1 de dez de 2018

Palma forrageira: aspecto do cultivo e desempenho animal


Por Maxwelder Santos Soares, Zootecnista,
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, 
Itapetinga.E-mail:maxwelder10@hotmail.com

RESUMO

Objetivou-se avaliar o plantio, espaçamento, adubação e uso de palma forrageira na dieta de ruminantes. O semiárido do Nordeste Brasileiro é caracterizado pela escassez, irregularidade de chuvas, logo a palma forrageira torna-se um alimento estratégico para períodos com baixa disponibilidade de forragem. A procura por forrageiras adaptadas a essas condições climáticas é essencial para melhoria da produtividade da pecuária desta região. A composição química da palma varia conforme a espécie, a idade e a época do ano, sendo um alimento rico em carboidratos, principalmente não fibrosos, apresentam baixa porcentagem de constituintes da parede celular e alto coeficiente de digestibilidade de matéria seca. Portanto, recomenda-se a palma forrageira na alimentação de bovinos, ovinos e caprinos como um dos ingredientes da ração visando atender as exigências dos animais, porém para uma eficiente utilização da palma, é essencial o uso de volumoso de boa qualidade.

INTRODUÇÃO

A palma forrageira é originária do México e se adaptou bem na região semiárida do Brasil e do mundo pelas suas características anatômicas, morfológicas, fisiológicas e bioquímicas, decorrente da adaptação aos rigores climáticos. Na região Nordeste do Brasil predomina o cultivo de espécies de palma dos gêneros Opuntia (variedades Redonda e Gigante) e Nopalea (palma miúda ou palma doce), ambos da família Cactácea. Segundo Marconato et al. (2008), o Brasil possui a maior área plantada
do mundo, aproximadamente 600 mil hectares, sendo a maioria cultivada a espécie Opuntia fícus-indica (L) Will, mais conhecida como “Palma Gigante.” Nessa busca por alimentos que possibilitem a produção animal nos períodos críticos do ano, a palma forrageira destaca-se por ser um alimento rico em carboidratos, principalmente não fibrosos, importante fonte de energia para os ruminantes (Van Soest, 1994), apresenta baixa porcentagem de constituintes da parede celular e alto coeficiente de digestibilidade de matéria seca e há várias décadas possibilita a produção animal nos períodos críticos do ano. Portanto, objetivou-se avaliar a palma forrageira do cultivo à utilização na dieta de ruminantes.
ESTABELECIMENTO DO PALMAL

Plantio

No processo de plantio recomenda-se que seja feita a seleção do material propagativo, pois o tamanho do cladódio exerce efeito importante quanto ao número e o tamanho das brotações no primeiro ano de crescimento da palma, bem como se recomenda deixá-los à sombra por pelo menos sete dias para que ocorra a cicatrização dos ferimentos provenientes do corte no processo de colheita. Cladódios com dois a três anos de idade são os mais indicados por emitirem brotações mais vigorosas por ocasião do plantio (Farias et al., 2005). No plantio da palma forrageira destaca-se o sistema manual com o plantio dos artículos realizado em covas, durante período seco é importante para evitar o apodrecimento das raquetes; plantio na estação chuvosa ocasiona uma maior contaminação por fungos e bactérias em virtude da umidade excessiva. Os cladódios que serão usados para o plantio devem ser retirados da parte intermediária da planta, vigorosos e livres de qualquer praga. Diante disso, deve-se levar em consideração para um bom desenvolvimento da palma forrageira, necessita realizar práticas de manejo como, análise de solo, aração, gradagem, adubação e se necessário, fazer a subsolagem da área. No entanto, por se tratar de uma cultura perene, Lopes et al. (2007) recomenda que o manejo seja mecanizado, e que seja utilizado solos de textura leve, preferencialmente os argilo-arenosos não sujeitos a encharcamento, com declividade de até 5%, resultando em um bom desenvolvimento vegetativo e produtivo (Almeida et al., 2012). Lopes et al. (2009) em pesquisa com a palma doce, plantada no espaçamento de 1,00 x 0,50 m, avaliaram três formas de plantio, P1 - cladódio plantado na vertical 90°; P2 - cladódio plantado com vértice para o leste, inclinação de 45º e P3 - cladódio plantado com vértice para o oeste, com inclinação de 45º. Estes observaram que as
formas de plantio, não foram influenciadas pela posição do cladódio. Peixoto (2009) conduziu experimento no Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Ceará, onde os tratamentos avaliados foram plantas expostas ao sol ou sombreadas, posição de plantio do cladódio com ou sem adubação orgânica. Os mesmo verificaram que a adubação orgânica e o plantio sob o sol induzem a um melhor desempenho da palma forrageira (Opuntia ficus-indica (L.) Mill). Sendo que a posição no plantio Leste/Oeste ou Norte/Sul não influencia no desempenho da palma forrageira.

Espaçamento

O espaçamento de plantio da palma forrageira é utilizado como uma estratégia de manejo, pois é importante no estabelecimento do palmal. Varia de acordo com a fertilidade do solo, pluviosidade, finalidade de exploração e sua utilização ou não em consórcio com outras culturas. Além disso, o espaçamento deve ser escolhido de acordo com a preferência e a disponibilidade de capital do produtor. Ramos et al. (2011) com o objetivo de avaliação do rendimento em massa verde de palma forrageira (Opuntia fícus indica (L.) Mill), cv. Italiana, em função dos espaçamentos (1 x 1; 1 x 0,5; 2 x 1; 2 x 0,5 m ) aos 455 dias após o plantio, verificaram que a produção de fitomassa por área foram incrementadas com o adensamento, chegando a 130,06 Mg/ha-1 de massa verde (Tabela 1).   Alves et al. (2007) avaliaram dados de 19 anos de cultivo de palma forrageira (Opuntia ficus indica Mill), cv. Gigante no Agreste de Pernambuco, onde o solo é classificado como planossolo, em parcelas principais (28 x 16 m) foram constituídas pelos espaçamentos de 2 x 1; 3 x 1 x 0,5 e 7 x 1 x 0,5 m, Não verificaram diferença sobre a produtividade de biomassa, independentemente do espaçamento (Tabela 2). O espaçamento está diretamente associado à interceptação de luz pela planta. Portanto, plantios mais adensados promovem maior produtividade, devido à maior eficiência na interceptação da radiação luminosa (Farias et al., 2005).
Adubação

A palma forrageira é uma cultura que responde bem a adubação, independentemente da cultivar utilizada, promovendo incremento da área foliar e de matéria seca, refletindo no crescimento da planta e, consequentemente, na produtividade, o que acontece também para o plantio adensado e para a adubação orgânica associada à adubação química (Almeida et al., 2012). Entretanto, para maior eficiência e produtividade do palmal é necessário identificar os elementos minerais e os níveis ideais para obter maiores ganhos de biomassa (Araújo Filho, 2000). Avaliando, ao acaso, 50 clones de palma (49 da espécie Opuntia ficus indica (L) Mill e um da espécie Nopalea cochenillifera), Silva et al. (2010) utilizando adubação orgânica de esterco bovino equivalente a 30.000 kg/ha, no momento do plantio e após cada corte, verificaram a produção de 7,1 t matéria seca/ha/dois anos, em palma com 5 anos de idade. Provavelmente, a baixa produtividade obtida por estes autores foi devido à avaliação conjunta de várias plantas de genótipos distintos, algumas com alta produção, porém menos resistentes a cochonilha e outras resistentes ao inseto, mas como baixa capacidade produtiva. Em experimento conduzido na estação experimental de Caruaru-PE, Silva (2012b) utilizou como material forrageiro a palma Clone-IPA-20. Os tratamentos experimentais foram combinação de doses de adubação orgânica 20, 40 e 80 t de matéria de esterco bovino/ha/dois anos e diferentes densidades de plantio 20, 40, 80 e 160 mil plantas por hectare, obtidas pelos seguintes espaçamentos de plantio: 1,0 x 0,50 m; 1,0 x 0,25 m; 0,50 x 0,25 m e 0,50 x 0,125 m, respectivamente. O autor concluiu que a aplicação de 80 t de esterco promove maiores produtividades nas diferentes densidades de plantio com valores de 61,0; 90,0; 126; 117,0 e 139,0 t de biomassa esterco, e que a eficiência de adubação orgânica diminui com a elevação das doses de
adubo, sendo que a dose de 20 t de esterco bovino/ha/dois anos não atende as exigências nutricionais de plantas cultivadas sob densidade de plantio de 160.000 plantas/ha. Silva (2012a) avaliou o efeito de diferentes espaçamentos e adubação mineral sobre o crescimento e produção da palma forrageira, com três espaçamentos, 1,00 x 0,50 m; 2,00 x 0,25 m e 3,00 x 1,00 x 0,25 m e quatro adubação, 000-000-000; 200-150-100; 200-150-000 e 000-150-000 kg ha-1 de N-P2O5-K2O, respectivamente. Foi avaliado o crescimento entre 90 e 390 dias após o plantio (DAP) e produção e crescimento aos 620 DAP. Este autor verificou que não existem diferenças em produção de matéria seca em função das adubações NPK, NP, P e testemunha para os espaçamentos 2,00 x 0,25 m e 3,00 x 1,00 x 0,25 m. As adubações com NPK e NP, principalmente sob espaçamento de 1,00 x 0,50 m, conferem melhores respostas para as características de crescimento avaliadas e para produção de massa verde e matéria seca e, ainda as quantidades de nutrientes utilizados nas adubações promovem pequenas alterações na produção. Donato et al. (2014) avaliaram o rendimento de palma forrageira cv. Gigante aos 600 dias após plantio, cultivada em diferentes espaçamentos (1,0 x 0,5; 2,0 x 0,25; e 3,0 x 1,0 x 0,25 m) e doses de adubação orgânica com esterco bovino (0; 30; 60 e 90 t ha-1 ano-1). Os autores verificaram que as produções de matéria seca registradas nos espaçamentos foram 21,5; 18,6 e 14,7 t ha-1, sendo que a

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