1 de ago. de 2020

Fazenda Carnaúba - PB

SINDI - Gado Vermelho para o Semiárido por Paulo Roberto Miranda Leite e Alberto Alves Santiago

Desde 1943, Manoel Dantas Vilar Filho vem trabalhando e selecionando raças zebuínas para produção de leite, no semiárido dos Cariris Velhos da Paraíba, em sua Fazenda Carnaúba, no município de Taperoá. Inicialmente, o criador havia experimentado o Indubrasil, mas verificou que "*as novilhas tinham parição tardia, davam menos leite e a mortalidade era mais alta. Com o Nelore, acabou o leite e a mansidão e na geração seguinte acelerou o processo de encabritamento do gado, que pouco resistia à seca. Como Gir, obteve o menor porte e o mais lento ganho de peso entre as raças estudadas". Convenceu-se que somente uma pecuária de dupla função (carne e leite), com rusticidade superlativa, pode constituir a solução do problema rural nordestino. Voltou-se, então para o gado Guzerá de Cantagalo, de que se tornou um dos continuadores do trabalho do pioneiro Cel. João de Abreu Júnior, formando um excelente rebanho, de alta produtividade. A região em que vive apresenta os inconvenientes e dificuldades do semiárido, onde chove em média 149 mm/ano. Por isso, o selecionador teve de organizar sua fazenda racionalmente, dotando-a de todas as instalações necessárias e mais adequadas ao sistema de trabalho. Construiu um grande armazém para estoque de feno e introduziu no campo, gramíneas australianas, principalmente, o capim Buffel biloela (Cenchrus ciliares) e o Urochloa (Uruchloa mosambiensis (Hack) Dandy cv. Nixon. Graças à sua providencia, o gado venceu os cinco anos de intensa seca, de 1979 a 1983, recorrendo ao feno, palhas, sabugo, restos de
Adega D

cultura e ureia. Tomando conhecimento do gado Sindi introduzido no Brasil, Manoel Dantas Vilar procurou, em 1979, conhecer a raça vermelha, dada a sua aptidão leiteira. Passada a seca, em dezembro de 1983, adquiriu nove fêmeas de um criador de Pernambuco e para servi-las, dois reprodutores da EMEPA-PB, do lote trazido do Instituto de Zootecnia de São Paulo, todos de origem de Camargo. Em 1985, com a consultoria técnica de Geraldo Oliveira, médico veterinário, conhecido como Geraldo Caboclo, escolheram e adquiriram diretamente de José Cezário de Castilho, 52 fêmeas e, em maio de 1985, mais 51, perfazendo um total de 103 matrizes, escolhidas na cabeceira do gado, além de dois touros. Para servi-las conseguiu da EMEPA-PB mais dois machos oriundos do gado puro de origem do
Manoel Dantas Vilar Filho (março 2010)

Pará. Agora Manoel Dantas Vilar chegou à situação de só poder usar reprodutores de seu próprio rebanho, com base no controle leiteiro e na eficiência reprodutiva. Disse-nos Dantas Vilar: "o gado importado em 1952 é da maior importância, porquanto foi possível através dele obter maior homogeneização, maior rusticidade e maior produção leiteira no gado Sindi antigo". Referia-se aqui ao rebanho de Novo Horizonte, descendente dos importados em 1930. O plantel é objeto de observações cuidadosas e permanentes, quanto à aptidão leiteira, fertilidade, habilidade maternal, peso ao nascer, desenvolvimento ponderal e características raciais. Quanto a este ponto notou-se a perfeita uniformidade do numeroso rebanho, que examinamos em companhia de José Cezário de Castilho. Verificou-se que a idade ao primeiro parto tem variado de 28 a 32 meses, em função das secas. Em 1990, choveu 124 mm; em 1992 choveu 202 e 120 mm,
respectivamente. Os anos de 1990 e 1995 foram os mais secos, desde 1915, quando choveu apenas 15 dias, conforme registro antigo da Fazenda. O intervalo entre partos tem variado de 13,2 a 15,4 meses nesses anos todos. Toda a vacada é submetida ao controle leiteiro, inicialmente pela ABCZ e depois pelo Departamento de Zootecnia da Universidade Federal da Paraíba. As fêmeas que não alcançaram os limites estabelecidos são apartadas para a venda, dando origem a novas criações. O controle leiteiro foi iniciado em maio de 1987 e prosseguiu com regularidade até o presente, abrangendo 310 lactações, conforme verificado pelas cópias de todas as folhas do livro de registro. Foi observado que 43 lactações superaram 3.000 kg de leite; 33 ultrapassaram 3.255 kg e 13 vacas produziram acima de 3.500 kg. Houve 17 produções acima de 16 kg dia de leite; o leite de 174 vacas apresentou mais de 5% de matéria graxa, nos 310 controles, confirmando a qualidade de leite gordo das raças zebuínas, sempre superior aos das raças taurinas. As maiores produções de leite foram da reprodutora Galeria, com 4.339 kg em 330 dias, com média diária de 13,14 kg; enquanto Fantasia produziu 3.951 kg, em 294 dias, com média diária de 13,43 kg, revelando a elevação constante da produtividade do rebanho, em uma década de trabalho seletivo.
Manoel Dantas Vilar Filho (março de 2010)
O rebanho atual da Fazenda Carnaúba é constituído de 626 cabeças, entre adultos e novos, todos inscritos no Registro Genealógico. Ë o maior e melhor rebanho leiteiro Sindi do país, apesar da venda de 229 fêmeas parideiras a vários criadores, originando novos plantéis. Surpreendente prolificidade.

 


6 de jul. de 2020

A Entrada Oficial da Raça Sindi no Nordeste


(Artigo publicado por Leite (1991a), no Jornal Correio da Paraíba - retirado do livro: Sindi: O Gado Vermelho para o Semiárido)
A história da raça Sindi no Nordeste começou na Paraíba, quando em 1980, Virgolino de Farias Leite Neto, Diretor do Registro Genealógico da ABCZ no Estado, após contatos com o Embaixador do Paquistão, em Brasilia, DF, conseguiu vasto material da Universidade de Karachi sobre esta raça além de fazer contato pessoal com o Sr. José Cezário de Castilho em São Paulo, presidente da Associação Brasileira de Criadores da Raça Sindi e maior criador de Sindi do país. Na época, trabalhava-se com duas raças zebuínas para seleção leiteira, o Gir de Umbuzeiro-PB e o Guzerá de Cruz das Almas-BA, que já havia sido transferido pela Embrapa para a Paraíba. Foi discutida sempre a possibilidade de se introduzir a terceira raça leiteira zebuína na Paraíba. A universidade Federal da Paraíba, através do Centro de Ciências Agrárias de Areia, com intermediação de Virgolino de Farias Leite Neto e aprovação de técnicos daquele centro e da própria reitoria e com a disposição do Sr. José Cezário de Castilho de firmar um núcleo da raça Sindi no Nordeste, estabeleceram um convênio de Parceria Pecuária, para transferência de um grupo de animais da raça Sindi para avaliação no semiárido, no Campus da UFPB, em Patos, Sertão da Paraíba. O contrato foi assinado em 24 de janeiro de 1980. Em 20 de março de 1980, a Gazeta de Lins-SP publicava notícia sobre comissão de técnicos paraibanos, que a serviço da UFPB, escolheram lote da raça Sindi, e que era formada por Francisco Pereira Mariz (UFPB), Paulo Roberto de Miranda Lelte (Embrapa) e Virgolino de Farias Leite Neto (SR-ABCZ). Os animais foram: 2 touros (Veado e Balaio), 2 vacas com cria (Paladina e Fátia II) e 18 fêmeas (Capela, Ibitinga, Armanda, Dengada Frasqueira, Aliada, Eleição, Candidata, Poesia, Freta, Legislatura, Bissetriz, Duquesa, Aba, Aeronave, Astuta, Alvorada e Baiuca), todas registradas na ABCZ.
Em 1968, o autor estagiou na Estação Experimental de Ribeirão Preto do I.Z. de São Paulo, quando conhecemos os trabalhos que ali eram conduzidos com a raça Sindi para seleção leiteira, sob a orientação do Dr. Alberto Alves Santiago, então Diretor do Instituto de Zootecnia. Em 19 de março de 1980, de passagem pela Estação Experimental de Colina-SP tomou conhecimento da disposição
do Governo do Estado de São Paulo em desativar os trabalhos com a raça Sindi. Através de exposição de motivos endereçada à Secretaria da Agricultura e Abastecimento, a quem a Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba está vinculada, fez-se proposta sobre a importância e oportunidade de negociar a transferência do rebanho ou parte dele.
Em 21 de março de 1980, foi conseguido do Governo do Estado da Paraíba, documento oficializando o pedido dos animais que se encontravam em Colina-SP. Em 16 de setembro de 1980, o Governo de São Paulo concordava com uma permuta e assim vieram para a EMEPA-PB, dois touros (Valor e Zebrado), 12 vacas (Tanali, Vaqueta, Turquia, Tara, Unção, Upa, Vacaria, Urca, Usura, Tijuca, Turquesa e Taberna), provenientes da seleção que o Instituto de Zootecnia vinha realizando há 20 anos, com animais da importação de 1930, cedidos do Sr. José Cezário de Castilho e da importação do Dr. Felisberto de Camargo em 1952, através da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", de Piracicaba. Foi recebido o que melhor havia da seleção do I.Z., porém, os animais não estavam mais sendo registrados pela ABCZ, devido às mudanças administrativas naquele instituto.
A partir de 1980, criadores particulares entusiasmados com o que viam em Patos-PB (UFPB) e Riacho dos Cavalos-PB (EMEPA-PB), onde exemplares da raça Sindi demonstravam excelente adaptação ao meio ambiente do semiárido, justamente nas regiões mais áridas do Estado, estabeleceram contatos com o Sr. José Cezário de Castilho e com criadores de outros Estados e, assim, foram formados vários rebanhos, com destaque ao da Fazenda Carnaúba, em Taperoá-PB, do Sr. Manoel Dantas Vilar Filho. Merecem destaques hoje na Paraíba, também os rebanhos do Sr. Pompeu Borba em Campina Grande-PB, da Organização Saulo Maia, em Areia-PB, e do Sr. Mário Silveira, em Mogeiro-PB, além de diversos núcleos em formação.
Em 1982, em visita ao National Dairy Research Institute (NDRI) no Karnal, India, para conhecimento dos trabalhos com as raças Sindi, Sahiwal e Tharparkar, deparamo-nos com um trabalho de alto nível técnico e administrativo, com os rebanhos sendo acompanhados há mais de 25 anos por equipes técnicas bem preparadas e com um grande número de informações e trabalhos cientificos publicados sobre os animais daquele Centro de Pesquisa. Trabalhavam também com raças leiteiras de Búfalos e na formação de uma raça ou tipo leiteiro do cruzamento do Sahiwal com a raça Parda Suiça, que chamavam de "Karan Swiss". Os animais da raça Sindi que pertenciam àquele Centro, como das demais raças, eram submetidos a um manejo racional e os trabalhos visavam à
produção leiteira. A surpresa maior foi verificar-se quando da visita ao Pará, nas Estações Experimentais da Embrapa, a semelhança entre os exemplares do Kamal, India e aqueles remanescentes da importação do Dr. Felisberto de Camargo, em 1952.
Em 1984, após nosso retorno da India, quando foram analisados os resultados de diversos trabalhos sobre o desenvolvimento ponderal da raça Sindi na Índia e no Paquistão e surgiu a oportunidade de participar de várias Exposições no Brasil, verificou-se a inviabilidade de se manter uma equivalência de pesos entre as raças Sindi e Gir. O resultado era conhecido; exemplares da raça Sindi não entravam nas Exposições por apresentarem sempre pesos abaixo da tabela (a tabela oficial de pesos da raça Gir foi adotada para a raça Sindi). Em 1984, publicou-se um trabalho sobre a "Equivalência dos limites mínimos de pesos das raças Gir e Sindi" (Leite & Santos, 1984), e como resultado, a tabela sugerida foi homologada pelo Conselho Técnico da ABCZ e a partir da 52." Exposição Nacional do Gado Zebu de Uberaba, em 1986, foi a mesma incorporada no regulamento, permitindo assim uma participação efetiva da raça em todos os eventos realizados no país, incentivando os antigos e novos criadores a mostrarem seus animais, sem preocupação de transformarem a raça em um tipo de corte.
Em 1988, após várias negociações com a Embrapa, conseguiu-se autorização para escolher um lote de animais originários da importação de 1952, do Dr. Felisberto de Camargo e que se encontravam sob responsabilidade do Centro de Pesquisas Agropecuárias do Trópico Úmido (CPATU) e UEPAE de Belém, ambos da Embrapa, no Estado do Pará. Esta transferência representou o mais importante acontecimento para a raça Sindi na Paraíba e no Nordeste. Eram os exemplares mais puros que existiam da raça no Brasil e, após 4 anos de negociações, Vlagens, escolha e transporte dos animais, o projeto foi concretizado e, hoje, estes animais se juntaram aos que vieram do Instituto de Zootecnia de São Paulo, formando o melhor núcleo puro dessa raça no Brasil. Foram 4 touros (Abutilo, Bravo, Bando e Condor) e 30 fêmeas, sendo 4 paridas. Constitui um núcleo de animais que deveria ser assumido pelos órgãos de pesquisa, como material genético em preservação, podendo concomitantemente ser avaliado nas condições do semiárido nordestino. Entre a UFPB e a EMEPA-PB, existem mais de 200 animais da raça Sindi em constantes observações, constituindo-se numa das melhores reservas genéticas da pecuária bovina da região.



13 de mai. de 2020

O SINDI - CRIAÇÃO DE BOVINOS - DORCIMAR C. MARQUES


Raça Sindi
Esta raça provém de uma província do Paquistão, chamada Sind, onde recebe a denominação de Red Sindi. No Brasil, é conhecida com o nome de Sindi e classificada no mesmo grupo do gado Gir, ou seja, o III tipo básico de gado indiano. Esse grupo III enquadra o gado de perfil craniano ultraçonvexo, corpo compacto, barbela e umbigo pendulosos. O rebanho Sindi existente no Brasil é o resultado de duas importações: a primeira ocorreu no ano de 1930 e a segunda em 1952, segundo Santiago, em seu livro A EPOPÉIA DO ZEBU.
Na verdade, mesmo tendo encontrado no Brasil condições excepcionais para viver e produzir, o rebanho Sindi é ainda representado por um número pouco significativo, pois, além de sua importação relativamente recente, poucos são os pecuaristas que se dedicam à sua criação. Adapta-se, perfeitamente, ao clima e às condições de criação existentes em nosso país, uma vez que em seu lugar de origem é criado exclusivamente em regime de campo.
Características

Porte - O Sindi é um gado de pequeno porte e de boa aparência, lembrando o Gir vermelho.
Pelagem – Sua pelagem é vermelha, sendo que em muitos exempla res podem aparecer manchas brancas em qualquer parte do corpo. A pele e mucosa são escuras.
Cabeça - E pequena e de perfil convexo. Os chifres são curtos, grossos na base, crescendo para fora e para trás, sendo que nas fêmeas seu crescimento é para fora e para cima. As orelhas são de tamanho médio e caídas. Os olhos são escuros.
Pescoço - É curto e forte, com barbela bem desenvolvida e pregueada.
Cupim - É relativamente grande nos machos e colocado firmemente sobre a cernelha.
Tronco - Peito desenvolvido e tórax amplo, com bom arqueamento de costelas. Linha dorso-lombar reta. Boa cobertura muscular    rupa arredondada e um pouco saliente em alguns animais. Úbere de bom tamanho e têtas grossas.
Membros - São curtos, bem aprumados e com regular cobertura muscular.
Cobertura muscular - Bem distribuída.
Pele - De coloração preta, flexível, macia coberta de pelos curtos e finos.

Aparência geral
Gado de bela aparência, dócil, vigoroso e de boa conformação para o abate.

Aptidão
Na Índia, o gado Sindi é o mais utilizado para produção de leite, chegando a produzir a média de 1700-1800 kg por lactação nas fazendas de melhor seleção. No Brasil, talvez pelo reduzido número de animais, ou mesmo pela falta de dados computados por técnicos, a raça não revelou a mesma aptidão leiteira.
Para produção de carne, mesmo sendo o gado Sindi bastante rústico e acostumado ao regime de campo, dificilmente conseguirá igualar-se às outras raças indianas, pois é de pequeno porte e de desenvolvimento mais lento.

Registro genealógico da raça
O serviço de registro genealógico da raça Sindi está a cargo da Sociedade Rural do Triângulo Mineiro, na cidade de Uberaba.
Alguns caracteres indesejáveis
Cabeça muito pesada.
Perfil côncavo.
Nimburi.
Prognatismo.
Chifres móveis.
Orelhas muito longas ou excessivamente curtas.
Focinho claro.
Peito estreito.
Cupim tombado para um dos lados.
Tórax deprimido.
Umbigo muito penduloso.
Vassoura da cauda branca.
Membros muito compridos e aprumos defeituosos.
Cascos brancos.
Monorquidismo ou criptorquidismo.
Úbere muito penduloso.
Despigmentação.
Crescimento retardado.
Fêmeas com vulva atrofiada.
Feminilidade no macho e masculinidade na fêmea.
Raça sindi: corresponde ao red sindi da Índia, 
onde é explorado para produção de leite








24 de mar. de 2020

Efeito do sombreamento em parâmetros fisiológicos e produção embrionária in vitro de novilhas Nelore tropicais adaptadas em sistemas integrados de cultivo, gado e floresta

Leite da Silva, W.A., Poehland, R., Carvalho de Oliveira, C. et al.
O objetivo deste estudo foi avaliar o impacto do aumento da oferta de sombra em sistemas integrados de lavoura-pecuária-floresta no desenvolvimento embrionário in vitro e parâmetros fisiológicos relacionados à resposta ao estresse em novilhas Nelore ( Bos indicus ). Para o estudo, os animais ( n  = 16) foram divididos aleatoriamente em dois grupos e mantidos em áreas com diferentes sistemas de arborização, o sistema integrado lavoura-pecuária-floresta (ICLF) e o sistema integrado lavoura-pecuária (ICL). O microclima do sistema ICLF proporcionou melhores condições de conforto que o ICL. Não foram verificadas diferenças de frequência respiratória, temperatura retal, cortisol, T3, T4, qualidade de oócitos e taxa de clivagem entre os sistemas. Observou-se uma taxa mais alta de blastocistos na ICLF (p menor igual a 0,05). Os resultados demonstram que as novilhas Nelore manejadas na ICLF durante o verão no Centro-Oeste do Brasil apresentaram maior produção de embriões in vitro, sem alterações típicas em seus parâmetros fisiológicos. Os resultados observados no presente estudo indicam que as fêmeas de zebu são capazes de responder satisfatoriamente às intensas condições de calor; no entanto, acreditamos que o longo período a que esses animais são expostos a essas condições interfere na competência oocitária e no desenvolvimento embrionário.
Introdução
O ambiente em que os animais vivem tem efeitos importantes nas condições de bem-estar dos animais e pode afetar o desempenho produtivo e reprodutivo dos animais. O desempenho satisfatório de um animal depende de uma faixa de temperatura chamada zona de conforto térmico (TCZ), que corresponde aos limites de temperatura nos quais o animal está em homeostase, sem o uso de dispositivos termorregulatórios (Pereira 2005 ). Quando a temperatura ambiente atinge temperaturas críticas superiores a TCZ, a eficiência dos processos de perda de calor é reduzida e o animal entra em estresse por calor (SH) (Silanikove 2000 ), o que leva a uma conseqüente ativação dos mecanismos de termoregulação (Rodrigues et al. 2010) Como respostas, são observadas alterações no comportamento animal, temperatura corporal, frequência respiratória, frequência cardíaca e taxa de sudorese (Paranhos da Costa 2004 ), bem como alterações na atividade adrenal e na resposta imune (Geraldo et al. 2012 ), Macedo e Macedo. Zúccari 2012 ). Redução do ganho de peso (Navarini et al. 2009 ), consumo de alimentos (Geraldo et al. 2012 ) e, consequentemente, uma redução no desempenho reprodutivo também foram relatados (Lima et al. 2013 ). Na reprodução, o HS afeta o desenvolvimento folicular e a qualidade dos oócitos (Roth et al. 2001 ), interferindo desde os estágios iniciais até o final da maturação (Paula-Lopes et al. 2012 ), bem como o número e a qualidade dos embriões produzidos in vitro (Torres-Junior et al. 2008 ). Como consequência dos distúrbios mencionados, a taxa de gravidez também é afetada negativamente.
O sombreamento diminui a incidência de radiação no animal; beneficia o conforto térmico e favorece a homeotermia (Geraldo et al. 2012 ). Segundo Silanikove ( 2000 ), o sombreamento bem projetado reduz a carga total de calor em 30 a 50%. Os benefícios da sombra são mais evidentes no Bos taurus , mas efeitos positivos de sombra já foram observados no Bos indicus (Navarini et al. 2009 ). Embora o efeito positivo do sombreamento seja conhecido, mudanças importantes no manejo de bovinos de corte no Brasil não foram observadas ao longo dos anos. O sistema ICLF, inicialmente projetado para a recuperação de solos e pastagens degradados, foi destacado por melhorar a conversão alimentar, o ganho de peso e o microclima, reduzir o calor através das árvores e contribuir para a sustentabilidade da pecuária nos trópicos com efeito direto sobre bem-estar e conforto térmico (Broom et al. 2013). Faltam informações sobre a variação no comportamento e no desempenho reprodutivo do gado, especialmente o zebu, em relação à disponibilidade ou distribuição de sombra nas áreas onde os animais pastam, por exemplo, usando o sistema integrado de lavoura-pecuária (ICLF). O objetivo deste estudo foi avaliar o impacto do aumento da oferta de tonalidade na ICLF no desenvolvimento embrionário in vitro e parâmetros fisiológicos relacionados à resposta ao estresse de doadoras da Nelore.
Materiais e métodos
O experimento foi realizado na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, EMBRAPA bovinos de corte, localizada no município de Campo Grande, MS (20 ° 27 'S, 54 ° 37' W e 530 m de altitude), na transição entre mesotérmica úmida clima sem seca e tropical úmido, com estação chuvosa no verão e seca no inverno. A estação chuvosa geralmente ocorre entre outubro e março. A pluviosidade média anual é 1225 mm (Gemtec 2016 ).
Áreas experimentais
O delineamento experimental foi inteiramente casualizado. Duas áreas experimentais foram utilizadas, como descrito anteriormente por Oliveira et al. ( 2014 ) (fig.  1 ). A área 1 foi caracterizada pelo sistema integrado lavoura-pecuária-floresta (ICLF), com 6 ha divididos em 4 piquetes, com uma densidade de 227 árvores ha -1, dispostas em fileiras de eucaliptos ( Eucalyptus grandis x urophylla , clone H13) com distância de 22 m entre linhas. A área 2 foi caracterizada por pastagem com reflorestamento nativo de pecuária integrada (ICL) com 6 ha divididos em 4 piquetes e presença de 5 árvores ha -1 . Árvores nativas da savana brasileira, Cambará ( Gochnatia polymorpha Less .) E Cumbaru (Dipteryx alata Vog ) estavam presentes. Ambas as áreas possuíam Brachiaria brizantha cv. Piatã.

 A quantidade de sombra em cada área foi calculada de acordo com a metodologia utilizada por Silva ( 2006 ) e Cipriani et al. ( 2015 ). Foram medidas a altura da árvore, a altura do caule, o raio da coroa e o tipo de coroa (lentiforme, cilíndrico, cônico ou elioide) e, a partir dessas medidas, as projeções de sombra de cada árvore foram estimadas em cada área.
Animais
As fêmeas nelore (n  = 16) foram divididas em 2 grupos, oito animais por área experimental. Os animais tinham entre 22 e 24 meses de idade e tinham uma pontuação corporal de 2,5 a 3,5 (Ferguson et al. 1994 ), com peso médio de 348,5 (± 41,9). O sistema de pastejo utilizado foi contínuo. Os animais tiveram acesso à água e sal mineral ad libitum. Todos os doadores foram submetidos a três sessões de aspiração folicular guiada por ultrassom (OPU) para coletar complexos cumulus-oócitos (COCs) uma vez por mês para a produção de embriões in vitro de dezembro de 2015 a fevereiro de 2016. As novilhas foram manejadas nas mesmas áreas desde o desmame.
Monitoramento microclimático
As características microclimáticas em ambas as áreas foram determinadas em dezembro de 2015, janeiro e fevereiro de 2016, das 8:00 às 16:00 (hora local, GMT 04:00), divididas em 8-10, 11-13 e 14 –16 h, 4 dias por mês, de acordo com a metodologia de Karvatte et al. ( 2016 ). Para a medição da temperatura do globo preto (° C), a metodologia proposta por Coelho et al. ( 2013 ), adotado por meio de termo-higrômetro digital com registrador de dados (modelo Perceptec1020, Perceptec Soluções e Tecnologia Ltda., São Paulo, Brasil) inserido em bóias plásticas (PVC) de 0,15 m de diâmetro, pintadas de preto fosco (Fig. 2a
Para a determinação da temperatura (° C) e umidade do ar (%), foi utilizado termômetro digital com data loggers (marca Instrutherm, modelo HT-500) para medir bolbo seco e ponto de orvalho (Fig. 2a), inserido no tubos de PVC perfurados (Fig. 2b ) (Trumbo et al. 2012).
As condições do microclima foram acompanhadas por dois dispositivos localizados em cada área. Os dispositivos foram colocados em pleno sol e sob a sombra projetada, a dois metros do tronco das árvores, 1,3 m acima do solo (na tentativa de simular a altura das costas de um jovem bovino). O índice de umidade globo preto (BGHI) foi calculado de acordo com Buffington et al. ( 1981 ): BGHI = Tgn + 0,36.tpo + 41,5, onde Tgn = temperatura do globo preto em ° C e Tpo = temperatura do ponto de orvalho em ° C.
Coleções e avaliações
O peso da novilha foi medido a cada 30 dias, após 12 horas de retirada de água e ração.
Para PIV, todos os reagentes usados ​​para a preparação do meio eram da Sigma®.
Para redução dos movimentos peristálticos e menor desconforto do animal, foram injetados 5 ml de uma combinação de lidocaína a 2% (Person®) e acepromazina a 1% (Vetnil®) no espaço epidural. Para a aspiração dos folículos, um ultrassom (Aquila PRO®, Pie Medical, acoplado ao transdutor microconvexo de 8 MHz) conectado a uma mangueira de silicone com 2 mm de diâmetro interno e 80 cm de comprimento e agulhas hipodérmicas descartáveis ​​20G (50 mm × 9 mm; Terumo®, Bio Brazil) foi utilizado. A pressão de vácuo foi de 80 mmHg, mantida com uma bomba de sucção (BV-003D WTA, Brasil). O meio de aspiração consistiu em solução salina tamponada com fosfato de Dulbecco (DPBS) mais 20.000 UI / L de heparina de sódio, mantida a 30 ° C durante a aspiração. Os AOCs recuperados foram rastreados e classificados imediatamente após a sessão do OPU. Os AOCs aspirados foram levados ao laboratório em meio de maturação na incubadora de transporte LABMIX (WTA, Brasil). Os AOCs recuperados foram classificados de acordo com a aparência e distribuição das células cumulus e uniformidade citoplasmática (Stojkovic et al. 2001 ). Os COCs selecionados de todos os doadores de cada grupo foram misturados para minimizar o efeito do doador e amadureceram por 24 h em gotas de 100 μl de meio de maturação (TCM199 com sais de Earls, soro bovino fetal 5% v / v, 01 mE / ml LH 200 mM  L-glutamina, 0,01 mg / ml de estreptomicina, 10 U / ml de penicilina) em óleo mineral. Após 24 h de maturação, os COCs foram lavados (1x) e transferidos para o meio de fertilização (suplementado com heparina, TALP e BSA 6 mg / ml). Sêmen criopreservado de um único touro Nelore foi utilizado para a produção de embriões in vitro. Os espermatozóides foram separados por método de Percoll e inseminao a dose foi de 1 x 10 6 esperma / mL. COCs e espermatozóides foram co-incubados por 22 h. Após a lavagem, os zigotos foram transferidos para 100 ul SOF sob óleo mineral, durante 7 dias (38,5 ° C e 5% CO 2 em ar). A taxa de clivagem foi determinada no dia 3 e a taxa de blastocisto no dia 7. Antes das sessões de OPU, foram coletadas amostras de sangue para analisar as concentrações séricas de hormônios (cortisol, hormônios tireoidianos (triiodotironina / T3 e tiroxina / T4)). Eles foram determinados por radioimunoensaio (RIA) em fase sólida, em laboratório credenciado, utilizando kits comerciais específicos (kit ELISA) para cada hormônio.
A frequência respiratória foi medida contando os movimentos / minuto do flanco direito dos animais por 15 s, que foram multiplicados por quatro. A temperatura retal foi medida usando um termômetro veterinário digital. A temperatura corporal superficial da região da garupa, denominada temperatura da pele, foi medida usando um termômetro infravermelho. Todos esses parâmetros foram medidos imediatamente antes da OPU.
Análise estatística
A análise estatística foi realizada pelo PROC GLIMIX (SAS® 2002). Para cada grupo experimental, a análise foi realizada considerando os efeitos fixos, grupo e tratamento, sobre as variáveis ​​reprodutivas: qualidade dos ovócitos, taxa de clivagem; parâmetros hormonais: nível sérico de cortisol, T3 e T4; e parâmetros fisiológicos: temperatura retal, frequência respiratória e temperatura da pele. Os gráficos foram criados usando o GraphPad Prism versão 7®.
Resultados
O peso inicial médio dos animais foi de 319,38 (± 29,2) kg para o ICLF e 362 (± 14) kg para o ICL ( p  > 0,05), e o peso no final do experimento foi de 349 (± 30,2) e 376 (± 15,21) kg ( p  > 0,05), respectivamente. A projeção da sombra foi calculada e o ICLF ofereceu 8189,4 m 2  ha- 1 e ICL 195,7 m 2  ha- 1 . As temperaturas mais altas durante os 3 meses do experimento (29,4 a 38 ° C) foram observadas entre 10 e 14 h em ambas as áreas ao sol (Fig.  3 ). Nos dois grupos, a sombra pode reduzir a temperatura em até 3 ° C durante os períodos mais quentes. A umidade relativa do ar variou entre 72 e 82,7% ao longo do experimento (Fig.  4 ). O índice pluviométrico registrado em dezembro, janeiro e fevereiro (período de coleta de dados) foi de 139,8 mm, 344,8 mm e 152 mm, respectivamente. A alta umidade de

10 de fev. de 2020

INFILTRAÇÃO DA ÁGUA NOS SOLOS CULTIVADOS COM PALMA FORRAGEIRA E PASTAGEM NO IFCE CAMPUS CRATO

Aparecida Rodrigues Nery¹, Luis Nery Rodrigues², Antônia Geliane de Sousa3 , Francisca Fabiana Costa dos Santos3 , Douglas Emanuel Rodrigues Nere3 ¹ Prof. Dra. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará – campus Crato ² Prof. Dr. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará – campus Crateús 3 Discente. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará – campus Crato cydanery@gmail.com, luis.nery@ifce.edu.br, agsifce@gmail.com, fabiana.tec.agrimensura@gmail.com, emanuelnere@gmail.com
1. INTRODUÇÃO 
A infiltração é o nome dado ao processo pelo qual a água atravessa a superfície do solo. É um processo de grande importância prática, pois afeta diretamente o escoamento superficial, que é o componente do ciclo hidrológico responsável pelos processos de erosão e inundações. O conhecimento da taxa de infiltração da água no solo é de fundamental importância para definir técnicas de conservação do solo, planejar e delinear sistemas de irrigação e drenagem, bem como auxiliar na composição de uma imagem mais real da retenção da água e aeração no solo. A agricultura irrigada se desenvolve nas mais diferentes condições de meio físico, atendendo uma grande variedade de culturas e de interesses sociais e econômicos, de forma que é possível existir um sistema de irrigação ideal, capaz de atender da melhor maneira a todas as condições e objetivos envolvidos. Em consequência, deve-se selecionar o sistema de irrigação mais adequado a cada condição em particular, considerando-se os interesses envolvidos. O processo de seleção deve ser baseado em uma criteriosa análise das condições presentes, em função das exigências de cada sistema de irrigação (FRIZZONE, 2005). A taxa de infiltração da água no solo é alta no início do processo de infiltração, particularmente quando o solo está inicialmente muito seco, mas tende a decrescer com o tempo, aproximando-se assintoticamente de um valor constante, denominado taxa de infiltração estável, muito conhecida por velocidade de infiltração básica da água no solo – VIB. Inicialmente, seu valor é elevado, diminuindo com o tempo, até se tornar constante no momento em que o solo fica saturado. Assim sendo, sob chuva ou irrigação contínuas, a taxa de infiltração se aproxima, gradualmente, de um valor mínimo e constante, conhecido por VIB. Dados de infiltração são imprescindíveis nos modelos utilizados para a descrição
da infiltração de água no solo e dependem do selamento superficial provocado pelo impacto das gotas de chuva na superfície do solo (ALVES SOBRINHO et. al., 2003). A determinação da infiltração de água deve ser feita por métodos simples e capazes de representar, adequadamente, as condições em que se encontra o solo, e baseiase em condições àquelas observadas no processo ao qual o solo é submetido (PRUSKI et al., 1997). Segundo Bernardo, Soares & Mantovani (2008), a velocidade de infiltração depende diretamente da textura, estrutura, umidade, época de irrigação, temperatura e porosidade do solo, da existência de camada menos permeável ao longo do perfil e cobertura vegetal. Em solos intensamente cultivados, as camadas compactadas determinam a diminuição do volume de poros e o aumento na retenção de água. Em decorrência disto, diminuição da taxa de infiltração, aumento do escoamento superficial e de erosão. (BERTOL et al., 2001). O conhecimento do processo de infiltração da água no solo é de grande importância na hidrologia, nos projetos de irrigação, no manejo e conservação dos solos, bem como no cultivo adequado de plantas. Os prejuízos causados por alterações na infiltração de água no solo e subsolo, pelo gradativo processo da impermeabilização, seja por fatores naturais, quer seja por atividade antrópica, são incomensuráveis. É percebido déficit hídrico no solo em alguns meses do ano na região cariri cearense, logo para potencializar a produção dos sistemas agrícolas se faz necessário o uso da irrigação. Para se projetar sistema de irrigação é de fundamental importância conhecer os fatores que intervém na capacidade de infiltração dentre os quais destacam-se a velocidade de infiltração da água no solo, umidade inicial do solo, carga hidráulica, compactação do solo e tipo de solo. O objetivo deste trabalho foi verificar a influência de diferentes sistemas de manejo do solo em área cultivada com palma forrageira cv. miúda (Nopalea cochenillifera -Salm Dyck) e pastagem (Brachiaria decumbens cv. Basilisk) sob a infiltração de água no solo. 
2. REVISÃO TEÓRICA 
2.1. Infiltração de água no solo 
A infiltração de água no solo é o processo pelo qual a água atravessa a superfície do solo. É um processo dinâmico de penetração vertical da água através da superfície do solo (BRANDÃO et al., 2006). Para Brandão et al., (2006), o conhecimento da taxa de infiltração da água é importante para definir técnicas de conservação, planejar sistemas de irrigação e drenagem e auxiliar na composição de imagens mais reais da retenção hídrica e aeração no solo. A velocidade de infiltração de água em um solo (VI) é um fator importante na irrigação, já que ela determina o tempo em que se deve manter a água na superfície do solo ou a duração da aspersão (BERNARDO, SOARES & MANTOVANI, 2008). A velocidade de infiltração auxilia na determinação da capacidade de suporte para definir a intensidade de aplicação do tipo de emissor. Deve ser levada em conta na escolha do emissor, principalmente nas irrigações por aspersão (MANTOVANI, BERNARDO & PALARETTI, 2009). Segundo Reichardt (1990), o conhecimento desta variável é imprescindível para a elaboração de um projeto de irrigação com objetivo de obter maior rendimento das culturas. Segundo Fagundes et al., (2012) vários métodos de campo têm sido utilizados para determinar a VI de um solo, dentre eles pode-se destacar o método do infiltrômetro de anel, por ser simples e de fácil execução. É um método de baixo custo e prático, porém deve-se ter o cuidado de sincronizar a leitura de lâmina e o intervalo de tempo (fonte de erro). O processo de infiltração da água no solo pode ser descrito por diversas equações ou modelos, desenvolvidos a partir de informações físicas e empírica (ALVES SOBRINHO et al., 2003) 
2.2. Fatores que afetam a infiltração 
Segundo Carvalho & Silva (2006) a infiltração é um processo que depende, em maior ou menor grau, de diversos fatores, dentre os quais destacam-se: Condição da superfície: a natureza da superfície considerada é fator determinante no processo de infiltração. Áreas urbanizadas apresentam menores velocidades de infiltração que áreas agrícolas, principalmente quando estas têm cobertura vegetal. Tipo de solo: a textura e a estrutura são propriedades que influenciam expressivamente a infiltração. Condição do solo: em geral, o preparo do solo tende a aumentar a capacidade de infiltração. No entanto, se as condições de preparo e de manejo do solo forem inadequadas, a sua capacidade de infiltração poderá tornar-se inferior à de um solo sem preparo, principalmente se a cobertura vegetal presente sobre o solo for removida. Umidade inicial do solo: para um mesmo solo, a capacidade de infiltração será tanto maior quanto mais seco estiver o solo inicialmente. Carga hidráulica: quanto maior for a carga hidráulica, isto é a espessura da lâmina de água sobre a superfície do solo, maior deverá ser a taxa de infiltração. Temperatura: a velocidade de infiltração aumenta com a temperatura, devido à diminuição da viscosidade da água. Presença de fendas, rachaduras e canais biológicos originados por raízes decompostas ou pela fauna do solo: estas formações atuam como caminhos preferenciais por onde a água se movimenta com pouca resistência e, portanto, aumentam a capacidade de infiltração. Compactação do solo por máquinas e/ou por animais: o tráfego intensivo de máquinas sobre a superfície do solo, produz uma camada compactada que reduz a capacidade de infiltração do solo. Solos em áreas de pastagem também sofrem intensa compactação pelos cascos dos animais. Compactação do solo pela ação da chuva: as gotas da chuva, ou irrigação, ao atingirem a superfície do solo podem promover uma compactação desta, reduzindo a capacidade de infiltração. A intensidade dessa ação varia com a quantidade de cobertura vegetal, com a energia cinética da precipitação e com a estabilidade dos agregados do solo. Cobertura vegetal: o sistema radicular das plantas cria caminhos preferenciais para o movimento da água no solo o que, consequentemente, aumenta a taxa de infiltração. A presença de cobertura vegetal reduz ainda o impacto das gotas de chuva e promove o estabelecimento de uma camada de matéria orgânica em decomposição que favorece a atividade microbiana, de insetos e de animais o que contribui para formar caminhos preferenciais para o movimento da água no solo. A cobertura vegetal também age no sentido de reduzir a velocidade do escoamento superficial e, portanto, contribui para aumentar o volume de água infiltrada. Os resultados obtidos são ainda grandemente dependentes do método utilizado para sua determinação, apresentando todos eles problemas se utilizados para múltiplos fins (PRUSKI et al., 1997). Sendo assim, o conhecimento dessas condições é de fundamental importância para a interpretação dos resultados. 
3. MATERIAIS E MÉTODOS 
A pesquisa foi conduzida no IFCE Campus Crato, no período de janeiro a março de 2017, utilizando o método do Infiltrômetro de anel. Neste trabalho foram consideradas duas áreas de estudo, cada uma de 150m x 50 m (7500 m2 ). Os solos estudados possuem texturas franco- arenosas na área vegetada com palma forrageira cv. miúda (Nopalea cochenillifera -Salm Dyck) e francoareno-argilosa na área
cultivada com pastagem (Brachiaria decumbens cv. Basilisk), cultivos contínuos, irrigados e adubados. Na área com pastagem, ocorre pastoreio de animais bovinos. Foram coletadas três amostras (3 determinações da VIB), de cada três pontos estabelecidos dentro de cada área acima avaliada (3 repetições). Utilizou-se o infiltrômetro de anel para determinação da infiltração e velocidade de infiltração. O Infiltrômetro de anel é um equipamento composto por dois anéis (50 e 25 cm de diâmetro e 30 cm de altura), que foram instalados de forma concêntrica e enterrados 15 cm (Figuras 1 e 2). Após limpeza superficial do solo, cravaram-se no solo os cilindros externo e interno, ajustou-se um filme plástico para evitar a infiltração da água no

23 de jan. de 2020

Mensagem do Núcleo Kankrej à ABCZ

Taperoá/PB, 23 de janeiro de 2020. 
Ao Sr. Rivaldo Machado Borges Júnior,   Presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Uberaba/MG. 
Prezado Presidente, 
Saudações guzeratistas e feliz 2020! 
A Sociedade Nordestina do Guzerá Arcaico - Núcleo Kankrej – entidade civil em vias de regularização, constituído por criadores, técnicos e pesquisadores do gado guzerá de dupla aptidão - tomou conhecimento da presença recente no Brasil de uma missão técnica oficial da Índia, vinculada ao National Dairy Development Board (NDDB), com a finalidade de estudar a aquisição de material genético de zebuínos brasileiros melhorados para leite das raças gir e guzerá. Ademais, no momento em que finalizamos o texto da presente mensagem, recebemos notícia da presença do Sr. na Índia, acompanhando a comitiva da Ministra de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza
No alto, à esquerda Vinagre JM e à direita Alecrim JM,touros 
da linhagem baiana. Embaixo, no canto esquerdo, touro indiano 
da atualidade na região semiárida da Índia. No canto direito, 
vestígio arqueológico de Mohenjo-Daro datado de 
aproximadamente 5.000, retratando o guzerá/Kankrej
Cristina, em conversações oficiais com autoridades indianas. 
Para nós do Núcleo Kankrej (NK), essa possibilidade de intercâmbio com a pátria da raça que criamos reveste-se de alta relevância, pelos aspectos estratégicos envolvidos. Louvamos o ineditismo da situação, com todo seu rico simbolismo, inclusive, e parabenizamos os que vêm trabalhando nessa iniciativa. Sobretudo, para nós guzeratistas do Nordeste brasileiro e todo o Polígono das Secas, a perspectiva de cooperação com a Índia em torno da preservação e desenvolvimento da raça guzerá carrega grande entusiasmo. Esse vislumbre nos traz à memória o esforço árduo e pioneiro do técnico e criador nordestino José Maria Couto Sampaio, ainda nos anos 60, em ampliar e aprofundar o intercâmbio com o Sul da Ásia no campo da pecuária tropical. 
Infelizmente a região Nordeste não pode participar do modo destacado e efetivo, que se fazia necessário, da recente iniciativa de importação de material genético guzerá/kankrej da Índia, que, igualmente, deixou de contemplar detidamente a genética voltada à aptidão leiteira, componente essencial da reconhecida e propalada dupla aptidão da raça. Devemos lembrar as observações, tanto de José Maria Couto Sampaio como de Antônio Ernesto de Salvo (em seus conhecidos Relatórios de seleção), que citavam a agregação de leite constatada no efeito dos IMPs guzerá dos anos 60, como um dos principais argumentos na defesa de novas introduções de genética guzerá indiana no Brasil. 
Há mais de vinte anos somos sabedores também do vivo e crescente interesse indiano sobre o desenvolvimento leiteiro promovido no Brasil por criadores, ABCZ, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), dentre outras instituições. A adoção de novas abordagens na relação com a Índia, com ênfase em intercâmbio, de mão dupla, e não mais a tradicional relação de "importar", tem sido defendido por alguns de nós desde os anos 90.   
Sr. Presidente, causa-nos temor, face às notícias formais e informais que nos chegam, de que a recepção e tratamento à mencionada missão técnica oficial da Índia do NDDB - órgão federal encarregado das políticas de desenvolvimento da economia leiteira indiana - possam estar sobrepondo interesses comerciais restritos ao sentido maior de cooperação, que consideramos mais que oportuna; consideramos indispensável. Em se tratando de zebu, a Índia não pode ser tratada como um "mercado" qualquer. Trata-se da fonte primordial. Para a raça guzerá/kankrej, de modo muito especial, a Índia segue tendo incalculável importância estratégica, pelo notoriamente rico e diverso acervo genético que lá se preserva e se desenvolve. Talvez para outras raças zebuínas a situação não apresente o mesmo relevo, conforme tem sido relatado por visitas e informações colhidas naquele país. 
Inferimos que o interesse do NDDB por genética zebuína brasileira melhorada para leite vise, em boa medida, apresentar alternativas de acasalamento para a grande massa de matrizes mestiças euro-zebu em diferentes regiões indianas, em que o componente zebuíno da mestiçagem se lastreou em raças locais de fraco potencial leiteiro. Isso, no entanto, não altera o quadro que favorece a possibilidade da proposta cooperação de dupla via. Configura-se um trunfo, que vem de encontro à necessidade da raça guzerá de dupla função do Brasil de manter canais compartilhados de trabalho e desenvolvimento com a Índia. 
Brasil e Índia podem e devem unir esforços nas áreas técnica, científica e agrocultural em prol da bovinocultura (assim como da bubalinocultura, etc) tropical, de modo particularíssimo no segmento leiteiro. Estamos convictos de que tal configuração beneficia enormemente a perspectiva de consolidarmos a destacada posição brasileira no trabalho com a raça guzerá. 
Sr. Presidente, não fazemos quaisquer restrições às manifestações e às iniciativas de caráter comercial de criadores ou de instituições privadas, ligadas ou não à zebuinocultura nacional junto a qualquer país, inclusive a Índia. Reconhecemos o mérito de certas iniciativas louváveis. O que não nos parece apropriado é que interesses específicos e particulares possam vir a desfavorecer o estabelecimento dos desejados laços de cooperação de modo aberto, transparente e democrático entre Brasil e Índia na bovinocultura tropical, particularmente no que se refere à raça guzerá/kankrej. Preocupa-nos que tais interesses particularizados venham a monopolizar e ditar rumos subjetivos, inadequados e não-transparentes a um esquema que é oficial - ao menos da parte indiana - e envolve interesses que são amplos e públicos, já que dizem respeito à comunidade de criadores da raça guzerá em seu conjunto maior e sua expressão diversa e multirregional. 
O Nordeste Brasileiro é, sem dúvidas, Sr. Presidente, o ambiente brasileiro que mais se aproxima, em termos climáticos e socioeconômicos, às condições da pecuária do oeste semiárido e subúmido da Índia, justamente o berço da raça guzerá/kankrej. Some-se a isso o fato de que o Nordeste tem sido palco, há pelo menos seis décadas, da formação de alguns dos pilares mais importantes para o soerguimento ao estágio atual de desenvolvimento do melhoramento de dupla aptidão da raça no Brasil; fiel, portanto, à milenar tradição indiana do kankrej. Impossível imaginar o atual estágio do melhoramento leiteiro do guzerá brasileiro sem a contribuição dos plantéis formados e desenvolvidos no antigo Instituto de Pesquisa e Experimentação Agropecuária do Leste (IPEAL), em Cruz das Almas/BA, depois transferido para à então Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba (EMEPA), em Alagoinha/PB, assim como os rebanhos trabalhados por Manuel Dantas Vilar Filho, em Taperoá/PB, e pela Teotônio Agropecuária, no Ceará, além de outros criadores e instituições. 
 Visualizamos, portanto, Sr. Presidente, que o Nordeste não deva ser desconsiderado em quaisquer iniciativas de intercâmbio com a Índia que envolvam a raça guzerá. A ABCZ é uma só, tem abrangência nacional e assim compreendemos que ela tem compromisso com os guzeratistas
Daniel Pereira Dantas Vilar 
Presidente
autênticos do Nordeste Brasileiro. Na visão estratégica que nós todos compartilhamos, nordestinos, todos os brasileiros, indianos e demais criadores das faixas tropical e subtropical do planeta, a raça guzerá constitui um recurso genético fundamental, assumindo importância ainda maior nesse quadrante de crise climática global, antevendo possibilidades de aquecimento e expansão de zonas semiáridas. 
Entendemos que a ABCZ, em articulação com o setor público federal - notadamente o MAPA e a EMBRAPA - e dos Estados, deve atuar ativamente no resguardo do interesse nacional, no desenvolvimento presente e futuro de nossa pecuária. Assim, solicitamos esforços no sentido de que sejam franqueadas, transparente e participativamente, as informações envolvendo intercâmbios de caráter oficial com a Índia em pecuária, especialmente, no que nos diz respeito, os que envolvem a raça guzerá/kankrej. Onde e quando os temas se relacionarem a melhoramento leiteiro, os criadores dedicados a esse tipo de trabalho devem ser cientificados, sobretudo os que, em algum grau, tem contribuído com o PMNGuL. Da mesma forma, aos visitantes e pesquisadores indianos deve ser franqueadas, transparentemente, assim como o convite a eventuais inspeções in loco, sobre o universo dos trabalhos de melhoramento com a raça guzerá no Brasil. 
Gratos pela atenção e certos de sua sensibilidade e consideração às questões ora levantadas. Cordialmente,
Daniel Pereira Dantas Vilar 
PRESIDENTE 
E demais associados: 
Manoel Dantas Vilar Filho                               
Eduardo Aguiar de Almeida 
Joaquim Pereira Dantas Vilar                      
Fernando Augusto Trindade Navarro 
Alexandre de Medeiros Wanderley                      
José Bezerra de Almeida Neto 
Pablo de Menezes Seabra                                
Ricardo Nonato Silva de Sá 
João Tavares Flores Campos                             
Napoleão Silva Fulco Caldas 
Marcos Bispo dos Santos Andrade                             
Davi Pinheiro Teixeira 
Sérgio Lima Martins                          
Alexandre de Medeiros Wanderley Filho 

6 de jan. de 2020

Melhoramento genético de plantas forrageiras xerófilas: Revisão

Isaias Vitorino Batista de Almeida, 
José Thyago Aires Souza, 
Mateus Costa Batista
Resumo
A precipitação é a principal variável climática para o Semiárido brasileiro, sendo um fator limitante para produção de vegetais, principalmente em regiões com histórico de ocorrência de baixas pluviosidades. Por outro lado, a pecuária é a principal atividade econômica dessa região e a produção de alimento para os animais, infelizmente, ainda se constitui no maior gargalo. A presente revisão tem como objetivo principal descrever o melhoramento
genético das principais plantas forrageiras xerófilas cultivadas no Semiárido brasileiro e das espécies com potencial de cultivo para as áreas com registro histórico de baixas precipitações. As espécies discriminadas são: palma forrageira, capim buffel, algodão mocó, flor-de-seda, mandacarú, feijão-bravo e maniçoba. O programa de melhoramento genético dessas espécies se inicia com a formação de um banco ativo de germoplasma (BAG) e compreende a realização de diferentes estratégias, como a domesticação da espécie, que envolve o cultivo, avaliação, caracterização agronômica e bromatológica dos acessos, estudo de diversidade genética, seleção de plantas, hibridação, alteração cromossômica, uso de ferramentas de biotecnologia, entre outras estratégias. A execução de programas de melhoramento genético dessas culturas xerófilas torna-se uma ferramenta necessária para cultivo, domesticação de materiais silvestres e obtenção de novas variedades, com maior potencial de produção e com a função de elevar a renda das propriedades rurais do Semiárido brasileiro.
O termo "xerófita" foi introduzido por Warming em 1895 para caracterizar plantas que conseguem viver em ambientes áridos, ou seja, que completam seu ciclo vital em regiões carentes de água. A palavra "xerófita" é usada para designar "plantas resistentes à seca", sendo um o termo genérico que caracteriza os diferentes mecanismos encontrados nas plantas superiores que representam a resposta evolutiva do vegetal à pressão de seleção exercida pela seca. Existem, basicamente, três mecanismos: fuga à seca ou plantas efêmeras, tolerância à seca em altos níveis negativos de potencial hídrico e tolerância à seca em baixos níveis de potencial hídrico (Prisco, 1986). Para Duque (2004), as plantas xerófilas são aquelas que toleram a escassez d’água, que fogem aos efeitos da deficiência hídrica ou que resistem à seca.
O autor define que elas podem ser classificadas em três tipos, conforme o modo como conseguem sobreviver: efêmeras, suculentas e lenhosas. As efêmeras são as plantas que aproveitam a estação chuvosa para completar todos os estádios fenológicos, cujo ciclo não ultrapassa algumas semanas ou meses. As suculentas são as cactáceas perenes a exemplo da palma forrageira e do mandacarú. As xerófilas lenhosas são as árvores e os arbustos, as plantas perenes e caducifólias, incluindo as plantas nativas da Caatinga. A principal planta xerófila cultivada no Semiárido brasileiro é a palma forrageira, pois a pecuária é a principal atividade econômica dessa região. Segundo Andrade et al. (2006), a produção de alimento para os animais, infelizmente, ainda se constitui no maior problema da pecuária no Semiárido, principalmente em regiões com baixa precipitação. Para criar bovinos, caprinos ou ovinos, de forma lucrativa, os agricultores familiares não poderão utilizar apenas as caatingas ou os pastos nativos, como únicos recursos forrageiros para garantir a manutenção
https://www.bahiaredsindhi.com/
de seus rebanhos. É necessário o cultivo de plantas adaptadas como forma de aumentar o suporte forrageiro (Lima et al., 2010). Nesse sentido, com vistas a tentar solucionar o problema alimentar dos rebanhos, sobretudo no período seco do ano, pesquisadores recomendam o cultivo de plantas forrageiras xerófilas, como forma de reduzir os riscos de perda da produção decorrentes das flutuações sazonais da precipitação (Andrade et al., 2010; Andrade et al., 2006; Duque, 2004).


A precipitação é a principal variável climática para o Semiárido brasileiro, sendo um fator limitante para produção de vegetais, em virtude de ser altamente variável, imprevisível, onde comumente ocorre em eventos descontínuos, em forma de pulsos de relativa curta duração (Andrade et al., 2010). Historicamente é conhecida a existência das grandes secas no Nordeste, como também o insucesso no cultivo de culturas agrícolas. Nos últimos seis anos o Nordeste brasileiro passou por um dos maiores ciclos de seca da história, com precipitações anuais inferiores a 200 mm em alguns municípios; sendo o cultivo de plantas forrageiras xerófilas a principal estratégia de convivência com a seca, como forma de garantir produção de alimento volumoso nestes anos. O sucesso no cultivo de uma espécie xerófila depende, primariamente, do material genético utilizado, principalmente com espécies não domesticadas a exemplo da flor-de-seda (Calotropis procera (Ait.) W.T. Aiton), do mandacarú (Cereus jamacaru P. DC.), do feijão-bravo (Capparis flexuosa L.) e da maniçoba (Manihot ssp.), sendo, portanto, necessário a condução de um programa de melhoramento genético da espécie, para a seleção de genótipos com maior potencial forrageiro. Sendo assim, a presente revisão tem como objetivo principal descrever o melhoramento genético das principais plantas forrageiras xerófilas cultivadas no Semiárido brasileiro e das espécies com potencial de cultivo para as áreas com registro histórico de baixas precipitações. 
A presente revisão traz informações sobre as principais plantas forrageiras xerófilas cultivadas no Semiárido brasileiro e algumas etapas no programa de melhoramento genético de cada espécie, a exemplo da palma forrageira (Opuntia spp.) e do capim buffel (Cenchrus ciliaris L.), como também de espécies com potencial de serem cultivadas para produção de forragem, a exemplo do algodão mocó (Gossypium hirsutum L. r. marie galante Hutch), da flor-de-seda (Calotropis procera (Ait.) W.T. Aiton), do mandacarú (Cereus jamacaru P. DC.), feijão-bravo (Capparis flexuosa L.) e maniçoba (Manihot ssp.). O melhoramento genético vegetal é a arte e ciência de aperfeiçoar o padrão genético de plantas em relação ao seu uso econômico, tendo como objetivos: selecionar e desenvolver plantas com maior potencial produtivo, para novas áreas agrícolas, para áreas desfavoráveis, materiais com redução de constituintes tóxicos, com resistência à pragas e doenças ou mesmo para condições de estresses abióticos, por exemplo, hídrico, salino, entre outras finalidades (Fritsche-Neto & Borém, 2011). Para iniciar um programa de melhoramento genético de uma espécie de planta é necessário proceder a um planejamento do programa, ou seja, realizar, inicialmente, levantamento bibliográfico do que foi feito em programas semelhantes; levantamento do germoplasma existente no centro de origem da espécie; verificar o modo de reprodução da espécie; definir os objetivos e analisar os entraves para execução do programa (Fritsche-Neto & Borém, 2011). Para haver o estabelecimento do programa de melhoramento genético, inicialmente, deve existir um banco ativo de germoplasma (BAG), que é uma coleção viva do patrimônio genético de uma espécie vegetal, que detém um número expressivo de acessos, incluindo materiais silvestres, genótipos crioulos, linhagens e cultivares (Costa et al., 2012; Fritsche-Neto & Borém, 2011; Ramos et al., 2007). No caso de plantas não domesticadas, a exemplo da flor-de-seda, do mandacarú, feijão-bravo e maniçoba a formação do BAG consiste apenas de plantas silvestres. O objetivo central dos bancos de germoplasma é a conservação dos recursos genéticos vegetais visando preservar a variabilidade genética das espécies, podendo ser utilizados nos programas de melhoramento genético de plantas. Em geral, o programa de melhoramento possui etapas distintas, que envolve avaliação e caracterização agronômica dos acessos do BAG, estudo de diversidade genética, seleção de plantas, hibridação, alteração cromossômica, uso de ferramentas de biotecnologia, entre outras estratégias (Costa et al., 2012; Fritsche-Neto & Borém, 2011; Ramos et al., 2007). A execução do programa de melhoramento genético de plantas não é uma tarefa fácil, demanda tempo, possui custos elevados até atingir a função principal do programa que é proceder ao registro de cultivares. Dessa forma, recomenda-se o desenvolvimento de um programa de melhoramento genético com espécies xerófilas forrageiras domesticadas ou com potencial de domesticação a exemplo da flor-de-seda, visto ter características agronômicas favoráveis, como potencial fisiológico de sementes, crescimento e produção de fitomassa. 
A escolha da planta forrageira xerófila para cultivo no Semiárido brasileiro, principalmente para as áreas com registro histórico de baixas precipitações, deve ser com base na capacidade do vegetal em resistir à seca, na fenologia da espécie e por meio das características agronômicas e bromatológicas da espécie. Com relação à capacidade do vegetal em resistir à seca, esta é uma característica essencial para o sucesso na atividade pecuária em propriedades rurais do Semiárido, visto que, historicamente se sabe da ocorrência de secas no Nordeste. Cultivar plantas com resistência comprovada a esse fenômeno é

Pensamento do mês