20 de nov de 2011

O TAMANHO DA VACA DE CORTE E A PRODUÇÃO DE BEZERROS


A utilização de fêmeas F1 para produção de bezerros tem se tornado prática cada vez mais comum nos sistemas de produção do país. As principais razões dessa tendência são as possibilidades de exploração da maior precocidade sexual e da heterose materna (bezerros mais pesados à desmama) que essas fêmeas podem apresentar.

Existem inúmeras raças para cruzamento industrial, e todas com características muito boas, porém muitas destas produzem animais de grande porte, conseqüentemente aumentando o peso adulto das fêmeas. Além do mais, por muitos anos, e ainda em algumas propriedades, têm sido selecionados animais de grande porte.

Porém, o aumento do peso adulto, segundo revisão feita por Olson (1994), levará a uma redução da eficiência reprodutiva. Neste contexto, Olson (1994) descreve dois trabalhos nos quais os objetivos foram avaliar diferentes pesos adultos (pequeno, médio e grande) no desempenho reprodutivo do rebanho.


Em um primeiro estudo, analisou o desempenho de raças compostas (Bos taurus) de diferentes raças, porém com peso adulto diferente, por três estações de monta, em 2 propriedades. Todas as novilhas foram inseminadas para primeira parição com cerca de 2 anos de idade, descartando as novilhas ou vacas que não concebiam. Os resultados são apresentados na tabela 1. Para os dois parâmetros reprodutivos estudados, percentagem de fêmeas ciclando e taxas de nascimentos, observou-se maiores valores para fêmeas de menor tamanho (P<0,05), tanto na 1a estação de monta (EM) / parição (novilhas), como nas demais (2a e 3a).
Tabela 1: crescimento e desempenho reprodutivo de fêmeas de diferentes tamanhos adultos

O autor relata que as diferenças foram mais pronunciadas no sistema onde a estação de nascimento era no outono, ou seja, em período de menor disponibilidade de alimentos. Neste caso, as vacas de maior tamanho adulto apresentaram taxas de nascimento e de ciclicidade 20% menor que os animais com tamanho adulto pequeno. Em situações adversas de alimentação, vacas de menor tamanho adulto teriam melhor desempenho, principalmente pelas menores exigências de mantença destes animais. Após três anos de observações, as relações entre as vacas que permaneceram no rebanho em relação

às que iniciaram o trabalho foram de 54,5, 39,2 e 32,7% para os tamanhos pequeno, médio e grande, respectivamente. Isto indica maior descarte de animais com maior tamanho corporal.
Em uma segunda avaliação, realizada na Flórida, foi avaliado o desempenho de vacas de uma única raça, com diferentes tamanhos adultos. A raça em questão foi a Brahma (Bos indicus), e a estação de monta com 150 dias duração.
As novilhas foram cobertas com 2 anos de idade, pois são animais mais tardios que os de origem taurina. Na tabela 2, observa-se que na primeira cobertura não houve diferenças nas taxas de gestação. Porém, elas foram significativamente superiores para os animais de menor tamanho adulto na segunda cobertura (primíparas), fase mais crítica do ciclo reprodutivo de vacas de corte.
Tabela 2: Desempenho reprodutivo de fêmeas Brahma de diferentes tamanhos adultos

De forma geral, o aumento do tamanho adulto da vaca tende aumentar a idade à maturidade sexual, ou seja, a idade à puberdade. As taxas de reconcepção de primíparas tendem a diminuir. Olson (1994) relata que vaca de maior tamanho adulto necessitaria de maiores quantidades de alimentos do que vacas de pequeno tamanho. Ou seja, se considerarmos uma mesma taxa de lotação (UA/ha), seria possível trabalhar com um maior número de vacas de tamanho pequeno por unidade de área.


Comentário BeefPoint: apesar dos trabalhos não terem sido
realizados no Brasil, podemos afirmar que o princípio seria o mesmo, ou seja, selecionar animais ou raças para cruzamento de menor tamanho adulto. Isto também vai influir na precocidade do animal destinado ao abate, ou seja, animais de menor tamanho atingem a idade de abate, com o acabamento ideal mais cedo que animais de grande porte.


Literatura consultada:
Olson, T. A. The effect of cow size on Reproduction. In: Factors affecting calf crop. Ed. Fields, M. J.; Sand, R. S. Cap. 17, pg. 243. 1994. 

Por Celso Boin e Marcelo Queiroz Manella
Postado originalmente em BeefPoint
: 09/11/2001

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