de crises, podem ter sido insuficientes para suportar a seca plurianual excepcional de
2012-2015. A sobreposição de secas às tensões sócio-econômico-políticas pré-existentes coloca uma intensa pressão sobre a disponibilidade de água doce e de qualidade na região e ameaça a água, energia e segurança alimentar (por exemplo, Gutiérrez et al. 2014). A perspectiva de aumentos na frequência e duração dos períodos secos e secas em climas futuros no NEBtem gerado preocupação entre os gestores de recursos naturais, agricultores, especialistas em desenvolvimento,pesquisadores e formuladores de políticas, os quais tentam entender a extensão em que essas mudanças vão afetar os recursos hídricos , produção de alimentos, renda e subsistência. A longo prazo, os déficits projetados de chuvas na região, juntamente com o aumento da temperatura e secas mais frequentes e períodos de seca podem exacerbar a degradação ambiental. Portanto, neste artigo apresentamos um histórico de secas passadas e presente se discutimos algumas das causas físicas envolvidas, incluindo o papel de El Niño e o Oceano Atlântico tropical na seca de 2012-15. 
2. Secas: aspectos históricos, variabilidade interanual e causas físicas no NEB De acordo com a Universidade do Nebraska (drought.unl.edu), no sentido mais geral, uma seca origina-se a partir de uma deficiência de precipitaçãodurante um período prolongado de tempo - geralmente uma estação ou mais - resultando em uma escassez de água para alguma atividade, grupo ou setor ambiental. Seus impactos resultam da interação entre o evento natural (menosprecipitação do que o esperado) e a demanda de pessoas para uso de água, no abastecimento de água para a população, agricultura e pecuária. Assim, as atividades humanas podem exacerbar os impactos da seca. Em termos físicos, mudanças na temperatura da superfície do mar (TSM) no Pacífico tropical que se manifestam com os extremos em casos de El Niño-Oscilação Sul (ENOS) podem afetar precipitação sobre oNEB através de mudanças na circulação Walker orientada zonalmente (Ambrizzi et al., 2004). No entanto,ENOS explica apenas uma parte da variabilidade da precipitação na região. Kane (1997) mostra que de 46 eventos de El Niño (fortes e moderados), durante 1849-1992, apenas 21 foram associados com as secas no norte do Nordeste do Brasil. A partir das mais recentes secas de 1992, 1998, 2002, 2010 e agora 2012-2015, apenas os de 1998, 2002 e, recentemente, em 2015 as secas aconteceram durante um evento El Nino. Em 2015 a situação foi agravadapela deficiência que já existia pelo menos há 3 anos (Figura 1). Na verdade, a chuva no NEB é marcada por uma forte variabilidade interanual, parte da qual tem sido atribuída ao ENOS, enquanto outros eventos de seca são devidos a uma posição anormalmente mais ao norte daZona de Convergência Intertropical (ZCIT)
sobre o setor do Atlântico, devido a um Oceano Atlântico Tropical Norte mais quente (Moura e Shukla 1981; Hastenrath 1990, 2012, Andreoli et al. 2012, Nobre e Shukla 1996, Marengo et al. 2013, 2016). As secas têm sido relatadas no NEB desde o século 16. A história das secas na região, como coletados de várias fontes (Araújo 1982, Magalhães et al., 1988,Gutierrez et al. 2014, Wilhite et al. 2014) e atualizada neste estudo pode ser resumida nesta lista: 1583, 1603, 1624, 1692, 1711, 1720, 1723-1724, 1744-1746, 1754, 1760, 1772, 1766-1767, 1777-1780, 1784, 1790-1794, 1804, 1809, 1810, 1816- 1817, 1824-1825, 1827, 1830-1833,1845, 1877-1879, 1888-1889, 1891, 1898, 1900, 1902-1903, 1907, 1915, 1919, 1932-1933, 1936, 1941-1944,1951- 53, 1958, 1966, 1970, 1976, 1979-1981, 1982-1983, 1992-1993, 1997-1998, 2001-2002, 2005, 2007, 2010 e 2012-2015. Desde a década de 1950 o governo começou a tomar medidas contra as secas, incluindo a construção de cisternas e canais e criação de programas sociais para as pessoas afetadas. Desde 1970 não há mais registro de mortes devido à seca, embora o êxodo do semiárido durante as secas continua ainda que em grau muito menor. Talvez a seca mais cara durante o século 20 foi em 1979-1983, quando as despesas do governo atingiram cerca de US $ US 7,8 bilhões.

3. A Seca de 2012-2015: características, causas e impactos A Figura 1 mostra que 2010 já foi um ano seco, e que no período 2010-15, somente 2011 teve chuvas acima da média, mas este foi seguido pelos déficits de precipitação mais graves em 2012. Isto sugere uma natureza multianual da atual seca, dos quais os primeiros sinais começaram em 2010. Segundo Marengo et al. (2013, 2016), as estações chuvosas de fevereiro a maio no NEB em 1998 e 2012 foram as mais secas entre 1961 e 2012, caracterizadas pelo percentil muito seco. Vários estudos têm indicado que a maior parte do NEB tende areceber mais precipitação durante episódios La Niña, mas o ano de 2012 não seguiu o padrão. Durante o evento La Niña de 2012, o mesmo ano em que houve inundações recorde no leste da Amazônia, o NEB declarou estado de emergência na maioria dos distritos na região devido a uma seca considerada a mais grave nas recentes décadas.
As causas meteorológicas do inicio da seca de 2012são apresentadas por Marengo et al. (2013). Em 2012 e 2013, mudanças na circulação atmosférica e precipitação são consistentes com a atuação de águas superficiais mais frias que o normal no Pacífico equatorial, commovimento ascendente acima do normal e precipitação no leste da Amazônia a uma resposta típica de convecção atmosférica à SST fria no Pacífico tropical. Na alta atmosfera, a circulação apresentou maior divergência sobre a Amazônia e uma maior convergência na região Nordeste do Brasil, com um movimento ascendente intenso no leste da Amazônia durante o verão austral esubsidência anômala sobre NEB durante o outono austral de 2012. Sobre o Atlântico Sul, águas anormalmente mais frias durante Setembro de 2011 e, mais tarde, durante Março-Maio 2012 induziram uma intensificação da pressão no Atlântico Sul, e quando as águas anomalamente frias no Atlântico Sul migraram para o norte (10-200S). Subsequentemente, esta alta pressão interagiu com a subsidência induzida pelo forte movimento ascendente na Amazônia, determinar condições de menos chuva no NEB. As condições de menos chuva começaram a aparecer em dezembro de 2011 no setor norte e depois se estenderam a todo o NEB durante a quadra chuvosa FM AM 2012. Devido a um papel ativo da alta pressão subtropical do Atlântico, a qual esteve mais interna e mais perto do continente, isso determinou subsidência de baixo nível que afeito negativamente o regime das chuvas NEB. As Figuras 2 e 3 apresentam a evolução temporal e o padrão espacial da seca considerando o número dedias com déficit hídrico (NDDH, Fig. 2) e o percentual de anomalia do índice de suprimento de água para vegetação (VSWI, Fig. 3) entre os anos hidrológicos (outubro-setembro) de 2011 até 2016. O NDDH é calculado a partir do modelo de balanço hídrico (Souza et al., 2001; Rossato et al., 2005) desenvolvido pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE). O NDDH estima o número de dias em que o crescimento da vegetação é restrito em razão da insuficiência de água no solo (umidade do solo abaixo de um valor crítico). De modo geral, quando as chuvas no trimestre chuvoso são bem distribuídas e suficientes, o número de diascom déficit tende a ser pequeno, e contrário ocorre quando as chuvas são escassas ou mal distribuídas no tempo (veranicos), em que o

Pensamento do mês

Pensamento do mês